{"id":10464,"date":"2006-12-19T00:00:00","date_gmt":"2006-12-19T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:59:56","modified_gmt":"2017-09-15T19:59:56","slug":"conto-com-voce","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/conto-com-voce\/","title":{"rendered":"Conto com voc\u00ea&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>\u201cCl\u00e1udio Abramo, not\u00e1vel jornalista e ser humano, pediu, em um dos \u00faltimos textos por ele assinados neste espa\u00e7o (coluna da p\u00e1gina 2 da Folha de S.Paulo), antes de morrer em 1987, que os jornalistas n\u00e3o perd\u00eassemos a capacidade de indigna\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nCaro mestre, juro que tentei seguir sua li\u00e7\u00e3o. Mas, confesso que est\u00e1 ficando mais e mais dif\u00edcil. N\u00e3o que falte, neste pa\u00eds, mat\u00e9ria-prima para a indigna\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, sobra.\u201d<\/p>\n<p>O texto \u00e9 do jornalista Cl\u00f3vis Rossi e foi escrito em 2002 \u2013 e n\u00e3o recentemente como poder\u00edamos entender, vide notici\u00e1rios. Motivos para tanto n\u00e3o faltam a qualquer jornalista que se preze e preze a profiss\u00e3o. <\/p>\n<p>Achei mais do que oportuno recuper\u00e1-lo. Tamb\u00e9m porque fala um pouco por mim. Modestamente&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>H\u00e1 32 anos, estou nessa de rolar pedra em jornalismo \u2013 30 dos quais, em ve\u00edculos e publica\u00e7\u00f5es e dois como coordenador de curso de jornalismo.<\/p>\n<p>N\u00e3o me queixo. N\u00e3o escolhi essa vida \u2013 queria ser guitarrista ou jogador de futebol, no mais antigo dos anos.  Confesso, por\u00e9m, fui (e sou) feliz em tudo o que fiz e fa\u00e7o, apesar dos erros (muitos) e dos acertos (alguns).<\/p>\n<p>Mas, tem dias, internauta amigo, que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. <\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>N\u00f3s, jornalistas, ficamos com a sensa\u00e7\u00e3o de S\u00edsifo, aquele her\u00f3i da mitologia greco-romana incumbido de eternamente rolar uma grande pedra morro acima&#8230;<\/p>\n<p>Em texto recente, tamb\u00e9m rolei minha pedra, e fiz meu desabafo:<\/p>\n<p>\u201c H\u00e1 um momento \u2013 ou v\u00e1rios \u2013 em nossa vida profissional em que nos sentimos descor\u00e7oados, algo debilitados, quase-quase a entregar os pontos, os ideais e os textos. A lida na reda\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simples, e h\u00e1 dias que se tornam a mais escura das noites. Nada parece fluir, fazer sentido. De alguma forma, temos a alma trincada por n\u00e3o ver os resultados que tanto almejamos com o suor di\u00e1rio. H\u00e1 um sentimento de cansa\u00e7o por lutar as mesmas lutas. Sonhar os mesmos sonhos. Escrever o mesmo texto zilh\u00f5es de vezes. A impress\u00e3o \u00e9 a de que martelamos a ferro frio a utopia da constru\u00e7\u00e3o de um mundo melhor.\u201d<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Na verdade, trata-se de um trecho do pronunciamento que fiz numa das cola\u00e7\u00f5es de grau de estudantes de jornalismo, ainda neste ano. Lembro que depois de mim outro orador foi a tribuna &#8211; e como v\u00e3o oradores \u00e0 tribuna nessas cerim\u00f4nias! N\u00e3o deixou por menos. E disse:<\/p>\n<p>&#8212; Ao contr\u00e1rio do Rodolfo, sempre trabalhei no que me fez feliz&#8230;<\/p>\n<p>Fina ironia. Quase interrompi a fala do felizardo. Iria lhe lembrar EDUCADAMENTE que n\u00e3o me sentia infeliz pro trabalhar com jornalismo. \u00c9 que falei de Reda\u00e7\u00e3o, onde o couro come do\u00eddo e a vida tem vida. E nem sempre podemos sair por a\u00ed a noticiar s\u00f3 o que gostar\u00edamos. Com manchetes do tipo:<\/p>\n<p>\u201cO MUNDO \u00c9 LINDO\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00c3O H\u00c1 MAIS CRIAN\u00c7A COM FOME NA TERRA\u201d<\/p>\n<p>\u201cENFIM, A PAZ\u201d<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, estamos bem longe disso. E n\u00e3o por nossa vontade.<\/p>\n<p>&quot;Enfim&#8230; &quot; &#8211; como diz Dona Encrenca, uma personagem que voc\u00ea logo vai conhecer. Prometo!<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o vamos fugir do assunto.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>O leitor mais atento j\u00e1 percebeu onde quero chegar. Isso mesmo. Tamb\u00e9m estou na bronca com o vergonhoso aumento com que os pr\u00f3prios parlamentares pretendem (iam) se auto presentear. 91 por cento. \u201c\u00c9 um absurdo maior de grande\u201d, como diria o amigo Dinoel que hoje n\u00e3o deu \u00e0s caras por aqui (toc, toc, toc).  <\/p>\n<p>Olhe o que escrevi em outubro de 1996:<\/p>\n<p>\u201cAcrescente-se o costumeiro oportunismo de nossos pol\u00edticos, sempre prontos em legislar em causa pr\u00f3pria. Agora mesmo, na vota\u00e7\u00e3o da reforma administrativa, conseguiram fazer mudan\u00e7a constitucional bem insidiosa. O novo item permite que os pr\u00f3prios parlamentares aumentem seus sal\u00e1rios quando quiserem independentes dos reajustes nos outros Poderes.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o vou me descabelar at\u00e9 porque os cabelos andam ralos. Vou pedir  que visite o \u00edcone Toques e Retoques, na barra \u00e0 direita. Acesse o link \u201creajuste 91%\u201d e deixe l\u00e1 sua bronca \u2013 \u00e9 um manifesto p\u00fablico contra mais esse abuso que fere a alma, o bolso e a dignidade das gentes brasileiras.<\/p>\n<p>Vamos l\u00e1, conto com voc\u00ea.<\/p>\n<p>\u00c9 isso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cCl\u00e1udio Abramo, not\u00e1vel jornalista e ser humano, pediu, em um dos \u00faltimos textos por ele assinados neste espa\u00e7o (coluna da p\u00e1gina 2 da Folha de S.Paulo), antes de morrer em 1987,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10464","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10464","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10464"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10464\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17409,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10464\/revisions\/17409"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10464"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10464"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10464"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}