{"id":10416,"date":"2006-11-12T00:00:00","date_gmt":"2006-11-12T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T20:02:22","modified_gmt":"2017-09-15T20:02:22","slug":"sonhadores","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sonhadores\/","title":{"rendered":"Sonhadores"},"content":{"rendered":"<p>Amiga, Leila, permita-me&#8230;<\/p>\n<p>Vou usar como mote o seu anivers\u00e1rio (11 de novembro, que mais uma vez esqueci, falha imperdo\u00e1vel)) para entrar de alma e corpo &#8211; e a invers\u00e3o aqui \u00e9 justificada &#8211; no t\u00fanel do tempo e parar l\u00e1 nos idos e findos anos 70. Trabalh\u00e1vamos juntos na ent\u00e3o combativa reda\u00e7\u00e3o de Gazeta do Ipiranga. E como trabalh\u00e1vamos! <\/p>\n<p>\u00c9ramos jovens,  quer dizer voc\u00ea e a Regina, bem mais do que eu. E ainda havia: o fot\u00f3grafo Clamic e o \u2018big brother\u2019 Jos\u00e9 Nascimento que, de soslaio e ancorado num perfumado cachimbo, a tudo via e discretamente nos orientava pelo caminho das pedras e das not\u00edcias. <\/p>\n<p>Vez ou outra a sala s\u00f3bria e espa\u00e7osa do velho sobrad\u00e3o da rua Bom Pastor recebia as trepidantes visitas do socialista Z\u00e9 Jofre (\u2018patr\u00e3o bom nasce morto\u2019) e do brincante Ismael Fernandes, colunista de TV e cinema. Outros tamb\u00e9m pererecavam por ali \u2013 o vereador Almir Guimar\u00e3es, o Toporcov, o Natal Saliba, o saudoso Prof. Mendes &#8211;, mas o pessoal a\u00ed de cima era o que tinha voz e vez em cena aberta.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Quer\u00edamos um Brasil livre, soberano e democr\u00e1tico. Modestamente, mas com tanta gana, tantos sonhos. Com dignidade, independ\u00eancia e textos, textos, textos. Como escrev\u00edamos! Esquent\u00e1vamos o radiador das velhas Olivettis. Toc, toc, toc. Totoc, toc&#8230; Laudas e mais laudas. As fotos em preto e branco para ilustrar. O Clamic e a velha Laica caixote nada perdiam. Dos buracos na periferia \u00e0 Pra\u00e7a da S\u00e9, turbinada por um milh\u00e3o de vozes pelas diretas j\u00e1. Sabe quanto tempo faz? L\u00e1 se v\u00e3o 22 anos.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o \u00e9 do passado que quero falar neste espa\u00e7o. At\u00e9 porque quase todo esse pessoal habita o Planeta chamado Saudades, e sempre que posso o reverencio em ora\u00e7\u00f5es, escritos e cita\u00e7\u00f5es em sala de aula. <\/p>\n<p>Hoje, por\u00e9m, sugiro dist\u00e2ncia da nostalgia ou qualquer forma de tristeza, mesmo que suave. Primeiro, porque estou feliz com as not\u00edcias que recebo de voc\u00ea, ainda que virtual, e mais ainda pelas hist\u00f3rias tidas, vividas e a viver que agora voc\u00ea me conta. <\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Quer dizer que a mo\u00e7a agora, al\u00e9m de rep\u00f3rter &#8211; das melhores que conhe\u00e7o &#8211; virou escritora, especializada em artes pl\u00e1sticas. E que os filhos Edu e Juli andam a passos largos e firmes. O Edu \u00e9 designer e m\u00fasico, que bonito! E a Juli formou-se em jornalismo (hum!), trabalha e agora vai fazer mestrado na USP em Comunica\u00e7\u00e3o Social. Imagino a sua alegria e fa\u00e7o dela raz\u00e3o do meu sorriso neste doming\u00e3o ensolarado. <\/p>\n<p>Ai, ai, ai. Que trem melhor de b\u00e3o, s\u00f4 \u2013 diria o cearense Z\u00e9 Jofre, com jeito matuto de quem encerrou seus dias \u00e0s margens do rio Bonito, no Mato Grosso.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Voc\u00ea diz que isso n\u00e3o \u00e9 o essencial. Em mensagens mais recentes, usa a lente dos dias idos para ver o futuro. Trabalhar, sim. Escrever, sempre. Deixar a impress\u00e3o digital sobre o mundo, claro. Mas, no fundo, seria sempre o que diz hoje ser e querer: uma mulher como tantas que s\u00f3 pretendem envelhecer ao lado dos filhos e ver os netos \u2013 ainda por vir \u2013 a brincar felizes num tanquinho de areia.<\/p>\n<p>Eis a Leila, cronista dos dias iguais e belos, que sempre admirei e admiro nos textos e na vida. Sempre a fazer poesia e a enxergar o belo de um jeito belo que deixa o belo mais belo ainda&#8230;<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Deixe estar, amiga. O Clamic era avoado, mas um bom fot\u00f3grafo. Uma vez numa discuss\u00e3o com o sabetudo Nascimento sacou essa: viver \u00e9 igual a beber num balc\u00e3o de m\u00e1rmore da padaria da esquina. Todos estranharam a compara\u00e7\u00e3o. Ele continuou. Se for para refrescar, a breja gelada, que seja a talagadas. Se for para aquecer, tempo de inverno, a cacha\u00e7a, o conhaque ou mesmo o vinho tosco deve ser sorvido aos goles. Esquenta alma, cora\u00e7\u00e3o e ainda voc\u00ea tem chance de ver se o tempo melhora l\u00e1 fora. Ningu\u00e9m entendeu, mas todos concordaram mesmo assim&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9ramos um bando de sonhadores. Ing\u00eanuos, talvez. Quem sabe, tolos? Mas, sonhadores sempre. E sonhos, mo\u00e7a, como diz a can\u00e7\u00e3o&#8230; Sonhos n\u00e3o envelhecem&#8230;<\/p>\n<p>Parab\u00e9ns!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amiga, Leila, permita-me&#8230;<\/p>\n<p>Vou usar como mote o seu anivers\u00e1rio (11 de novembro, que mais uma vez esqueci, falha imperdo\u00e1vel)) para entrar de alma e corpo &#8211; e a invers\u00e3o aqui \u00e9 justificada &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10416","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10416","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10416"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10416\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17448,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10416\/revisions\/17448"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}