{"id":10411,"date":"2006-11-08T00:00:00","date_gmt":"2006-11-08T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T20:02:23","modified_gmt":"2017-09-15T20:02:23","slug":"e-hoje-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/e-hoje-2\/","title":{"rendered":"\u00c9 hoje&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>O produtor musical e apresentador Carlos Mi\u00e9le sempre gostou de cantar. Mesmo sem arriscar altos v\u00f4os mel\u00f3dicos, usava e abusava de imitar Frank Sinatra em apresenta\u00e7\u00f5es divertidas em festas particulares, roda de amigos e afins. Arriscou-se mesmo em pequenos shows em casas noturnas do Rio e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Mi\u00e9le \u00e9 um talentoso show-man e, sempre que poss\u00edvel, l\u00e1 estava ele a enrolar a l\u00edngua e dan\u00e7ar: &quot;New York, New York&quot;. E tome Sinatra made in Brasil na veia&#8230;<\/p>\n<p>De tanto insistir, um dia belo dia &#8211; nem sei se foi t\u00e3o belo assim &#8211; ele recebeu um convite para gravar um CD desse pocket-show. Simples, b\u00e1sico. Haveria um roteiro em que falaria da vida de produtor de nomes famosos (Roberto Carlos, entre eles) experi\u00eancias televisivas (Coquetel, no SBT, lembram?) contaria piadas, hist\u00f3rias e, ousadia das ousadias, cantaria Sinatra.<\/p>\n<p>Gravar a parte inicial foi f\u00e1cil. De primeira. <\/p>\n<p>At\u00e9 que, dia chegou, teria que colocar voz nas m\u00fasicas j\u00e1 previamente gravadas e arranjadas no melhor estilo das big-bands. <\/p>\n<p>Mi\u00e9le tremeu. Sentiu o baque. <\/p>\n<p>Assim que chegou \u00e0 gravadora, o n\u00f3 apertou na garganta. N\u00e3o seria nada. Profissional experiente, tiraria de letra mais aquela aventura. Pensava nisso quando resolveu dar um tempo no estacionamento do est\u00fadio. <\/p>\n<p>Andava pra l\u00e1  e pr\u00e1 c\u00e1 a repassar as letras das can\u00e7\u00f5es, rememorar onde respirava, onde soltava a voz (pequena, \u00e9 verdade, mas cumpridora), essas coisas. <\/p>\n<p>Estava nessa lenga quando chega ningu\u00e9m menos que Gal Costa &#8211; a cantora mais afinada do Brasil, no entender do pr\u00f3prio Mi\u00e9le e de muita gente boa. Mi\u00e9le estancou como se estivesse sendo preso em flagrante. Gal sorriu ao rever o velho amigo.<\/p>\n<p>&#8212; Mi\u00e9le, voc\u00ea por aqui&#8230;<\/p>\n<p>Sil\u00eancio. A voz lhe sumira da garganta&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; O que voc\u00ea veio fazer aqui?, perguntou ingenuamente a cantora.<\/p>\n<p>Deu pra se ouvir longe o baticum do cora\u00e7\u00e3o do homem. Que caiu, mas n\u00e3o vergou. Respirou fundo e respondeu:<\/p>\n<p>&#8212; Vim entregar um telegrama, tentou disfar\u00e7ar.<br \/>\nPara em seguida admitir o tamanho e a temeridade da ousadia.<\/p>\n<p>Lembrei dessa hist\u00f3ria hoje. O motivo \u00e9 simples. A partir das 19h30, este modesto escriba participa do semin\u00e1rio Grandes Reportagens, com organiza\u00e7\u00e3o da Rede Globo e da Faculdade de Jornalismo e Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas da Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo. Trata-se, na verdade, do lan\u00e7amento oficial de &quot;O Livro das Grandes Reportagens do Fant\u00e1stico&quot;, assinado por GRANDES nomes do jornalismo brasileiro. Jos\u00e9 Hamilton Ribeiro, William Waak, Joel Silveira, Luis Carlos Azenha, Edney Silvestre, Fernando Molica, Andr\u00e9 Luiz Azevedo, Geneton Moraes Neto s\u00e3o os autores. Muitos deles v\u00e3o compor a mesa de debates. Como mediador, Ricardo Kotscho, um dos melhores textos da imprensa nativa.<\/p>\n<p>Vou estar ali, com eles. Serei apresentado como &#8216;debatedor&#8217; &#8211; seja l\u00e1 o que isso quer dizer. Mas, prometo, se algu\u00e9m me perguntar: &quot;Rodolfo, o que voc\u00ea veio fazer aqui?&quot;<\/p>\n<p>Tenho na ponta da l\u00edngua a resposta:<\/p>\n<p>&#8212; Vim entregar um telegrama.<\/p>\n<p>Afinal, desde j\u00e1 reconhe\u00e7o o tamanho da ousadia e da temeridade&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O produtor musical e apresentador Carlos Mi\u00e9le sempre gostou de cantar. Mesmo sem arriscar altos v\u00f4os mel\u00f3dicos, usava e abusava de imitar Frank Sinatra em apresenta\u00e7\u00f5es divertidas em festas particulares, roda de amigos e afins.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10411","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10411","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10411"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10411\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17452,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10411\/revisions\/17452"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10411"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10411"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10411"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}