{"id":10444,"date":"2006-12-03T00:00:00","date_gmt":"2006-12-03T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T04:20:19","modified_gmt":"2017-09-14T04:20:19","slug":"neve-e-carvao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/neve-e-carvao\/","title":{"rendered":"Neve e carv\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A can\u00e7\u00e3o Blanco y Negro, de Jorge Drexler,<br \/>\ninspirou-me o texto de Natal que escrevi em 2003.<\/p>\n<p>Uma particularidade.<br \/>\nNas reda\u00e7\u00f5es por onde andei,<br \/>\nespecialmente em Gazeta do Ipiranga,<br \/>\nme &#8216;intimavam&#8217; a fazer os textos desta \u00e9poca do ano&#8230;<\/p>\n<p>Imagino que menos pela minha parca habilidade,<br \/>\ne mais pelo adiantado da hora em que se<br \/>\ndescobria que ningu\u00e9m havia pensado<br \/>\nna cr\u00f4nica de Natal.<\/p>\n<p>&#8212; Cad\u00ea o Rudi? &#8211; gritava AC, o editor.<br \/>\nE l\u00e1 ia eu enfrentar a velha Olivetti engendrando<br \/>\num jeito novo &#8211; ou no m\u00ednimo diferente &#8211;<br \/>\nde desejar feliz Natal e pr\u00f3spero Ano Novo ao leitores.<\/p>\n<p>Teve um ano em que eu e o amigo Cl\u00f3vis Naconecy<br \/>\ntrocamos o texto corrido pelo desenho de \u00e1rvore de Natal<br \/>\nestilizada. Tinha como enfeite os s\u00edmbolos<br \/>\ndo jornal. A id\u00e9ia foi do Cl\u00f3vis e, me parece,<br \/>\nque a confec\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m&#8230;<\/p>\n<p>Todos aplaudiram a &#8220;nossa&#8221; criatividade&#8230;<\/p>\n<p>Em 2003, h\u00e1 quatro dias do Natal fui<br \/>\nobrigado pelo sr. Destino a cumprir<br \/>\numa jornada dupla que me fez entender<br \/>\na vida em branco e preto.<\/p>\n<p>Sa\u00ed do funeral de um amigo querido<br \/>\ndireto para o casamento<br \/>\nda filha de outro amigo ausente. Era um dos<br \/>\npadrinhos da cerim\u00f4nia religiosa &#8211; e n\u00e3o<br \/>\npoderia me furtar de estar presente&#8230;<\/p>\n<p>Uma mescla de luz e sombras.<br \/>\nAssim a vida se manifestou, exatamente<br \/>\ncomo diz o poema de Drexler que<br \/>\nouvi nas vozes do autor argentino e<br \/>\ndo brasileiro Paulinho Moska&#8230;<\/p>\n<p>Foi o mote para o texto que transcrevo a seguir.<br \/>\nAfinal, o tal esp\u00edrito de Natal j\u00e1 bate \u00e0 nossa porta.<\/p>\n<p>I.<\/p>\n<p>Minha primeira inten\u00e7\u00e3o<br \/>\nera escrever sobre o Natal<br \/>\ne enaltecer todas as formas de amores&#8230;<br \/>\nMas, as luzes que agora enfeitam a cidade<br \/>\nme fizeram pensar no significado das cores&#8230;<\/p>\n<p>Assim, o texto se transformou \u00e1gil em<br \/>\num beija-flor multicor, que p\u00e1ra no ar<br \/>\na desafiar o vento&#8230;<\/p>\n<p>Seria assim uma cr\u00f4nica arco-iris<br \/>\na desafiar o tempo&#8230;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, imaginei um Natal<br \/>\nde todos os tons,<br \/>\nde todas as gentes,<br \/>\nde todos os sorrisos&#8230;<\/p>\n<p>Escreveria sobre um Natal de todos n\u00f3s&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Mas, voc\u00eas sabem,<br \/>\ncomo anda a vida e<br \/>\ncomo as coisas s\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Embora estivesse disposto,<br \/>\npois n\u00e3o me faltou a inten\u00e7\u00e3o,<br \/>\nmas, sim, o pressuposto&#8230;<\/p>\n<p>Em branco e preto,<br \/>\nse fez a can\u00e7\u00e3o&#8230;<br \/>\nEm branco e preto,<br \/>\nneve e carv\u00e3o&#8230;<br \/>\nEm branco e preto,<br \/>\nalegrias e tristezas&#8230;<br \/>\nEm branco e preto,<br \/>\nerros e acertos&#8230;<\/p>\n<p>Vivemos em tecnicolor,<br \/>\npor\u00e9m, a vida se d\u00e1<br \/>\nem luz e sombras&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Tenho diante de mim<br \/>\na paleta do que foi o ano<br \/>\ne logo o imaginei o azul turqueza<br \/>\ndos dias felizes&#8230;Mas gritaram<br \/>\nsaudades e aus\u00eancias<br \/>\ne o ano se fez sutil e violeta&#8230;<\/p>\n<p>Lembrei, ent\u00e3o, dos sentimentos<br \/>\ndifusos a rasgar corpo e alma&#8230;<br \/>\nEram o carmim das flores<br \/>\nnum vaso sobre o piano de madeira escura&#8230;<br \/>\nEram o laranja de um por de sol<br \/>\nrasgando esmaecidas nuvens e<br \/>\nainda nem chegara o ver\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Todos os tipos de verde<br \/>\nda serra me vieram a mente&#8230;<br \/>\nquando abracei os amigos,<br \/>\nlustrei o sonhos, campeei estrelas<br \/>\npra seguir em frente&#8230;<\/p>\n<p>E na minha aquarela virtual,<br \/>\ns\u00f3 me faltava usar o amarelo&#8230;<br \/>\ncontemplei ent\u00e3o o Menino Deus<br \/>\ne nas b\u00ean\u00e7\u00e3os da f\u00e9 tudo se fez mais belo&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Ia assim tocando as letras<br \/>\ne nem me dei conta&#8230;<br \/>\nMinha inten\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o era<br \/>\nmais que uma s\u00e9pia lembran\u00e7a&#8230;<br \/>\ne o texto de Natal saiu assim<br \/>\numa rosa e suave esperan\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Mesmo assim, \u00e9 preciso<br \/>\nentender a vida &#8230;<br \/>\nem branco e preto,<br \/>\ncomo um retrato antigo&#8230;<br \/>\nEm branco e preto,<br \/>\ncomo um beijo roubado&#8230;<br \/>\nEm branco e preto,<br \/>\no sim e o n\u00e3o&#8230;<br \/>\nEm branco e preto<br \/>\no ontem e o amanh\u00e3&#8230;<\/p>\n<p>Vivemos em tecnicolor,<br \/>\npor\u00e9m, em branco e preto&#8230;<\/p>\n<p>Neve e carv\u00e3o&#8230;<br \/>\nSil\u00eancio e som&#8230;<br \/>\nA lua e o c\u00e9u&#8230;<br \/>\nVoc\u00ea e eu&#8230;<br \/>\nem branco e preto&#8230;<br \/>\nA paz e os homens&#8230;<br \/>\nSempre&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A can\u00e7\u00e3o Blanco y Negro, de Jorge Drexler,<br \/>\ninspirou-me o texto de Natal que escrevi em 2003.<\/p>\n<p>Uma particularidade.<br \/>\nNas reda\u00e7\u00f5es por onde andei,<br \/>\nespecialmente em Gazeta do 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