{"id":10481,"date":"2007-01-25T00:00:00","date_gmt":"2007-01-25T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:59:55","modified_gmt":"2017-09-15T19:59:55","slug":"tudo-o-que-nao-sei-contar-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/tudo-o-que-nao-sei-contar-2\/","title":{"rendered":"Tudo o que n\u00e3o sei contar"},"content":{"rendered":"<p>Dizem que h\u00e1 uma diferen\u00e7a &#8211; para muitos,<br \/>\nimpercept\u00edvel &#8211; entre nostalgia e melancolia. <\/p>\n<p>Dizem&#8230; <\/p>\n<p>Penso que o dito faz sentido.<br \/>\nE repasso a voc\u00eas<br \/>\ncomo a coisa funciona sem consultar<br \/>\nfontes especializadas.<\/p>\n<p>Vamos ver se entendi&#8230;<\/p>\n<p>Nostalgia \u00e9 a doce lembran\u00e7a de um tempo<br \/>\nque se viveu \u2013 e nos \u00e9 caro ainda hoje.<br \/>\nDo que se fez, do riso que riu,<br \/>\ndo amor que se amou.  Por tudo e por nada,<br \/>\nnaturalmente se esgotou<br \/>\nno girar das horas e do planeta&#8230; <\/p>\n<p>Melancolia \u00e9 diferente.<br \/>\n\u00c9 a recorda\u00e7\u00e3o que traz em si o travo amargo<br \/>\ndo que poderia ser e n\u00e3o foi. Do que se fez vazio.<br \/>\nE tome um tantinho de m\u00e1goa, outro quase<br \/>\narrepender-se. D\u00f3i lembrar, custa-se acreditar&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Por que n\u00e3o me chamaram para<br \/>\nser ministro de Coisa Nenhuma, meu Deus? <\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Antes que me d\u00eaem por um melanc\u00f3lico<br \/>\ne nost\u00e1lgico tant\u00e3. Vou justificar os par\u00e1grafos<br \/>\nacima, com fatos que marcam este 25 de janeiro. <\/p>\n<p>Nostalgia pura, de fina  cepa \u00e9 lembrar<br \/>\no maestro soberano Tom Jobim que, se vivo<br \/>\nainda fosse, completaria hoje 80 anos de vida.<br \/>\nS\u00f3 a lembran\u00e7a das can\u00e7\u00f5es de Tom \u2013 ao lado<br \/>\nde Jo\u00e3o Gilberto, um divisor de \u00e1guas<br \/>\nna hist\u00f3ria da MPB \u2013 nos envolve com um<br \/>\nsentimento bom de algu\u00e9m que faz muita falta,<br \/>\nmas est\u00e1 sempre presente. A trilha da novela P\u00e1ginas<br \/>\nda Vida que o diga. Ou que o cante, com Wave.<br \/>\nModestamente, para este desconjuntado cronista,<br \/>\na melhor de Tom. E o resto \u00e9 mar,<br \/>\n\u00e9 tudo que n\u00e3o sei contar&#8230; <\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Embora cinquent\u00e3o, inveterado cultor dos anos 70,<br \/>\nvejo com o toldo abafado da melancolia<br \/>\nesse revival da banda Mutantes (mais Z\u00e9lia Ducan).<br \/>\nEles se apresentam hoje no Museu do Ipiranga,<br \/>\nem show de anivers\u00e1rio da Cidade e anunciam<br \/>\n&#8212; com repert\u00f3rio repleto dos hits travessos daqueles<br \/>\nfindos tempos &#8212; uma turn\u00ea que vai percorrer o Pa\u00eds.<br \/>\nPode ser rabugice minha, como entendeu ontem<br \/>\num aluno ao perguntar sobre o que veterano aqui<br \/>\nachava desse retorno. <\/p>\n<p>&#8212; Poxa, voc\u00ea viu eles tocarem. Eu, n\u00e3o, n\u00e9&#8230; <\/p>\n<p>Dei de barato, e n\u00e3o respondi. Ele n\u00e3o entenderia. <\/p>\n<p>N\u00e3o viu, e n\u00e3o ver\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Os leg\u00edtimos Mutantes existiram &#8211; e faziam sentido &#8211;<br \/>\nnaqueles anos de repress\u00e3o, ang\u00fastia e alguma crise<br \/>\nexistencial. Eram um grito de alegria, de liberdade e<br \/>\na promessa de que ser jovem fazia sentido. Ademais,<br \/>\ntraziam a magia\/encanto de uma loirinha sapeca,<br \/>\nque atendia pelo nome de Rita. Rita Lee Jones. <\/p>\n<p>IV. <\/p>\n<p>Nostalgia \u00e9 ter na parede da mem\u00f3ria<br \/>\numa foto da pacata S\u00e3o Paulo antiga, quando<br \/>\no velho Aldo levava a fam\u00edlia &#8211; no s\u00e1bado<br \/>\nque era po$$\u00edvel &#8211; comer pizza no restaurante<br \/>\nPapai em plena Pra\u00e7a da S\u00e9&#8230; <\/p>\n<p>Melancolia ao ver o que foi feito<br \/>\ndaquela doce cidade, o perigo em cada<br \/>\nesquina, os congestionamentos, a polui\u00e7\u00e3o<br \/>\nsonora, do ar, dos rios&#8230; A picha\u00e7\u00e3o, os monumentos<br \/>\nabandonados, o avesso do avesson do avesso&#8230;<br \/>\nO que poderia ser e n\u00e3o \u00e9&#8230; Nem ser\u00e1&#8230; <\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Nostalgia \u00e9 contemplar a fotografia<br \/>\ndo velho Aldo na estante do quarto,<br \/>\nda dona Yolanda, minha m\u00e3e. O preto e branco<br \/>\nsalta da moldura para colorir diariamente<br \/>\nmeus dias e d\u00favidas e conquistas. Tamb\u00e9m<br \/>\nconsola-me, com olhar de ben\u00e7\u00e3os,<br \/>\nas tristezas inevit\u00e1veis&#8230;<\/p>\n<p>Melancolia \u00e9 lembrar o dia &#8211; l\u00e1 no mais<br \/>\nantigo dos anos &#8211; em que piquei aquela foto<br \/>\nem mil peda\u00e7os e, implac\u00e1vel, joguei-os, todos,<br \/>\nno cesto de lixo&#8230; Duro foi, no outro dia<br \/>\nencontrar sobre a mesa de trabalho um pedacinho<br \/>\ndaquele papel. Num gesto de rebeldia, o sacana<br \/>\nescapou do cruel destino. Estampava<br \/>\num par de olhos inesquec\u00edveis,<br \/>\ncom a mesma promessa dos tempos<br \/>\nem que acreditei ser feliz&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem que h\u00e1 uma diferen\u00e7a &#8211; para muitos,<br \/>\nimpercept\u00edvel &#8211; entre nostalgia e melancolia. <\/p>\n<p>Dizem&#8230; <\/p>\n<p>Penso que o dito faz sentido.<br \/>\nE repasso a voc\u00eas<br \/>\ncomo a coisa funciona sem consultar<br \/>\nfontes especializadas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10481","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10481","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10481"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10481\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17396,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10481\/revisions\/17396"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10481"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}