{"id":10502,"date":"2007-02-09T00:00:00","date_gmt":"2007-02-09T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:59:53","modified_gmt":"2017-09-15T19:59:53","slug":"me-fale-de-voce-2-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/me-fale-de-voce-2-2\/","title":{"rendered":"Me fale de voc\u00ea (2)"},"content":{"rendered":"<p>Vou dar um repeteco no pedido<br \/>\nque fiz aqui em 10 de dezembro e<br \/>\ns\u00f3 meia-d\u00fazia de pessoas se<br \/>\npronunciou &#8212; e ainda via email.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m postou nada&#8230;<\/p>\n<p>Resultado: estou aqui a falar sozinho.<br \/>\nA contar hist\u00f3rias que conhe\u00e7o&#8230;<\/p>\n<p>Acho \u00f3timo e tal, mas blogar n\u00e3o \u00e9 estrada<br \/>\nde m\u00e3o \u00fanica. Consta dos manuais que \u00e9<br \/>\npreciso interagir. Que o leitor tamb\u00e9m participe&#8230;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Deixe de pregui\u00e7a!<\/p>\n<p>Me fale de voc\u00ea.<\/p>\n<p>Conte-me tr\u00eas hist\u00f3rias. Breves, brev\u00edssimas&#8230;<\/p>\n<p>Uma que voc\u00ea viveu&#8230;<\/p>\n<p>Outra que observou&#8230;<\/p>\n<p>Uma terceira que gostaria de ter escrito&#8230;<\/p>\n<p>Vou dar o exemplo, e lhe contar outras tr\u00eas.<\/p>\n<p>(Mas, n\u00e3o agora.<br \/>\nNo decorrer do dia&#8230;<\/p>\n<p>T\u00f4 com uma pregui que voc\u00ea nem imagi!)<\/p>\n<p>I.<\/p>\n<p>Vou come\u00e7ar com a que observei.<br \/>\nFaz algum tempo j\u00e1. Mas, eu n\u00e3o esqueci.<\/p>\n<p>L\u00e1 vai&#8230;<\/p>\n<p>Despediram-se, com um abra\u00e7o e um beijo,<br \/>\n\u00e0 entrada do Terminal Tiet\u00ea &#8211; Esta\u00e7\u00e3o Rodovi\u00e1ria<br \/>\nde S\u00e3o Paulo. Ao que entendi, ela iria visitar<br \/>\na fam\u00edlia numa cidade do interior  &#8211; Ca\u00e7apava,<br \/>\ncreio ter ouvido &#8211; e ele ficaria aqui a trabalho.<\/p>\n<p>Nada demais. S\u00f3 a frase que a mo\u00e7a disse<br \/>\nn\u00e3o esque\u00e7o tantos e tantos anos depois.<\/p>\n<p>&quot;Um beijo pra cada segundo<br \/>\n que eu estiver longe de voc\u00ea.&quot;<\/p>\n<p>Ele se fez a express\u00e3o da felicidade.<br \/>\nE eu fiquei com uma invejinha que,<br \/>\npelo jeito, n\u00e3o curei ainda hoje&#8230;<\/p>\n<p>Eu volto&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Agora, a que eu vivi&#8230;<\/p>\n<p>Vamos aos meus anos mais verdolengos &#8211;<br \/>\nando lendo Machado de Assis; dai, o &quot;verdolengo&quot;. <\/p>\n<p>Estamos precisamente em 4 de dezembro de 1968,<br \/>\nn\u00e3o esque\u00e7o porque era meu anivers\u00e1rio&#8230;<\/p>\n<p>Por uma dessas ironias da vida, tive que<br \/>\nme apresentar ao glorioso ex\u00e9rcito nacional.<\/p>\n<p>Acordei \u00e0 quatro da manh\u00e3, e fui o sexto<br \/>\na chegar no quartel do Parque D. Pedro.<br \/>\nAnsioso, queria ver logo que bicho dava.<br \/>\nSeria, pois, um dos primeiros a ser atendido.<\/p>\n<p>L\u00e1 pelas 8 horas chegou um sargent\u00e3o.<br \/>\nOlhou a fila de gente. Era enorme.<br \/>\nFranziu a testa e deu um berro<br \/>\nque era uma ordem.<\/p>\n<p>&#8212; Quem est\u00e1 no colegial ou na universidade?<\/p>\n<p>S\u00f3 eu e mais um levantamos a m\u00e3o.<\/p>\n<p>Fomos sacados da fila e convocados a ajudar<br \/>\n&#8216;voluntariamente&#8217; na inscri\u00e7\u00e3o dos candidatos.<\/p>\n<p>Acabamos por ser os \u00faltimos a preencher<br \/>\na tal ficha de apresenta\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Por volta das onze meia, todos no p\u00e1tio<br \/>\nesperavam a decis\u00e3o. Quem fica e quem<br \/>\nn\u00e3o fica. Uma tortura em dia de chuva. <\/p>\n<p>(Antes, vale lembrar, passamos<br \/>\npelo exame m\u00e9dico. Um monte de<br \/>\nmarmanjos pelados inventando as mais<br \/>\nestranhas doen\u00e7as para ludibriar o m\u00e9dico<br \/>\nque nada dizia. S\u00f3 nos olhava e seguia,<br \/>\nap\u00f3s um breve rabisco na planilha.)<\/p>\n<p>Mas, voltemos ao p\u00e1tio&#8230;<\/p>\n<p>Um a um, os nomes foram sendo<br \/>\ndeclinados. Quem &#8216;pegaria&#8217; o ex\u00e9rcito<br \/>\nia para um lado; os demais recebiam o<br \/>\ncertificado de dispensa &#8211; e sa\u00edam alegremente.<\/p>\n<p>Meu nome foi o \u00faltimo a ser chamado&#8230; <\/p>\n<p>Fui dispensado por um tal de<br \/>\n &quot;excesso de contigente&quot;. Ufa!<\/p>\n<p>Ainda hoje n\u00e3o sei a quem agrade\u00e7o.<br \/>\nSe ao sargent\u00e3o ou ao meu magn\u00edfico<br \/>\nanjo da guarda? Melhor ser pr\u00e1tico<br \/>\ne agradecer aos dois que<br \/>\nme tiraram do come\u00e7o da fila&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>O que eu gostaria de ter escrito?<\/p>\n<p>Hum!<\/p>\n<p>&quot;Quando Deus te desenhou&#8230;&quot;<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o&#8230;<br \/>\nEstou zuandoo Dinoel que<br \/>\ns\u00f3 sabe cantar essa m\u00fasica.<\/p>\n<p>Queria ter&#8230; <\/p>\n<p>&#8230; desenhado as estampas<br \/>\nda camisa do Dunga. Arghhh!<br \/>\nBrincadeira, brincadeira&#8230;<\/p>\n<p>Queria mesmo ter assinado<br \/>\na letra de &quot;Todo Sentimento&quot;,<br \/>\nque transcrevo a seguir:<\/p>\n<p>&quot;Preciso n\u00e3o dormir<br \/>\nAt\u00e9 se consumar<br \/>\nO tempo da gente<br \/>\nPreciso conduzir<br \/>\nUm tempo de te amar<br \/>\nTe amando devagar e urgentemente<br \/>\nPretendo descobrir<br \/>\nNo \u00faltimo momento<br \/>\nUm tempo que refaz o que desfez<br \/>\nQue recolhe todo sentimento<br \/>\nE bota no corpo uma outra vez<br \/>\nPrometo te querer<br \/>\nAt\u00e9 o amor cair<br \/>\nDoente, doente<br \/>\nPrefiro ent\u00e3o partir<br \/>\nA tempo de poder<br \/>\nA gente se desvencilhar da gente<br \/>\nDepois de te perder<br \/>\nTe encontro com certeza<br \/>\nTalvez num tempo da delicadeza<br \/>\nOnde n\u00e3o diremos nada<br \/>\nNada aconteceu<br \/>\nApenas seguirei<br \/>\nComo encantado ao lado teu.&quot;<\/p>\n<p>(Chico Buarque\/Crist\u00f3v\u00e3o Bastos e eu)<br \/>\nJ\u00e1 imaginou&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vou dar um repeteco no pedido<br \/>\nque fiz aqui em 10 de dezembro e<br \/>\ns\u00f3 meia-d\u00fazia de pessoas se<br \/>\npronunciou &#8212; e ainda via email.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m postou nada&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10502","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10502","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10502"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10502\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17381,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10502\/revisions\/17381"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}