{"id":10554,"date":"2007-03-25T00:00:00","date_gmt":"2007-03-25T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:58:25","modified_gmt":"2017-09-15T19:58:25","slug":"try-a-little-tenderness","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/try-a-little-tenderness\/","title":{"rendered":"Try a little tenderness"},"content":{"rendered":"<p>&quot;&#8230;\u00da shimaibe uili<br \/>\nA iu son tu go ui file&#8230; &quot;<\/p>\n<p>Entenderam? Nem eu&#8230; <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, naquela her\u00f3ica reda\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m compreendia o que o mo\u00e7o, fot\u00f3grafo dos bons, cantarolava diariamente, todos os dias&#8230;<\/p>\n<p>Perdoem o ru\u00eddo dissonante da redund\u00e2ncia. <\/p>\n<p>Mas, aqui, se faz imprescind\u00edvel. Quero que tenham uma vaga id\u00e9ia do sofrimento que era ouvi-lo todos os dias, diariamente. A hist\u00f3ria s\u00f3 faz sentido se os meus car\u00edssimos cinco leitores avaliarem o que aturamos ali, naquelas semanas \u2013 sim, porque foram semanas intermin\u00e1veis; meses talvez.<\/p>\n<p>Para piorar, nem os mais versados no idioma do Tio Sam conseguiam traduzir, no quase relinchar do amigo, uma remota possibilidade de algo compreens\u00edvel e de boa prosa. Provavelmente, o pr\u00f3prio rapaz pouco se dava com o que queria dizer a onomatop\u00e9ia supracitada. <\/p>\n<p>&#8212; Bem se v\u00ea que voc\u00eas n\u00e3o entendem nada de um cl\u00e1ssico da m\u00fasica americana \u2013 respondia sempre que algu\u00e9m &#8216;educadamente&#8217; o mandava calar a boca e parar com aquela sess\u00e3o de implac\u00e1vel tortura. <\/p>\n<p>Alguns amea\u00e7aram pedir demiss\u00e3o por insalubridade ou reivindicavam adicional por risco de enlouquecimento.<\/p>\n<p>N\u00e3o estavam, de todo, sem raz\u00e3o, convenhamos.<\/p>\n<p>II. <\/p>\n<p>Numa certa manh\u00e3, sem que ele soubesse, destacamos um dos nossos para a secreta incumb\u00eancia de descobrir causa e conseq\u00fc\u00eancia daquela compuls\u00e3o estranha e quase esquizofr\u00eanica. Explicar o inexplic\u00e1vel era a tarefa.  E l\u00e1 se foi um especialista na tal corrente do jornalismo investigativo \u00e0 ca\u00e7a do segredo do nosso cantante injuriado.<\/p>\n<p>Por que tanta estrat\u00e9gia? <\/p>\n<p>Pensem bem. Pensem comigo: se um rep\u00f3rter-fotogr\u00e1fico incomoda muito a gente (nas reda\u00e7\u00f5es), um rep\u00f3rter-fotogr\u00e1fico cantante incomoda bem mais. <\/p>\n<p>Concordam?<\/p>\n<p>N\u00e3o? Um dia explico. <\/p>\n<p>Continuemos com a nossa historia&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi necess\u00e1rio muito tempo para que descobrissemos o \u00f3bvio. Tinha mulher na jogada. <\/p>\n<p>Como n\u00e3o imaginamos?<\/p>\n<p>Causa e conseq\u00fc\u00eancia, mais do que simples. Toda vez que o mo\u00e7o via a exuber\u00e2ncia da menina revisora, rec\u00e9m-chegada de uma pequena cidade interiorana, sentia reverberar a alma no embalo do tal pungente cl\u00e1ssico da soul music. <\/p>\n<p>Outro mist\u00e9rio que esclareceu o nosso filhote de \u2018Percival de Souza\u2019. Chamava-se Try a Little Tenderness a can\u00e7\u00e3o que ele teimava em balbuciar. Sequer chegou a ser um grande sucesso em plagas brasileiras. Foi escrita em 1933 por Jimmy Campbell e teve s\u00e9rie de grava\u00e7\u00f5es, inclusive uma de Sinatra. <\/p>\n<p>Est\u00e1vamos na pista certa. Por\u00e9m, \u00e9 claro que todos aqueles uivos n\u00e3o poderiam ter sa\u00eddo do repert\u00f3rio do insuper\u00e1vel The Voice.<\/p>\n<p>Explica-se.<\/p>\n<p>Em meados dos anos 60, a m\u00fasica ganhou uma vers\u00e3o soul de Ottis Reading e depois uma leitura fe\u00e9rica de um grupo americano chamado Tree Dog Night, que era a vers\u00e3o  preferida do rapaz. <\/p>\n<p>Mesmo com tanta informa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pod\u00edamos comemorar. Ainda&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou citar nomes porque n\u00e3o quero confus\u00e3o por aqui. Somos um blog de paz e amor \u2013 ali\u00e1s, como bem provam relatos anteriores. Mas, tenho que dizer: a caipirinha era mesmo muito jeitosa. Linda. E melhorava a cada dia&#8230; <\/p>\n<p>Quanto a can\u00e7\u00e3o, desconfio que nem o pr\u00f3prio sabia porque insistia em cantarolar para espanto dos outros funcion\u00e1rios. Mas, era autom\u00e1tico. Bastava olhar a mo\u00e7a, de relance que fosse, e pintava aquela zonzeira. Tinha \u00edmpetos de imitar o esgani\u00e7ado vocalista do Tree Dog Night e, enrolando a l\u00edngua, lhe implorar um breve gesto de ternura, um sorriso que fosse. Que, ali\u00e1s, nunca acontecia&#8230;<\/p>\n<p>Que tristeza. E tome u\u00edvos em nossos ouvidos&#8230;<\/p>\n<p>V. <\/p>\n<p>Um dia, o flagramos triste, parado no meio daquela perigosa escada em caracol que unia a revis\u00e3o \u00e0 reda\u00e7\u00e3o no mezanino. Ora cantarolava baixinho, ora parecia  conversar consigo mesmo em voz alta. N\u00e3o suspeitou que era observado.<\/p>\n<p>&#8212; Caiu a ficha que ele \u00e9 carta fora do baralho &#8211; algu\u00e9m sussurou no grupo. <\/p>\n<p>A cena era essa mesmo. Ele se dera conta que ela o transtornava &#8212; e n\u00e3o era coisa recente. A indiferen\u00e7a da mo\u00e7a, por\u00e9m, recomendava prud\u00eancia. Mas, o baticum do pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o insistia, enganoso e enganador<\/p>\n<p>&#8212; Talvez seja s\u00f3 uma quest\u00e3o de jeito&#8230;<\/p>\n<p>Tentou se convencer.<\/p>\n<p>Por instantes, parec\u00edamos estar vendo cenas do filme Don Juan di Marco. Uma alegoria rom\u00e2ntica entre a realidade e a fantasia que torna os dias menos cinzas, menos iguais.  Mas, foi s\u00f3 por alguns instantes. <\/p>\n<p>Logo ficou desenxavido. Parece que a Senhora Raz\u00e3o viera ao seu encontro . Para conscientiz\u00e1-lo ou jog\u00e1-lo escada abaixo. Em tom professoral colocava as coisas no devido lugar:<\/p>\n<p>&#8212; Preste aten\u00e7\u00e3o, meu garoto. Voc\u00ea nem sabe o que se passa naquela cabecinha, de longos e finos cabelos castanhos (Viram? At\u00e9 a Raz\u00e3o, apesar da sobriedade, se engra\u00e7ara com ela). Se ela est\u00e1 em outra. \u00c9 mais do que prov\u00e1vel. \u00c9 uma mulher bonita e tal. <\/p>\n<p>E ponderou:<\/p>\n<p>&#8212; S\u00f3 n\u00e3o digo que n\u00e3o vai acontecer porque, voc\u00ea sabe, eu nunca digo nunca. Mas, veja, n\u00e3o h\u00e1 um ind\u00edcio qualquer de que o sim esteja pr\u00f3ximo &#8212; insistia, com toda raz\u00e3o, a rouca voz da Raz\u00e3o.<\/p>\n<p>* CONTINUA AMANH\u00c3&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;&#8230;\u00da shimaibe uili<br \/>\nA iu son tu go ui file&#8230; &quot;<\/p>\n<p>Entenderam? 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