{"id":10452,"date":"2006-12-09T00:00:00","date_gmt":"2006-12-09T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:59:57","modified_gmt":"2017-09-15T19:59:57","slug":"o-futuro-do-jornalismo-4","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-futuro-do-jornalismo-4\/","title":{"rendered":"O futuro do jornalismo 4"},"content":{"rendered":"<p>Bem, senhores, como preconizou Belchior,<br \/>\nainda nos lend\u00e1rios anos 70, \u00e9 inevit\u00e1vel.<br \/>\nMas&#8230;<br \/>\n&#8230; \u201co novo sempre vem\u201d.<\/p>\n<p>E ainda bem que assim seja&#8230;<\/p>\n<p>Vale para a banda dos descontentes \u2013 corinthianos,<br \/>\npalmeirenses, tucanos, pefelistas, cientistas pol\u00edticos<br \/>\n(que erraram todas as avalia\u00e7\u00f5es),<br \/>\navulsos, abandonados, contrariados e afins&#8230; <\/p>\n<p>Que Deus esconda a temporada de 2006!<\/p>\n<p>Vale para quase todo o Planeta \u2013 que espera uma nova ordem&#8230;<br \/>\nVale para o jornalismo, tamb\u00e9m&#8230;<\/p>\n<p>Vamos aos fatos.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>N\u00fameros, n\u00fameros, n\u00fameros&#8230;<br \/>\nMelhor dizendo, cifras.<br \/>\nJornalismo virou neg\u00f3cio. Um bom neg\u00f3cio.<br \/>\nPortanto, \u00e9 aqui que a roda pega&#8230;<\/p>\n<p>Todos os anos a ind\u00fastria da Comunica\u00e7\u00e3o movimenta<br \/>\naproximadamente 500 milh\u00f5es de d\u00f3lares em todo o Planeta.<br \/>\nFala-se, por\u00e9m, que h\u00e1 um mercado potencial para 3,5 trilh\u00f5es \u2013<br \/>\no que pressup\u00f5e: h\u00e1 muita coisa para ser feita,<br \/>\num longo caminho de conquistas e, principalmente,  aprendizado&#8230;<\/p>\n<p>Os n\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o novos.  S\u00e3o do fim da d\u00e9cada passada.<br \/>\nForam divulgados em semin\u00e1rio da C\u00e1tedra da Unesco,<br \/>\nrealizado na Universidade Metodista do Estado de S\u00e3o Paulo,<br \/>\nh\u00e1 alguns bons anos \u2013 cinco ou seis, talvez.<\/p>\n<p>Ou seja, merece uma atualiza\u00e7\u00e3o. Para cima, claro.<\/p>\n<p>Basta ver o tanto de produtos, ve\u00edculos e<br \/>\npossibilidades que surgiu para jornalistas e afins.<br \/>\nTanto em termos de eletr\u00f4nico como o de impresso&#8230;<\/p>\n<p>V\u00e1 at\u00e9 uma banca e veja o tanto de t\u00edtulos<br \/>\nde revistas segmentadas, sem contar as que<br \/>\natendem a \u00e1rea empresarial&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o me parece se dar em duas frentes:<\/p>\n<p>a) a sobreviv\u00eancia dos jornais di\u00e1rios;<br \/>\nb) o novo papel do jornalista na sociedade.<\/p>\n<p>No primeiro aspecto, convido o nobre leitor a folhear<br \/>\nos jornais de amanh\u00e3 \u2013 Folha de S. Paulo e<br \/>\nO Estado de S.Paulo. Veja o tanto de an\u00fancios em<br \/>\nsuas p\u00e1ginas. A beleza do caderno imobili\u00e1rio<br \/>\ne o taludo suplemento de classificados. <\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 aqui qualquer ind\u00edcio de crise, pois sim?<\/p>\n<p>Qual o problema, ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 elementar, meu caro.<br \/>\nE, como diria o ex-jogador S\u00f3crates, \u00e9 estrutural.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>As empresas jornal\u00edsticas deixaram o jornalismo<br \/>\nem segundo plano para atender as exig\u00eancias do mercado.<br \/>\nTransformaram o jornal em produto de marketing \u2013<br \/>\nn\u00e3o mais em produto jornal\u00edstico. <\/p>\n<p>Ou pior. Fizeram do jornal um ponta de lan\u00e7a<br \/>\nde interesses particulares, nem sempre<br \/>\ncompat\u00edveis com a tal verdade dos fatos&#8230;<\/p>\n<p>D\u00e1-lhe, ent\u00e3o, um produto sem criatividade,<br \/>\nref\u00e9m das  reda\u00e7\u00f5es enxutas, da hierarquiza\u00e7\u00e3o do poder,<br \/>\nda pauta plantada pela assessoria, da ditadura dos<br \/>\nmanuais, do rep\u00f3rter de gabinete \u2013 n\u00e3o por culpa dele,<br \/>\ndiga-se, mas sim porque precisa fazer cinco, seis<br \/>\nmat\u00e9rias por telefone, emails, ag\u00eancias. &#8211;, dos ditames<br \/>\ndo comercial sobre o editorial&#8230;<\/p>\n<p>Resultado: jornais todos, todos, muito parecidos.<br \/>\nCom enfoques iguais, textos ma\u00e7antes a consagrar<br \/>\na not\u00edcia de ontem \u2013 amplamente divulgada por outros meios.<br \/>\nMas, repleto de an\u00fancios&#8230; Em todos os cantos,<br \/>\ncadernos, editorias, revistas dominicais etc.<\/p>\n<p>Transformaram-se em algo mais pr\u00f3ximo<br \/>\nao cat\u00e1logo de an\u00fancios&#8230;<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Qual seria o novo caminho?<br \/>\nN\u00e3o tenho, \u00f3bvio, uma resposta fechada.<\/p>\n<p>Mas, ouso insinuar alguns passos. <\/p>\n<p>01. N\u00e3o ir com muita sede ao pote. An\u00fancio \u00e9 an\u00fancio.<br \/>\nImportante. Precioso. Mas, a Reda\u00e7\u00e3o \u00e9 prioridade&#8230;<\/p>\n<p>02. Em vista disto, valorizar o trabalho jornal\u00edstico.<br \/>\nDeixar que a opini\u00e3o da empresa se manifeste \u00fanica e<br \/>\nexclusivamente nos editoriais \u2013 e olhe l\u00e1&#8230; <\/p>\n<p>03. Apostar na criatividade&#8230;<br \/>\nA lida do jornalista est\u00e1 mais para o autoral.<br \/>\nN\u00e3o somos um mero t\u00e9cnico em informar as pessoas.<\/p>\n<p>Ou como insinua a velha piada que corre solta<br \/>\nentre os publicit\u00e1rios qualquer empresa jornal\u00edstica: <\/p>\n<p>&#8212; Os jornalistas escrevem nos espa\u00e7os onde<br \/>\nn\u00e3o conseguimos \u2018vender\u2019 nenhum an\u00fancio&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 piada, mas n\u00e3o est\u00e1 muito longe da verdade, n\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Sei que os homens do Comercial e os tecnocratas<br \/>\nda informa\u00e7\u00e3o v\u00e3o me achar um boboca, vision\u00e1rio&#8230;<br \/>\nMas, \u00e9 o que penso&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bem, senhores, como preconizou Belchior,<br \/>\nainda nos lend\u00e1rios anos 70, \u00e9 inevit\u00e1vel.<br \/>\nMas&#8230;<br \/>\n&#8230; \u201co novo sempre vem\u201d.<\/p>\n<p>E ainda bem que assim seja&#8230;<\/p>\n<p>Vale para a banda dos descontentes \u2013 corinthianos,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10452","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10452","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10452"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10452\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17419,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10452\/revisions\/17419"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}