{"id":10552,"date":"2007-03-23T00:00:00","date_gmt":"2007-03-23T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:58:26","modified_gmt":"2017-09-15T19:58:26","slug":"a-lua-e-eu-a-cancao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-lua-e-eu-a-cancao\/","title":{"rendered":"A lua e eu, a can\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A can\u00e7\u00e3o A Lua e Eu \u00e9 um cl\u00e1ssico. Bastou ouv\u00ed-la uma vez \u2013 quando foi lan\u00e7ada em 76 ou 78? \u2013 para n\u00e3o mais esquec\u00ea-la. A vers\u00e3o original, do autor Cassiano, \u00e9 insubstitu\u00edvel, definitiva \u2013 e olha que um punhado de gente boa gravou a m\u00fasica. Nana Caymmi, L\u00e9o Jaime, Cl\u00e1udio Zolli, entre outros. O pr\u00f3prio Cassiano fez, h\u00e1 quatro ou cinco anos, uma regrava\u00e7\u00e3o que n\u00e3o supera, por\u00e9m, a dos anos 70.<\/p>\n<p>O refinado arranjo prop\u00f5e um sedutor jogo mel\u00f3dico entre metais, violinos e a base sonora \u2013 guitarra, baixo e percuss\u00e3o \u2013 que se completa com a inconfund\u00edvel interpreta\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Cassiano \u2013 no meu entender, \u00e9 o ponto alto de uma carreira irregular, mas \u00fanica dentro da MPB.<\/p>\n<p>Lembram?<\/p>\n<p>\u201cMais um ano se passou<br \/>\nE nem sequer ouvi falar seu nome, a lua e eu&#8230;&quot;<\/p>\n<p>Lindo, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que Cassiano \u00e9 refer\u00eancia obrigat\u00f3ria para uma s\u00e9rie de m\u00fasicos da nova gera\u00e7\u00e3o. Respeitad\u00edssimo e venerado por Zolli, Ed Motta, Melodia, Jairzinho, Simoninha, Max de Castro e toda essa gente que bebe dessa vertente soul tupiniquim.<\/p>\n<p>De p\u00fablico, assumo: a can\u00e7\u00e3o est\u00e1 entre as minhas preferidas. Pelo tom nost\u00e1lgico. Pela delicadeza das imagens po\u00e9ticas. Que, ali\u00e1s, se alternam com a contund\u00eancia das verdades conclusivas.<\/p>\n<p>No todo, letra e m\u00fasica deixam n\u00edtidos a solid\u00e3o do protagonista e seu di\u00e1logo imagin\u00e1rio com a Lua. Ao que parece, a \u00fanica a lhe dar ouvido. A \u00fanica que o acompanha e se faz c\u00famplice. <\/p>\n<p>\u201cCaminhando pela estrada,<br \/>\nEu olho em volta e s\u00f3 vejo pegadas.<br \/>\nMas, n\u00e3o s\u00e3o as suas, eu sei, eu sei&#8230;\u201d <\/p>\n<p>Reparem no lirismo da frase \u201cO vento faz eu lembrar voc\u00ea\u201d. E logo a seguir a conclus\u00e3o que n\u00e3o permite qualquer d\u00favida: \u201cAs folhas caem mortas como eu\u201d. <\/p>\n<p>II. <\/p>\n<p>A seguir vem outro verso que chama aten\u00e7\u00e3o: <\/p>\n<p>\u201cQuando olho no espelho<br \/>\nestou ficando velho e acabado\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca em que a m\u00fasica foi lan\u00e7ada, eu estava na faixa dos vinte e tantos anos. Ao ouvir a aridez dessas palavras, imaginava-me no futuro, quando tivesse essa faixa et\u00e1ria. Como seria? O que levaria um homem tido, havido e j\u00e1 vivido a enfrentar-se com tanta crueza diante de si mesmo. Seria poss\u00edvel amar tanto assim? O que se sente diante do espectro do que se foi um dia? Essas inquieta\u00e7\u00f5es me deixavam previamente triste com a possibilidade de algu\u00e9m passar pela vida no rastro de um grande amor que se transformara num enorme \u2013e inesquec\u00edvel \u2013 equ\u00edvoco. <\/p>\n<p>&quot;Procuro encontrar<br \/>\nN\u00e3o sei onde est\u00e1 voc\u00ea<br \/>\nVoc\u00ea voc\u00ea&#8230;.&quot;<\/p>\n<p>E termina:<\/p>\n<p>&quot;O vento faz eu lembrar voc\u00ea<br \/>\nAs folhas caem mortas como eu&#8230;<br \/>\nA lua e eu \u201c<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Ao escutar a can\u00e7\u00e3o hoje \u2013 e digo logo que adoro ouv\u00ed-la, e n\u00e3o estou t\u00e3o acabadinho assim, n\u00e3o \u2013 acontece justamente o contr\u00e1rio. Retomo o passado que, parece, n\u00e3o passou. Foi ontem &#8211; e l\u00e1 se v\u00e3o 30 anos. As inquieta\u00e7\u00f5es permancecem. E tamb\u00e9m os sonhos pueris de um jovem cabeludo \u2013 um quase jornalista \u2013 que acreditava no poder transformador da arte. <\/p>\n<p>Poesia e can\u00e7\u00e3o diriam por n\u00f3s.<\/p>\n<p>E assim far\u00edamos &#8212; eu e os da minha gera\u00e7\u00e3o &#8211; um mundo melhor, onde todos viveriam e professariam a paz. Um mundo solid\u00e1rio. Amar deixaria de ser verbo intransitivo para ser conjungado reciprocamente. Todas as procuras levariam a todos os encontros. <\/p>\n<p>O compartilhar seria a palavra-chave da nova era.<\/p>\n<p>Assim, os desencontros s\u00f3 apareceriam como tema de uma velha can\u00e7\u00e3o do passado. Uma can\u00e7\u00e3o que ouvir\u00edamos em respeitoso sil\u00eancio, pois ningu\u00e9m mais estaria habilitado a cant\u00e1-la. De t\u00e3o feliz que ser\u00edamos&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Confira a letra na \u00edntegra&#8230;<\/p>\n<p>\u201cMais um ano se passou<br \/>\nE nem sequer ouvi falar seu nome, a lua e eu<br \/>\nCaminhando pela estrada<br \/>\nEu olho em volta e s\u00f3 vejo pegadas<br \/>\nMas n\u00e3o s\u00e3o as suas eu sei,<br \/>\nEu sei, eu sei<br \/>\nO vento faz eu lembrar voc\u00ea<br \/>\nAs folhas caem mortas como eu<br \/>\nQuando olho no espelho<br \/>\nEstou ficando velho e acabado<br \/>\nProcuro encontrar<br \/>\nN\u00e3o sei onde est\u00e1 voc\u00ea<br \/>\nVoc\u00ea voc\u00ea&#8230;.<br \/>\nO vento faz eu lembrar voc\u00ea<br \/>\nAs folhas caem mortas como eu&#8230;<br \/>\nA lua e eu \u201c<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A can\u00e7\u00e3o A Lua e Eu \u00e9 um cl\u00e1ssico. Bastou ouv\u00ed-la uma vez \u2013 quando foi lan\u00e7ada em 76 ou 78? \u2013 para n\u00e3o mais esquec\u00ea-la. 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