{"id":10415,"date":"2006-11-11T00:00:00","date_gmt":"2006-11-11T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T20:02:23","modified_gmt":"2017-09-15T20:02:23","slug":"carlos-renato","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/carlos-renato\/","title":{"rendered":"Carlos Renato"},"content":{"rendered":"<p>Mais um ato dessa \u00f3pera chamada VIDA.<br \/>\nUma noite comum de novembro de 2004. <\/p>\n<p>Fui para a aula do Unifai, na Vila Mariana. Sociologia Aplicada \u00e0 Administra\u00e7\u00e3o, uma disciplina dif\u00edcil para um jornalista\/professor, avesso aos n\u00fameros, falar para quem vive, respira e parece s\u00f3 quer entender de n\u00fameros, cifras, balan\u00e7os&#8230;<\/p>\n<p>Primeira hor\u00e1rio, a turma g\u00e9lida, como se eu falasse grego em plena Maurit\u00e2nia. Penso umas oito vezes, mesmo falando, falando&#8230; Ano que vem n\u00e3o devo continuar. N\u00e3o \u00e9 minha praia. Minhas palavras n\u00e3o s\u00e3o as \u00e1guas que o pessoal quer se banhar.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Hor\u00e1rio seguinte. Outra turma de Administra\u00e7\u00e3o, mesmo semestre. Mesma aula. Encanto, sei l\u00e1? A plat\u00e9ia arregala os olhos. Ouve. Motra interesse e eu abandono o roteiro sobre Intera\u00e7\u00e3o Individual e Organizacional. <\/p>\n<p>Falo da busca da felicidade  que cada um de n\u00f3s deve promover, onde quer que seja. No trabalho, no lazer. Na vida.<\/p>\n<p>As luzes da sala se apagam. Mas, as do pr\u00e9dio e da rua continuam acesas! Estranho. Pe\u00e7o para um dos alunos &#8212; todos est\u00e3o distantes do interruptor &#8212; tentar acend\u00ea-las. <\/p>\n<p>Uma leve press\u00e3o dos dedos e a sala clareia. Brilho bom de quem<br \/>\nvive um momento \u00fanico, singular.<\/p>\n<p>Sigo com a disciplina. Passo um v\u00eddeo. Os alunos aplaudem como se fossem espectadores de um solene espet\u00e1culo. Estranhei, nunca aconteceu. Compreendo: acabaram de ver um belo ato dessa instigante \u00f3pera chamada VIDA.<\/p>\n<p>Na seq\u00fc\u00eancia, encerro. Resumo alguns pontos do belo document\u00e1rio, orientado pela professora Heidy Vargas. Chama-se As Marias de S\u00e3o Paulo. De novo, voltam a aplaudir. Sinto que levar\u00e3o consigo algo de muito bom, de empenho e  f\u00e9. Neles pr\u00f3prios e no futuro. Tomara&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Sinto-me confort\u00e1vel. A segunda aula compensou a primeira. <\/p>\n<p>Hora de voltar para casa. Entro no carro, volto calmamente pela rua Santa Cruz e, sem mais nem menos, acende a luz que fica em cima do retrovisor, a que ilumina o interior do carro.<br \/>\nU\u00e9&#8230; <\/p>\n<p>Tento que tento deslig\u00e1-la e n\u00e3o consigo. Paro num posto, pego o manual e refa\u00e7o os procedimentos que fiz anteriormente. Por encanto, a luz se apaga&#8230; <\/p>\n<p>Chego cansado, mas feliz. Quero me preparar para as aulas de amanh\u00e3. <\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Toca o telefone. Ou\u00e7o a voz nervosa da minha irm\u00e3 Doroti. <\/p>\n<p>&#8212; \u00c9 o Renato (filho dela, 32 anos) t\u00e1 na delegacia.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei o que dizer, o que pensar&#8230;<\/p>\n<p>Ela continua. Desespero sobre o meu sil\u00eancio.<\/p>\n<p>&#8212; Foi atropelado.<\/p>\n<p>Como assim? <\/p>\n<p>&#8212; O delegado falou que foi \u00e0s 21h40 na Imigrantes.<\/p>\n<p>Entendo que nada pode ser feito&#8230; <\/p>\n<p>De pronto, a lembran\u00e7a. A aula come\u00e7ou \u00e0s 21h15. <\/p>\n<p>A luz que se apagou&#8230;<br \/>\nCarlos Renato, meu sobrinho\/afilhado.  <\/p>\n<p>Escolhi o nome quando nasceu.<br \/>\nPor\u00e9m, n\u00e3o soube proteg\u00ea-lo<br \/>\nnos entreatos dessa \u00f3pera chamada VIDA.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais um ato dessa \u00f3pera chamada VIDA.<br \/>\nUma noite comum de novembro de 2004. <\/p>\n<p>Fui para a aula do Unifai, na Vila Mariana. 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