{"id":10499,"date":"2007-02-06T00:00:00","date_gmt":"2007-02-06T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:59:53","modified_gmt":"2017-09-15T19:59:53","slug":"leia-esta-cancao-8","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/leia-esta-cancao-8\/","title":{"rendered":"Leia esta can\u00e7\u00e3o 8"},"content":{"rendered":"<p>Demorei, mas cheguei com os &#8216;nicks&#8217;<br \/>\nque o nosso site\/blog estampou nos meses<br \/>\nde dezembro e janeiro. <\/p>\n<p>Como sabem, s\u00e3o versos de can\u00e7\u00f5es<br \/>\nque insinuam, falam, revelam um pouco<br \/>\n&#8212; ou muito &#8212; de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Vamos aos tais:<\/p>\n<p>I.<\/p>\n<p>\u201cEu sei de tudo na ferida<br \/>\n  viva do meu cora\u00e7\u00e3o\u201c<\/p>\n<p>O cearense Ant\u00f4nio Carlos Gomes BELCHIOR Fontenelle Fernandes foi talvez o mais representativo nome da chamada gera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-tropicalismo, que tomou para si o destino da MPB na d\u00e9cada de 70. Nomes como Ivan Lins, Alceu Valen\u00e7a, Raul Seixas, Ednardo, Luiz Melodia, Walter Franco, Gonzaguinha, Jo\u00e3o Bosco, Djavan e o pr\u00f3prio Belchior enfrentaram os anos sombrios da ditadura com versos corajosos e libert\u00e1rios. Tentavam levar \u00e0s pessoas \u2013 aos jovens, especialmente \u2013 uma consci\u00eancia do tempo que atravess\u00e1vamos. De enfrentamento, sim, mas sem jamais perder a ternura. <\/p>\n<p>Os versos acima pertencem \u00e0 can\u00e7\u00e3o \u201cComo Nossos Pais\u201d, gravada originalmente por Elis Regina. Falam de um amor desconcertante \u2013 \u201cJ\u00e1 faz tempo eu vi voc\u00ea na rua, cabelo ao vento, gente jovem reunida. Na parede da mem\u00f3ria essa lembran\u00e7a \u00e9 o quadro que d\u00f3i mais\u201d -, mas principalmente p\u00f5e a nu a indigna\u00e7\u00e3o diante de um tempo nebuloso e da mudan\u00e7a que se anunciava,<br \/>\nmas tardava a chegar.<\/p>\n<p>\u201cMinha dor \u00e9 perceber,<br \/>\nque apesar de tudo<br \/>\nque fizemos, ainda somos<br \/>\nos mesmos e vivemos<br \/>\ncomo nossos pais\u201d<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>\u201cE l\u00e1, do outro lado do c\u00e9u,<br \/>\nalgu\u00e9m derrama no papel<br \/>\nnovos poemas de amor\u201d<\/p>\n<p>Os versos s\u00e3o da can\u00e7\u00e3o \u201cCheio de Vazio\u201d, de Moska \u2013 ex-Paulinho Moska. N\u00e3o deixam d\u00favidas sobre a inevitabilidade do amor. Que acontece e desacontece (?) todos os dias, a qualquer momento, em qualquer parte do mundo. E sobre o qual n\u00f3s, pobres mortais, n\u00e3o temos controle. Mas, que se renova e perpetua \u201cem novos poemas de amor\u201d.<\/p>\n<p>Moska \u00e9 egresso do rock dos anos 80. Mas, hoje comp\u00f5e, ao lado de Zeca Baleiro, Lenine e outros raros nomes, o que poder\u00edamos chamar de n\u00facleo de resist\u00eancia da MPB. Esclare\u00e7a-se, por\u00e9m, resist\u00eancia \u00e0 ditadura dos modismos e vulgaridades que toma conta da m\u00eddia brasileira, inapelavelmente.<\/p>\n<p>Uma dica. Vale a pena conferir o programa \u2018Zumbido\u2019, que Moska comanda semanalmente no Canal Brasil. Quinta, \u00e0s 22 horas.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>\u201cAno passado, eu morri.<br \/>\nMas, esse ano, eu n\u00e3o morro\u201d<\/p>\n<p>Outro verso lancinante de Belchior. O t\u00edtulo \u00e9 instigante: \u201cSujeito de Sorte\u201d. A letra, como um todo, reverbera o inconformismo dos anos 70 e a coragem para se manter vivo, \u201cs\u00e3o e salvo e forte\u201d, apesar das trai\u00e7\u00f5es e deslealdades.<\/p>\n<p>Confiram:<\/p>\n<p>\u201cPresentemente eu posso me<br \/>\nconsiderar um sujeito de sorte<br \/>\nPorque apesar de muito mo\u00e7o<br \/>\nme sinto s\u00e3o e salvo e forte<br \/>\nE tenho comigo pensado Deus<br \/>\n\u00e9 brasileiro e anda do meu lado<br \/>\nE assim j\u00e1 n\u00e3o posso<br \/>\nsofrer no ano passado<\/p>\n<p>Tenho sangrado demais,<br \/>\ntenho chorado pra cachorro<br \/>\nAno passado eu morri<br \/>\nmas esse ano eu n\u00e3o morro&quot;.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto esquece de mim,<br \/>\n lembra da can\u00e7\u00e3o\u201d<\/p>\n<p>\u201cChuva de Prata\u201d foi um dos grandes hits rom\u00e2nticos da d\u00e9cada de 80, na voz de Gal Costa. Marcou a passagem da \u201cdiva da MPB\u201d para um repert\u00f3rio mais pop, com tr\u00e2nsito tanto nas emissoras FM como AM. <\/p>\n<p>Seus autores, Ed Wilson e Ronaldo Bastos, n\u00e3o figuram no primeiro time do showbiz nativo. Mas, s\u00e3o nomes que passaram por diversos movimentos musicais. Bastos \u00e9 letrista e fez parte do Clube da Esquina. Foi parceiro de Milton Nascimento, Lulu Santos, Edu Lobo, entre outros. O falecido Ed Wilson come\u00e7ou na Jovem Guarda (\u201cEra o Ed Wilson\/que acabava de chegar\/Ei, ei&#8230;\/Que onda\/Que festa de arromba!\u201d) e era irm\u00e3o do l\u00edder do grupo Renato e seus Blue Caps. &quot;Chuva de Prata&quot; \u00e9 sua m\u00fasica de maior sucesso, e come\u00e7a assim:<\/p>\n<p>&quot;Se tem luar no c\u00e9u,<br \/>\nRetira o v\u00e9u e faz chover<br \/>\nSobre o nosso amor&#8230;&quot;<\/p>\n<p>Lembram?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Demorei, mas cheguei com os &#8216;nicks&#8217;<br \/>\nque o nosso site\/blog estampou nos meses<br \/>\nde dezembro e janeiro. <\/p>\n<p>Como sabem, s\u00e3o versos de can\u00e7\u00f5es<br \/>\nque insinuam, falam,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10499","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10499","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10499"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10499\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17384,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10499\/revisions\/17384"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}