{"id":10555,"date":"2007-03-26T00:00:00","date_gmt":"2007-03-26T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:58:25","modified_gmt":"2017-09-15T19:58:25","slug":"try-a-little-tenderness-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/try-a-little-tenderness-2\/","title":{"rendered":"Try a little tenderness 2"},"content":{"rendered":"<p>VI.<\/p>\n<p>Entendeu, ent\u00e3o, que as chances eram remot\u00edssimas, siberianas, absurdas. Mesmo assim n\u00e3o perdeu as esperan\u00e7as. Seus olhos n\u00e3o se controlavam. Desceu alguns degraus para v\u00ea-la. E l\u00e1 estava ela com seu porte de princesa entretida no revisar letrinha por letrinha o jornal do dia seguinte. <\/p>\n<p>Fez uma doce viagem ao redor dos sonhos e da fantasia. Que situa\u00e7\u00e3o! Estava ali t\u00e3o pr\u00f3xima a ponto de poder abra\u00e7\u00e1-la e&#8230;<\/p>\n<p>O passo em falso, em um dos degraus, fez com que retornasse \u00e0 realidade. Deu meia-volta e r\u00e1pido subiu para a reda\u00e7\u00e3o ainda vazia. Viu o descalabro de fotos sobre a mesa do editor e concluiu que era melhor enfrentar o risque e rabisque da vida.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que ela percebeu? Se percebeu, o que estaria pensando? <\/p>\n<p>Sentou na cadeira girat\u00f3ria do chefe e fez que n\u00e3o estava nem a\u00ed para o vozerio que vinha do andar inferior, onde a bela agora sorria feliz. <\/p>\n<p>Estariam rindo dele?<\/p>\n<p>VII.  <\/p>\n<p>No andar de cima, o mo\u00e7o era s\u00f3 incerteza. Inquietou-se e, para disfar\u00e7ar o indisfar\u00e7\u00e1vel, se p\u00f4s a brincar de girar. Gira pra c\u00e1, gira pra l\u00e1&#8230; <\/p>\n<p>N\u00e3o conseguia se concentrar no servi\u00e7o&#8230; <\/p>\n<p>Em caras e bocas, esfor\u00e7ava-se para come\u00e7ar a edi\u00e7\u00e3o. Franzia a testa, demonstrava preocupa\u00e7\u00e3o. Mas, o pensamento lhe escapava, louco para descer e se inteirar do que estava acontecendo. Estancou a cadeira e pensou em voz alta: <\/p>\n<p>&#8212; Nunca a vi t\u00e3o linda&#8230; <\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>A bem da verdade, ponderou, qualquer trapinho lhe ca\u00eda bem. Mas aquela cal\u00e7a de crepe indiano, em tom claro, e a mini-blusa, sensual\u00edssimas, insinuavam que a perfei\u00e7\u00e3o era poss\u00edvel e estava logo ali, a dez ou doze degraus abaixo&#8230;<\/p>\n<p>Esfregou a palma da m\u00e3o direita na parte de tr\u00e1s do pr\u00f3prio cabelo, no melhor estilo F\u00e1bio J\u00fanior. Reviu a cena de h\u00e1 pouco e o di\u00e1logo imagin\u00e1rio com a Senhora Raz\u00e3o n\u00e3o lhe sa\u00edam da mente. Ao chegar, passou por ela \u2013 e a cumprimentou. Ela respondeu, com um breve \u2018oi\u2019 e sequer o olhou.  Percebeu que toda aquele encanto estava a lhe escapar por entre os dedos. N\u00e3o olhava. N\u00e3o sorria. Pouco falava. Estancou na escada porque concluiu: n\u00e3o queria.<\/p>\n<p>Outra vez, o desespero. Precisava fazer algo, com urg\u00eancia. Iria descer, interromper o que ela estava fazendo e, na frente de todos, expor em g\u00eanero, n\u00famero e grau o que estava sentindo&#8230;<\/p>\n<p>IX.<\/p>\n<p>Bobagem&#8230; <\/p>\n<p>Seria uma demonstra\u00e7\u00e3o p\u00fablica do seu rid\u00edculo. Entre assustada e envaidecida, sobraria para os ouvidos dele um sonoro n\u00e3o. Precisaria ser algo assim mais discreto, algo mais convincente&#8230;<\/p>\n<p>Poderia lhe escrever. Um bilhete?  Achou pouco. Uma carta? Achou muito. N\u00e3o queria aborrec\u00ea-la. Tamb\u00e9m n\u00e3o havia carteiro que servisse de uma se\u00e7\u00e3o para outra. Poesia? Calma, calma, n\u00e3o tinha talento para tanto. Um torpedo? Perigoso. E se ela o interpretasse mal. Um email. Sim, seria seria uma boa. Mas, a d\u00favida. Por onde come\u00e7aria? <\/p>\n<p>Descobriu seu endere\u00e7o eletr\u00f4nico na agenda da chefia. <\/p>\n<p>N\u00e3o pensou duas vezes. Foi para o computador, abriu um arquivo com o nome dela e, como um virtuose, enfrentou o teclado, inspirad\u00edssimo:<\/p>\n<p>&quot;\u00da shimaibe uili&#8230;A i\u00fa son tu go ui file&#8230;&quot;<\/p>\n<p>X.<\/p>\n<p>Se deu certo a estrat\u00e9gia? N\u00e3o sei. Sei que os dois se casam agora, numa desses s\u00e1bados de abril, quando o c\u00e9u se faz de um azul \u00fanico aos olhos de quem vive um grande amor.<\/p>\n<p>Nota do Autor 1 &#8211;<\/p>\n<p>Para \u00c2ngelo e Daniela que se casam nas pr\u00f3ximas semanas. A hist\u00f3ria dos dois n\u00e3o \u00e9 exatamente esta. Mas, tamb\u00e9m n\u00e3o fica muito longe disso, n\u00e3o. Na verdade, todas as hist\u00f3rias de amor se parecem&#8230; <\/p>\n<p>Nota do Autor 2 &#8211; <\/p>\n<p>Try a little tenderness<\/p>\n<p>* Jimmy Campbell<\/p>\n<p>Oh she may be weary<br \/>\nThose young girls they do get weary<br \/>\nWearing that same old shaggy dress<br \/>\nBut when she gets weary<br \/>\nYou try a little tenderness<\/p>\n<p>I know she&#8217;s waiting<br \/>\nJust anticipating<br \/>\nThe thing that you&#8217;ll never never possess<br \/>\nNo no no but while she&#8217;s there waiting<br \/>\nTry just a little bit of tenderness<\/p>\n<p>That&#8217;s all you got to do<br \/>\nNow it&#8217;s not just sentimental no<br \/>\nBut she has her griefs and cares<br \/>\nBut the soft words they are spoke so gentle<br \/>\nYeah yeah yeah<br \/>\nAnd it makes it easier to bear<br \/>\nOh she won&#8217;t regret it, no no<br \/>\nThem young girls they don&#8217;t forget it<br \/>\nLove is their whole happiness<br \/>\nYeah yeah yeah<br \/>\nBut its all so easy<br \/>\nAll you got to do is try<br \/>\nTry a little tenderness<\/p>\n<p>You&#8217;ve got to<br \/>\nHold her<br \/>\nSqueeze her<br \/>\nNever leave her<br \/>\nNow get to her<br \/>\nGot got got to try a little tenderness<\/p>\n<p>You&#8217;ve got to hold her<br \/>\nDon&#8217;t squeeze her<br \/>\nNever leave her<br \/>\nYou&#8217;ve got to (break)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VI.<\/p>\n<p>Entendeu, ent\u00e3o, que as chances eram remot\u00edssimas, siberianas, absurdas. 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