{"id":10521,"date":"2007-02-22T00:00:00","date_gmt":"2007-02-22T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2018-03-28T23:19:02","modified_gmt":"2018-03-28T23:19:02","slug":"fatos-do-meu-passado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/fatos-do-meu-passado\/","title":{"rendered":"Fatos do meu passado"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Autor: Mino Carta<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Rodrigo Vianna, o jornalista que ao sair da tev\u00ea Globo desvendou as mazelas da cobertura feita pela emissora durante a campanha das elei\u00e7\u00f5es recentes, me traz \u00e0 mem\u00f3ria fatos do meu passado remoto e nem tanto.<\/p>\n<p>O \u00fanico patr\u00e3o com que n\u00e3o me indispus foi Paulinho Machado de Carvalho, tempos da velha Record. Tinha ali um programa chamado Jogo de Carta, dirigido pelo caro amigo Fernando Faro. Ia ao ar por volta das 23 horas, \u00e0s segundas feiras. Nascido em setembro de 1984, \u00e0 sombra da campanha das indiretas, acabou em abril de 1987 por obra das press\u00f5es do ent\u00e3o ministro das Comunica\u00e7\u00f5es, Antonio Carlos Magalh\u00e3es, que considerava o programa cr\u00edtico demais do governo Sarney.<\/p>\n<p>Paulinho resistiu meses a fio, at\u00e9 o dia em que eu pr\u00f3prio decidi tirar o time de campo. Disse a ele: \u201cFelizmente, este n\u00e3o \u00e9 meu ganha-p\u00e3o, deixo-o em paz\u201d.<br \/>\nAgradeceu e ficamos amigos.<\/p>\n<p>Sa\u00ed do Jornal da Tarde, o vespertino do Estad\u00e3o cuja equipe fundadora tive a honra e o prazer de dirigir, sem traumas, depois de explicar \u00e0 Ruy Mesquita que me chamavam os Civita da Abril para chefiar a equipe fundadora de Veja. Tratava-se de um chamariz muito forte, Veja seria a primeira semanal de informa\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. Ruy entendeu e no dia da despedida entregou-me um bilhete muito afetuoso.<\/p>\n<p>Comovido, li que as portas do Estado estariam sempre abertas para o filho pr\u00f3digo. Mas a amizade plantada por meu pai, Giannino, admirado, respeitado e benquisto pela fam\u00edlia Mesquita, para a qual trabalhara por 17 anos, comigo n\u00e3o prosperou. Acho que, de alguma forma, n\u00e3o fui perdoado por ter cultivado id\u00e9ias mais ou menos opostas \u00e0quelas dos senhores do Estad\u00e3o.<\/p>\n<p>Sa\u00ed da Abril depois de ter dirigido a Veja, e de ter figurado no conselho de dire\u00e7\u00e3o da Editora, quando os Civita entregaram minha cabe\u00e7a ao ent\u00e3o ministro da Justi\u00e7a, Armando Falc\u00e3o, em troca do fim da censura imposta \u00e0 revista por longos anos e de um empr\u00e9stimo de 50 milh\u00f5es de d\u00f3lares pela Caixa Econ\u00f4mica Federal. Quem duvida, pergunte a quem a presidia, Karlos Rieschbieter, honrado funcion\u00e1rio e bom amigo.<\/p>\n<p>Em fevereiro de 1981 deixei a dire\u00e7\u00e3o de Isto\u00e9, cujo dono, Fernando Moreira Salles, em meio a um simp\u00e1tico almo\u00e7o em sua resid\u00eancia, esclareceu as raz\u00f5es da minha demiss\u00e3o. Entre uma garfada e outra de um substancioso risotto, apresentou tr\u00eas motivos. Primeiro, eu estava a me tornar para ele um segundo pai, e aquele de que j\u00e1 dispunha lhe bastava. Segundo, eu tinha simpatia por Lula e pelo PT, e ele pretendia aproximar-se do PMDB. Terceiro, a maioria dos colegas da reda\u00e7\u00e3o me via como um d\u00e9spota e com ele se reuniam para me espinafrar.<\/p>\n<p>Este motivo, a bem da verdade, n\u00e3o me surpreendeu. N\u00e3o \u00e9 incomum que jornalistas nativos prefiram contar com o pr\u00f3prio patr\u00e3o no comando, em lugar de um profissional. Na mesma noite convoquei-os em minha casa e lhes disse o que o acima expus. Olharam-me entre at\u00f4nitos e perplexos. Quietos, quiet\u00edssimos.<\/p>\n<p>E com o pr\u00f3prio Domingo Alzugaray acabei por me chocar. Fomos grandes amigos e juntos fizemos a Isto\u00e9, perdida quatro anos ap\u00f3s para tapar o buraco do Jornal da Rep\u00fablica, responsabilidade minha, em primeiro lugar. Juntos, a partir de 1982, criamos a Senhor semanal, mas desta vez entrei no entrecho como empregado.<\/p>\n<p>\u201cComo empres\u00e1rio, voc\u00ea \u00e9 um desastre\u201d, sentenciou Domingo, e eu n\u00e3o me queixei.<\/p>\n<p>Com ele, no entanto, as coisas n\u00e3o deram certo, sobretudo a partir do momento em que a Editora Tr\u00eas recuperou Isto\u00e9. Como sempre, as minhas id\u00e9ias n\u00e3o batiam com as do patr\u00e3o. Muito al\u00e9m das id\u00e9ias pol\u00edticas, as que dizem respeito \u00e0 pr\u00e1tica do jornalismo, baseadas em tr\u00eas princ\u00edpios b\u00e1sicos: fidelidade canina \u00e0 verdade factual, exerc\u00edcio desabrido do esp\u00edrito cr\u00edtico, fiscaliza\u00e7\u00e3o diuturna do poder, onde quer que se manifeste. Os patr\u00f5es alimentavam d\u00favidas atrozes quanto \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o desses princ\u00edpios. Muitas vezes exigem que os esque\u00e7amos em proveito dos seus neg\u00f3cios, nem sempre l\u00edmpidos, para n\u00e3o dizer francamente turvos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em><strong>Autor: Mino Carta<\/strong><\/em><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Rodrigo Vianna, o jornalista que ao sair da tev\u00ea Globo desvendou as mazelas da cobertura feita pela emissora durante a campanha das elei\u00e7\u00f5es recentes,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-10521","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uns-e-outros"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10521","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10521"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10521\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18551,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10521\/revisions\/18551"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10521"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10521"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10521"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}