{"id":10497,"date":"2007-02-05T00:00:00","date_gmt":"2007-02-05T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:59:53","modified_gmt":"2017-09-15T19:59:53","slug":"bia-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/bia-parte-2\/","title":{"rendered":"Bia (Parte 2)"},"content":{"rendered":"<p>Continuemos, pois,<br \/>\nnossa hist\u00f3ria de ontem&#8230;<\/p>\n<p>VII. <\/p>\n<p>Mar revolto, sol, ela sobre a prancha<br \/>\n\u00e0 espera do grande desafio&#8230; <\/p>\n<p>Vivam a cena que desenhou a imagina\u00e7\u00e3o<br \/>\ndo rapaz, agora sob as lentes do amor.<br \/>\nA silhueta \u2013 sempre bonita \u2013 enfeitava<br \/>\no cen\u00e1rio alguns cent\u00edmetros<br \/>\naqu\u00e9m da linha do horizonte&#8230;.<\/p>\n<p>E ele diante \u2013 e distante \u2013<br \/>\nde tudo aquilo desconfiou:<br \/>\nca\u00edra na cilada que o acaso armou.<\/p>\n<p>N\u00e3o tinha a menor intimidade<br \/>\ncom o esporte, com as tais manobras,<br \/>\no falar, a m\u00fasica, o modo de ser e<br \/>\nestar dessa trupe a que ela pertence. <\/p>\n<p>Desistir, nunca. Abra\u00e7ou o nada<br \/>\ne se p\u00f4s a devanear dentro do devaneio. <\/p>\n<p>Se \u00e9 que isso \u00e9 poss\u00edvel? <\/p>\n<p>VIII. <\/p>\n<p>Simples. S\u00f3 precisaria de<br \/>\numa boa argumenta\u00e7\u00e3o para ficar<br \/>\nna boa com Bia. <\/p>\n<p>Era o que melhor sabia fazer&#8230;<\/p>\n<p>Na primeira oportunidade,<br \/>\nEle lhe diria, sem qualquer hesita\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Aspas, no lugar de travess\u00e3o,<br \/>\npara o nosso her\u00f3i, e tamb\u00e9m<br \/>\npara que o leitor n\u00e3o se perca&#8230;<\/p>\n<p>\u201dPegar onda \u00e9 muito pr\u00f3ximo ao<br \/>\nque vivemos em nosso dia-a-dia.<br \/>\nClaro, claro, sem a mesma poesia. <\/p>\n<p>Mas, em um contexto mais amplo,<br \/>\ntudo o que precisamos \u00e9 nos manter de p\u00e9,<br \/>\nsingrando ondas e obst\u00e1culos. <\/p>\n<p>Olhar o nada, imaginar caminhos,<br \/>\nsegurar o equil\u00edbrio. Fazer o melhor. <\/p>\n<p>De prefer\u00eancia, e se poss\u00edvel<br \/>\n(sei que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil assim),<br \/>\nter algu\u00e9m encantado a nos<br \/>\nesperar, ali, a 50 metros da areia.\u201d <\/p>\n<p>IX. <\/p>\n<p>Sentiu o calor do sol encharcar<br \/>\nsuas roupas. Mas, estava t\u00e3o comovido<br \/>\ncom sua filosofia beira-mar. N\u00e3o podia<br \/>\nperder agora o fio da meada.  <\/p>\n<p>Ele falava como se ela estivesse,<br \/>\noutra vez, ali ao seu lado. Agora<br \/>\nde cabelo molhado e um jeito de<br \/>\nquem concorda com tudo o que ele diz&#8230;<\/p>\n<p>Aspas, de novo:<\/p>\n<p>\u201cRepare, sempre e sempre toda<br \/>\na\u00e7\u00e3o come\u00e7a definitiva (um ir sem volta)<br \/>\nnum brev\u00edssimo impulso nosso&#8230;<br \/>\nE \u00e9 uma voz l\u00e1 no fundinho<br \/>\nque manda: vai&#8230; <\/p>\n<p>E vamos ou n\u00e3o. Esperamos<br \/>\noutro momento, outra onda a se erguer<br \/>\nno mar aberto da vida&#8230;  <\/p>\n<p>A performance vale-se da t\u00e9cnica.<br \/>\nMas o final-feliz fica na depend\u00eancia<br \/>\ndas chamadas for\u00e7as da natureza&#8230; <\/p>\n<p>Queiramos ou n\u00e3o, \u00e9 assim.\u201d <\/p>\n<p>X.<\/p>\n<p>Sei l\u00e1, sei l\u00e1&#8230;<br \/>\nA hora do sim \u00e9 o descuido do n\u00e3o&#8230;<br \/>\nSei l\u00e1, Sei l\u00e1<br \/>\nS\u00f3 sei que \u00e9 preciso paix\u00e3o<br \/>\nSei l\u00e1, Sei l\u00e1,<br \/>\na vida tem sempre raz\u00e3o&#8230; <\/p>\n<p>As vozes de Vin\u00edcius e Toquinho<br \/>\nsa\u00edram do r\u00e1dio para se aninhar<br \/>\nna mente criativa do pobre rapaz.<br \/>\nO port\u00e3o eletr\u00f4nico do pr\u00e9dio<br \/>\nespelhado, onde trabalha, o trouxe<br \/>\nde volta \u00e0 realidade. Ou quase&#8230; <\/p>\n<p>S\u00f3 ent\u00e3o percebeu que estava<br \/>\nde vidros fechados e sequer tivera<br \/>\ntempo de ligar o ar condicionado.<\/p>\n<p>XI. <\/p>\n<p>Lentamente, o port\u00e3o se abriu.<br \/>\nE ele entrou no \u2018buraco negro\u2019 da garagem<br \/>\ne do que ainda lhe restava do s\u00e1bado,<br \/>\ncom uma reuni\u00e3o chat\u00edssima de permeio. <\/p>\n<p>De pronto, aparece o bom<br \/>\ne simp\u00e1tico manobrista&#8230; <\/p>\n<p>&#8212; Pode deixar que eu levo. Est\u00e1<br \/>\nchovendo pros lados onde o doutor mora? <\/p>\n<p>O suor empapara suas roupas e rosto.<\/p>\n<p>Dispensou a ironia e seguiu<br \/>\nintr\u00e9pido para o elevador. <\/p>\n<p>Arrastava consigo o cansa\u00e7o<br \/>\nda semana de trabalho. Mas, agora<br \/>\nlevava tamb\u00e9m a acolhedora certeza<br \/>\nde que, em algum lugar deste Litoral,<br \/>\nBia se divertia entre patu\u00e1s, raios de sol,<br \/>\nondas, golfinhos e pranchas. <\/p>\n<p>XII.<\/p>\n<p>No elevador, alguns colegas<br \/>\nse surpreenderam com o estado<br \/>\nl\u00e1stim\u00e1vel do mancebo. Mais ainda, com<br \/>\na express\u00e3o de felicidade no rosto. <\/p>\n<p>Foram doze andares a pensar<br \/>\ncomo tratar o supervisor de agora<br \/>\nem diante. Se devia ou n\u00e3o,<br \/>\ndar ci\u00eancia a ele da nova realidade&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; A\u00ea, sogr\u00e3o, bel\u00ea&#8230;<\/p>\n<p>Saiu naturalmente o cumprimento.<br \/>\nSentiu o peso dos olharese, \u00f3bvio, da<br \/>\nincredulidade do pr\u00f3prio ex-futuro &#8216;sogr\u00e3o&#8217;.<br \/>\nN\u00e3o conseguiu segurar<br \/>\num sorriso quase desculpa.<\/p>\n<p>Desconfiou, por\u00e9m, que o emprego<br \/>\ncorria s\u00e9rios &#8211; ser\u00edssimos &#8211; riscos.<br \/>\nMas, consolou-se. Valeu: por 20 segundos<br \/>\nfoi o mais feliz dos homens&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Continuemos, pois,<br \/>\nnossa hist\u00f3ria de ontem&#8230;<\/p>\n<p>VII. <\/p>\n<p>Mar revolto, sol, ela sobre a prancha<br \/>\n\u00e0 espera do grande desafio&#8230; <\/p>\n<p>Vivam a cena que desenhou a imagina\u00e7\u00e3o<br \/>\ndo rapaz,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10497","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10497"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10497\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17385,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10497\/revisions\/17385"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}