{"id":10504,"date":"2007-02-10T00:00:00","date_gmt":"2007-02-10T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:58:30","modified_gmt":"2017-09-15T19:58:30","slug":"historia-sem-nomes","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/historia-sem-nomes\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria sem nomes"},"content":{"rendered":"<p>Ops, ops&#8230;<\/p>\n<p>Uma simp\u00e1tica leitora atendeu<br \/>\n\u00e0 solicita\u00e7\u00e3o deste humilde escriba e<br \/>\nenviou sua contribui\u00e7\u00e3o ao nosso blog.<\/p>\n<p>&#8212; Nada de nomes!, escreveu.<br \/>\nem tom imperativo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, t\u00e1.<br \/>\nVamos \u00e0 hist\u00f3ria<br \/>\nsem nomes&#8230;<\/p>\n<p>&quot;Tenho uma Amiga que conhece<br \/>\numa Mo\u00e7a que mora em uma fazenda<br \/>\nem uma cidade no interior do Estado,<br \/>\nonde esta Amiga tamb\u00e9m nasceu. <\/p>\n<p>Pois bem&#8230; <\/p>\n<p>Essa Mo\u00e7a namorava desde menina<br \/>\num rapaz.  Foram mais de 10 anos<br \/>\nde namoro com enxoval pronto e tudo. <\/p>\n<p>At\u00e9 o dia em que o rapaz foi<br \/>\npara outra cidade em outro Estado<br \/>\nporque decidiu ser cabo da Marinha. <\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Mesmo distante, o namoro continuou<br \/>\nfirme \u2013 quase que renovado por<br \/>\nessa coisa tola que<br \/>\nos apaixonados-nados-nados<br \/>\nchamam de saudades.<\/p>\n<p>Quando ele chegava, era uma festa.<br \/>\nVinha todo lindo, todo de branco e,<br \/>\nmais lindo ainda, era o sorriso da Mo\u00e7a<br \/>\nque ficava esperando<br \/>\npor ele o tempo inteiro. <\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Mas, por\u00e9m, contudo, todavia&#8230;<\/p>\n<p>Como o mundo \u00e9 o mundo,<br \/>\ne a vida \u00e9 a vida&#8230;<br \/>\nNa roda do mundo e da vida, o mo\u00e7o<br \/>\nfoi deixando de vir. Em seu lugar,<br \/>\nmandava uma ou outra carta. Explica-se:<br \/>\neram outros tempos, sem emails,<br \/>\ncelulares etc etc. <\/p>\n<p>Um dia, ele parou de escrever.<br \/>\nE a Mo\u00e7a se transformou<br \/>\nem infinita tristeza. <\/p>\n<p>Todos os dias, esperava a carta.<br \/>\nCorria ao encontro do Carteiro e,<br \/>\ncomo nada recebesse,<br \/>\nchorava sem parar. <\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Um dia o Carteiro tirou do bolso<br \/>\numa carta e disse:<\/p>\n<p>&#8212; \u00c9 para voc\u00ea. Mas fui eu quem escrevi. <\/p>\n<p>Conclus\u00e3o: a Mo\u00e7a casou com<br \/>\no Carteiro e vive feliz at\u00e9 hoje. <\/p>\n<p>O marinheiro casou e descasou um monte. <\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>A filha da Amiga namorou o irm\u00e3o<br \/>\ndo marinheiro por muitos anos. <\/p>\n<p>O irm\u00e3o tamb\u00e9m era Oficial da Marinha.<br \/>\nS\u00f3 que quando ele come\u00e7ou a viajar demais,<br \/>\na Menina, que n\u00e3o \u00e9 boba,<br \/>\narranjou outro namorado. <\/p>\n<p>O Oficial morreu de chorar porque jurou<br \/>\nque jamais faria com ela<br \/>\no que o irm\u00e3o fez com a outra. <\/p>\n<p>Mas a Menina n\u00e3o quis saber.<br \/>\nValeu a experi\u00eancia. <\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Mesmo porque a Menina se fez mulher<br \/>\ne casou-se com um pacato professor<br \/>\nuniversit\u00e1rio.E quem n\u00e3o<br \/>\np\u00e1ra de viajar \u00e9 ela. <\/p>\n<p>\u00c9 &#8216;executiva&#8217; de uma multinacional<br \/>\nfrancesa. Passa uma semana<br \/>\nno Brasil e duas na Europa. <\/p>\n<p>Mesmo com toda agita\u00e7\u00e3o, parecem felizes. <\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Essa vida \u00e9 estranha, n\u00e3o?<\/p>\n<p>Um dia ouvi a Menina que se fez mulher dizer:<\/p>\n<p>&#8212; Pressenti que, embora marinheiros, a barca<br \/>\nde qualquer um daqueles dois era<br \/>\nfurada e n\u00e3o me levaria a porto seguro nenhum.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ops, ops&#8230;<\/p>\n<p>Uma simp\u00e1tica leitora atendeu<br \/>\n\u00e0 solicita\u00e7\u00e3o deste humilde escriba e<br \/>\nenviou sua contribui\u00e7\u00e3o ao nosso blog.<\/p>\n<p>&#8212; Nada de nomes!, escreveu.<br \/>\nem tom imperativo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10504","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10504","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10504"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10504\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17380,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10504\/revisions\/17380"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10504"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10504"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10504"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}