{"id":10421,"date":"2006-11-17T00:00:00","date_gmt":"2006-11-17T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T04:23:45","modified_gmt":"2017-09-14T04:23:45","slug":"jornalistas-pelo-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/jornalistas-pelo-brasil\/","title":{"rendered":"Jornalistas pelo Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Encontrei as anota\u00e7\u00f5es do pronunciamento que fiz na \u00faltima cerim\u00f4nia de cola\u00e7\u00e3o de grau que participei, dia 1\u00ba de setembro, se bem me lembro. Foi da turma de jornalismo da Universidade Metodista que se formou em junho deste ano.<\/p>\n<p>Minha fala teve um tom de quase-desabafo. Um acerto de contas comigo mesmo e com os (des)caminhos que tracei vida afora.<\/p>\n<p>Vou tentar reconstitu\u00ed-lo. Vamos ver se consigo&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Boa noite a todos e todas&#8230;<\/p>\n<p>Tenho dois bons motivos para ficar feliz sempre que venho a solenidades de cola\u00e7\u00e3o de grau.<\/p>\n<p>O primeiro tem um car\u00e1ter bem pessoal. N\u00e3o pude estar aqui, neste mesmo sal\u00e3o nobre, h\u00e1 alguns anos, quando meu filho, tamb\u00e9m Rodolfo, se formou jornalista. Naquela noite, por \u00f3bvios motivo, fiquei retido na Reda\u00e7\u00e3o e n\u00e3o consegui chegar a tempo.<\/p>\n<p>Coisas da vida de um rep\u00f3rter que, a partir de agora, voc\u00eas, prezados alunos, tamb\u00e9m poder\u00e3o enfrentar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a cada nova cola\u00e7\u00e3o de grau, imagino ser uma forma de saldar parte daquela aus\u00eancia, inexplic\u00e1vel aos olhos de qualquer mortal, que n\u00e3o seja jornalista. Felizmente, o filho entendeu a situa\u00e7\u00e3o \u2013 afinal, tamb\u00e9m \u00e9 jornalista.<\/p>\n<p>O segundo motivo tamb\u00e9m tem um car\u00e1ter pessoal. Mas, \u00e9 assim um agradecimento que fa\u00e7o a cada um de voc\u00eas e, por extens\u00e3o, a cada um dos meus alunos que tanto t\u00eam me ensinado nesses oito anos de vida acad\u00eamica.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Falar para voc\u00eas \u00e9 uma honra. Incentiv\u00e1-los, neste momento de transi\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma forma de retribuir a vida que em mim renasceu assim que cheguei ao campus Rudge Ramos, em mar\u00e7o de 1998.<\/p>\n<p>Explico.<\/p>\n<p>H\u00e1 um momento \u2013 ou v\u00e1rios \u2013 em nossa vida profissional em que nos sentimos desacor\u00e7oados, algo debilitados, quase-quase a entregar os pontos, os ideais e os textos.<\/p>\n<p>A lida na reda\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simples, e h\u00e1 dias que se tornam a mais escura das noites. Nada parece fluir, fazer sentido. De alguma forma, temos a alma trincada por n\u00e3o ver os resultados que tanto almejamos com o suor di\u00e1rio.<\/p>\n<p>H\u00e1 um sentimento de cansa\u00e7o por lutar as mesmas lutas. Sonhar os mesmos sonhos. Escrever o mesmo texto zilh\u00f5es de vezes. A impress\u00e3o \u00e9 a de que martelamos a ferro frio a utopia da constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Agrava ainda mais a situa\u00e7\u00e3o um cacoete t\u00edpico dos jornalistas. Imaginamos que o mundo \u00e9 feito de jornalistas. S\u00f3 temos amigos jornalistas, parentes jornalistas, conhecidos jornalistas. Namoramos jornalista. H\u00e1 at\u00e9 quem case com jornalista &#8211; v\u00e1rias vezes e simultaneamente. Alguns chegam at\u00e9 a acreditar que o pr\u00f3prio dono do jornal \u00e9 jornalista&#8230;<\/p>\n<p>S\u00f3 um reparo. Em \u00e9poca de elei\u00e7\u00f5es, inventamos outras duas esp\u00e9cies: a do cientista pol\u00edtico para comentar o \u00f3bvio e os diretores dos institutos de pesquisas.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Nessa toada, \u00e9 comum que, em determinado momento, queiramos abandonar o barco: criar galinhas, vender coco na praia, abrir um restaurante ou mais recentemente montar uma pousada numa praia perdida do Nordeste brasileiro. Duvido que exista algu\u00e9m que tenha habitado, por um per\u00edodo razo\u00e1vel, uma reda\u00e7\u00e3o e n\u00e3o ouviu nenhum resmungo desses.<\/p>\n<p>Vale qualquer coisa, menos permanecer nessa tal roda-viva&#8230;<\/p>\n<p>Confesso a voc\u00eas que, no meu caso, a crise n\u00e3o era das mais agudas. Mas, inspirava cuidados. E assim, meio que pelas tabelas, aportei na Metodista para dar umas aulinhas de linguagem jornal\u00edstica.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>A conviv\u00eancia com os estudantes, pouco a pouco, resgatou uma s\u00e9rie de possibilidades que em mim soavam imposs\u00edveis. Perspectivas que me eram perdidas nos escaninhos do &#8216;deixa-pra-l\u00e1&#8217;. Entre as quais, a de que h\u00e1 vida se renova a cada manh\u00e3, inclusive nas reda\u00e7\u00f5es. Ou melhor, apesar das reda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Descobri um certa revolu\u00e7\u00e3o silenciosa em andamento. E o melhor: feita candidamente por um punhado de meninos e meninas barulhentos.<\/p>\n<p>De alguma forma, comprei a briga. Me vi assim como a passar o bast\u00e3o para essa rapaziada. De quebra, comecei a reconhecer, aqui e ali, ideais que um dia foram meus e os abandonei \u00e0 beira caminho. Agora reapareceram n\u00edtidos, luminosos nas m\u00e3os e em projetos desses jovens que n\u00e3o se entregam aos modismos, \u00e0 letargia e \u00e0 figura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Agora, prezados, vou falar diretamente para voc\u00eas. Reparem. Se foram capazes de recuperar o entusiasmo e a f\u00e9 na profiss\u00e3o deste senhor de idade provecta que lhes fala, imaginem o que podem fazer pelo jornalismo, o jornalismo pelo Brasil e o Brasil pelo Planeta. Vamos \u00e0 luta, pois&#8230;<\/p>\n<p>Todos precisamos de voc\u00eas&#8230;<\/p>\n<p>_______________________________________________<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontrei as anota\u00e7\u00f5es do pronunciamento que fiz na \u00faltima cerim\u00f4nia de cola\u00e7\u00e3o de grau que participei, dia 1\u00ba de setembro, se bem me lembro. 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