{"id":10546,"date":"2007-03-17T00:00:00","date_gmt":"2007-03-17T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:58:26","modified_gmt":"2017-09-15T19:58:26","slug":"leia-esta-cancao-9","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/leia-esta-cancao-9\/","title":{"rendered":"Leia esta can\u00e7\u00e3o 9"},"content":{"rendered":"<p>Ok. Ok&#8230;<\/p>\n<p>Concordo plenamente. Tenho andado bastante relapso com a se\u00e7\u00e3o Leia Esta Can\u00e7\u00e3o que se prop\u00f5e a explicar as cita\u00e7\u00f5es musicais que encimam nosso site\/blog e que tem alguns f\u00e3s entre meus cinco leitores.<\/p>\n<p>Desde 6 de fevereiro que a se\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 as caras por aqui \u2013 o que acumulou cinco cita\u00e7\u00f5es. Vou tentar historia-las hoje aqui. <\/p>\n<p>Sem mais delongas, vamos ao que se pode.<\/p>\n<p>I.<\/p>\n<p>\u201cTodo amor que houver nessa vida\u201d <\/p>\n<p>Cazuza \u00e9 considerado o grande letrista da gera\u00e7\u00e3o dos anos 80, ao lado de Renato Russo. Rom\u00e2nticos inveterados, ambos. Russo deu um tom mais melanc\u00f3lico aos seus versos. Tristes ou alegres, as letras de Russo inciatavam um olhar, um refletir sobre a arte de viver. Para Cazuza, o olhar apenas n\u00e3o bastava. Era vital n\u00e3o apenas olhar e refletir, Mas, experimentar a vida em todas suas possibilidades. Uma postura existencialista, t\u00edpica dos anos 60. Mas, sem a ideologia da d\u00e9cada que mudou o mundo. A can\u00e7\u00e3o \u201cTodo Amor Que Houver Nessa Vida\u201d reflete a inquieta\u00e7\u00e3o do poeta. \u201cSer teu p\u00e3o, ser tua comida. Todo amor que houver nessa vida. E algum rem\u00e9dio que me d\u00ea alegria\u201d. Verso duro, contundente. Talvez levado \u00e0s \u00faltimas conseq\u00fc\u00eancias pelo autor\/personagem. <\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea n\u00e3o me ensinou a te esquecer\u201d  <\/p>\n<p>De autoria de Bruno Mattos e Odair Jos\u00e9. A can\u00e7\u00e3o fez um sucesso relativo no turbulentos anos 70. Tida e havida como brega, ressurgiu quase trinta anos depois na voz de Caetano Veloso e ganhou status de cult. Ali\u00e1s, uma das especialidades do cantor\/compositor baiano. Desafiar o senso de est\u00e9tica da chamada elite cultural. \u00c9 quase uma tradi\u00e7\u00e3o do \u2018caetanear\u2019. Foi assim quando se apresentou ao lado do pr\u00f3prio Odair Jos\u00e9 num espet\u00e1culo que pretendia reunir o melhor da MPB, o Phono 73. Cantaram, ent\u00e3o, o megahit \u201cPare de Tomar a P\u00edlula\u201d, do repert\u00f3rio de Odair Jos\u00e9, para espanto de uma plat\u00e9ia que n\u00e3o sabia se aplaudia ou vaiava \u2013 acabou aplaudindo. Foi assim quando gravou \u201cSonhos\u201d e \u201cSozinho\u201d, de outro autor estigmatizado, Peninha. Quando ressurge, a can\u00e7\u00e3o de Odair prenuncia \u2013 coincid\u00eancia ou n\u00e3o \u2013 um momento dif\u00edcil da vida de Caetano &#8211; a crise no casamento \u2013 e revela ind\u00edcios da tem\u00e1tica que o artista explora \u00e0 exaust\u00e3o no recente e aplaudid\u00edssimo trabalho, \u201cC\u00ea\u201d.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>\u201cVou beijar-te agora.<br \/>\nN\u00e3o me leve a mal. Hoje \u00e9 Carnaval.\u201d  <\/p>\n<p>\u00d3bvio que os versos de Z\u00e9 Ketti funcionaram como \u201cnick\u201d do nosso site na semana de carnaval. E nem poderia ser diferente. Se a mem\u00f3ria n\u00e3o me trair \u2013 at\u00e9 ela, gente! -, \u201cM\u00e1scara Negra\u201d foi a \u00faltima das marchinhas carnavalescas digna de registro. E isso aconteceu h\u00e1 exatos 40 anos. Isso mesmo. No carnaval de 1967, o compositor carioca emplacou seu \u00faltimo grande sucesso \u2013 e, para muitos, a mais bela de suas can\u00e7\u00f5es. A grava\u00e7\u00e3o original \u00e9 de Dalva de Oliveira \u2013 hoje esquecida, mas uma das tr\u00eas grandes cantoras do Brasil, ao lado de \u00c2ngela Maria e Elis Regina. Seus versos trazem um lirismo pr\u00f3prio dos antigos carnavais e dos amores instant\u00e2neos e \u2013 mesmo assim e talvez por isso \u2013 inesquec\u00edveis. <\/p>\n<p>\u201cArlequim est\u00e1 chorando<br \/>\npelo amor da Colombina<br \/>\nno meio da multid\u00e3o&#8230;\u201d<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>\u201cQuem tem tem.<br \/>\nQuem n\u00e3o tem n\u00e3o se conforma.\u201d<\/p>\n<p>Mais do que um verso, creio tratar-se de uma constata\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Sagaz constata\u00e7\u00e3o feita por Luiz Melodia, na can\u00e7\u00e3o \u201cIran\u201d, que dedica ao pr\u00f3prio filho. <\/p>\n<p>\u201cIran<br \/>\n Eu estou contigo, n\u00eago.<br \/>\n Iran, meu filho<br \/>\n Tenha sossego\u201d<\/p>\n<p>Cantor\/compositor carioca, Melodia surge no in\u00edcio dos anos 70 com a pungente \u201cP\u00e9rola Negra\u201d, na voz de Gal Costa. Logo, outra can\u00e7\u00e3o, \u201cJuventude Transviada\u201d, \u00e9 aproveitada na trilha sonora da novela \u201cPecado Capital\u201d, o que d\u00e1 um bom impulso para a carreira solo do autor. <\/p>\n<p>Melodia tem um jeito personal\u00edssimo de compor. Seus versos s\u00e3o originais e provocativos. <\/p>\n<p>\u201cRasque a camisa<br \/>\n  Enxugue o meu sangue\u201d, Perola Negra<\/p>\n<p>\u201cUma mulher<br \/>\n  n\u00e3o pode vacilar\u201d, Juventude Transviada.<\/p>\n<p>Musicalmente, funde influ\u00eancia do samba aut\u00eantico que conhece no Est\u00e1cio, onde se criou, com uma levada word-music, uma tend\u00eancia que eclode nos anos 70, em que tudo \u00e9 permitido. Do blues ao forr\u00f3. Da bossa-nova ao boler\u00e3o rasgado. <\/p>\n<p>Melodia est\u00e1 entre os autores mais originais da MPB.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>\u201cSubir. Descer. Entrar. Sair \u2013 faz parte<br \/>\ndo talento individual de cada um\u201d <\/p>\n<p>Por falar em autores originais, o mais original deles. Jorge Du\u00edlio Lima de Menezes. Que na adolesc\u00eancia era chamado de Babulina, pela turma de amigos da Tijuca \u2013 entre os quais Sebasti\u00e3o (Tim) Maia e Erasmo (Carlos) Estevez. Quando come\u00e7a a se apresentar no famoso \u201cBeco das Garrafas\u201d, no Rio de Janeiro, adota o sobrenome do av\u00f4 \u2013 e comp\u00f5e o nome art\u00edstico: Jorge Ben. Em 89, depois de uma viagem \u00e0 \u00c1frica, passa a chamar-se Jor Ben Jor, segundo ele mesmo disse na ocasi\u00e3o, para evitar que as editoras internacionais repassem seus direitos autorais para o guitarrista George Benson. Alega que a sonoridade dos nomes eram bem pr\u00f3ximas \u2013 e que ele poderia estar perdendo uns trocados com a confus\u00e3o.<\/p>\n<p>Mais recentemente, resolveu simplificar.<br \/>\nAgora \u00e9 apenas Benjor.<\/p>\n<p>Coisas do mundo encantado que esse carioca do bairro do Rio Cumprido, ex-lateral esquerdo do juvenil do Flamengo, vem cantando desde o in\u00edcio dos anos 60.<\/p>\n<p>O verso-recado acima n\u00e3o deixa d\u00favidas. Uma li\u00e7\u00e3o para bem viver na can\u00e7\u00e3o \u201cAlcohol\u201d, gravada em 1993 \u2013 e sempre e sempre atual\u00edssima, como s\u00f3 e acontecer com o mago Benjor. Ou voc\u00eas j\u00e1 viram algu\u00e9m na faixa dos sessenta e quase-muitos usar bermuda, bon\u00e9 com a aba para tr\u00e1s e continuar absolutamente elegante?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ok. Ok&#8230;<\/p>\n<p>Concordo plenamente. Tenho andado bastante relapso com a se\u00e7\u00e3o Leia Esta Can\u00e7\u00e3o que se prop\u00f5e a explicar as cita\u00e7\u00f5es musicais que encimam nosso site\/blog e que tem alguns f\u00e3s entre meus cinco leitores.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10546","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10546","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10546"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10546\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17343,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10546\/revisions\/17343"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10546"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10546"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10546"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}