{"id":10446,"date":"2006-12-04T00:00:00","date_gmt":"2006-12-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:59:58","modified_gmt":"2017-09-15T19:59:58","slug":"por-motivos-obvios","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/por-motivos-obvios\/","title":{"rendered":"Por motivos \u00f3bvios&#8230; (*)"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Assim h\u00e1 que ser ter estilo&quot; (Padre Vieira)<\/p>\n<p>01. Nos tenros anos da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, os alunos dos col\u00e9gios Maristas tinham motivos de sobra para saudar a chegada de junho. Se as provas bimestrais assustavam, a proximidade das f\u00e9rias de julho garantia a saborosa sensa\u00e7\u00e3o de estar livre para jogar futebol, empinar &quot;papagaio&quot;, rodar pi\u00e3o; enfim ser feliz. Para melhorar o esp\u00edrito da garotada &#8212; eu inclusive &#8211;, o 6 de junho era feriado &#8212; e que feriado. Consagrado \u00e0 mem\u00f3ria e rever\u00eancia do fundador da congrega\u00e7\u00e3o, o ent\u00e3o beato (agora santo) Marcelino Champagnat, vivia-se um dia de festa, com o futebol rolando solto nos dois campinhos de terra batida que existiam no Col\u00e9gio Nossa Senhora, aqui pertinho no Cambuci. Lembro que era a \u00fanica manh\u00e3 em que acordava antes do pai me chamar e ficava ansioso pela chegada do bonde que me levaria da rua Bom Pastor \u00e0 rua Lavap\u00e9s. Ainda agora tento descrever, mas n\u00e3o consigo, a del\u00edcia de entrar em campo com o uniforme de camisas listradas em azul e branco do Gl\u00f3ria. Quanto encantamento&#8230;<\/p>\n<p>02. Nos inquietos anos da juventude, tinha outra &#8212; mas tamb\u00e9m clar\u00edssima &#8212; no\u00e7\u00e3o de liberdade. Nada me impedia de fazer o que bem quisesse, embora quase sempre deixasse tudo por fazer. O que convenhamos \u00e9 a verdadeira legitima\u00e7\u00e3o do conceito &quot;ser livre&quot;. Uma certa manh\u00e3, recomendado por algu\u00e9m importante, l\u00e1 fui eu para o meu primeiro dia de trabalho como datil\u00f3grafo num escrit\u00f3rio de contabilidade ou algo do g\u00eanero. N\u00e3o cheguei a sequer esquentar a cadeira. Uma hora depois deixei a sala abafada pela fuma\u00e7a de cigarro para nunca mais voltar. Hoje talvez pudesse alegar que o ru\u00eddo dos teclados incandescentes me estressou, mas a palavra n\u00e3o existia naquele tempo. Sai sem dar bom dia, ali\u00e1s como cheguei. E ningu\u00e9m reparou ou sequer lamentou (afora meus pais, claro)&#8230;<\/p>\n<p>03. H\u00e1 quem diga que o conceito de liberdade para a minha gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o fosse al\u00e9m de uma cal\u00e7a velha, azul e desbotada. Ou que \u00e9ramos libert\u00e1rios demais, respons\u00e1veis de menos. Sei, n\u00e3o. Quando embiquei para os quarenta, coincid\u00eancia ou n\u00e3o, comecei a me incomodar com algumas &quot;armadilhas&quot; em que o destino havia me enredado. Os terapeutas do comportamento acham natural que, a essa altura da vida, o cidad\u00e3o fa\u00e7a uma esp\u00e9cie de avalia\u00e7\u00e3o do que fez ou deixou de fazer. Alguns amigos, mais debochados, refor\u00e7avam a goza\u00e7\u00e3o. Diziam que de t\u00e3o distra\u00eddo nem me dei conta que esses desv\u00e3os sempre existiram. E mais grave: sempre existir\u00e3o. A vida \u00e9 assim, cara.<\/p>\n<p>04. Muitas vezes, tomei esses coment\u00e1rios como uma forma de press\u00e3o, de enquadramento \u00e0s regras do jogo social. Mas, confesso: pode ser dif\u00edcil ser o que se \u00e9, mas ainda \u00e9 a melhor coisa que uma pessoa pode fazer por ela mesmo. E bom chegar ao cinq\u00fcenta e quequ\u00e9recos. N\u00e3o h\u00e1 o que lamentar. Distra\u00e7\u00f5es, contradi\u00e7\u00f5es e sonhos s\u00e3o formas de liberdade. Diria o mago: fazem parte do caminho. Diria o meu saudoso av\u00f4, o maior de todos os pecados \u00e9 o arrependimento. <\/p>\n<p>(*)POR MOTIVOS \u00d3BVIOS&#8230;<br \/>\n&#8230;TRANSCREVO HOJE um texto que publiquei em junho de 2003, em Gazeta do Ipiranga, com o t\u00edtulo: &quot;Porque entendo junho como sin\u00f4nimo de liberdade&quot;. Ah! o motivo? \u00c9 meu anivers\u00e1rio!!! Mere\u00e7o uma folguinha, n\u00e3o?)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Assim h\u00e1 que ser ter estilo&quot; (Padre Vieira)<\/p>\n<p>01. 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