{"id":10584,"date":"2007-04-20T00:00:00","date_gmt":"2007-04-20T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:58:22","modified_gmt":"2017-09-15T19:58:22","slug":"barbarella-e-o-anjo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/barbarella-e-o-anjo\/","title":{"rendered":"Barbarella e o anjo"},"content":{"rendered":"<p>L\u00e1 nos antigamente, quando completei 18 anos, os cinemas da cidade exibiam&#8230; Barbarella, de Roger Vadim. A estonteante Jane Fonda fazia o papel de uma terr\u00e1quea em pleno s\u00e9culo 41. Era uma agente com a insignificante tarefa de salvar a Terra da amea\u00e7a de uma guerra interplanet\u00e1ria. Finalmente, o Universo vivia um tempo de paz, mas uma for\u00e7a das trevas queria por fim \u00e0 toda essa harmonia. Acho que era assim o enredo ou, no m\u00ednimo, algo bem pr\u00f3ximo a isso. <\/p>\n<p>Jane Fonda era casada com o diretor na vida real. Jovem e loira, na linha das sucessoras da francesa Brigite Bardot, tamb\u00e9m ex-senhora Vadim, vulgo o pegador. Ela disputava tal legado palmo a palmo &#8211; ou melhor, curva a curva &#8211; com outras beldades lindas e loiras como Ann  Margret (Viva Las Vegas, ao lado Elvis Presley), Ursula Andrews (007 Contra o Sat\u00e2nico Doutor No, com Sean Connery de peruquinha  para esconder a calv\u00edcie), Raquel Welch (um punhado de filmes menores, dos quais sequer me lembro o nome) e a tamb\u00e9m francesa e outra ex-senhora Vadim, Catherine Deneuve (A  Bela da Tarde).<\/p>\n<p>D\u00e1 para notar que, por motivos \u00f3bvios, assuntos cinematogr\u00e1ficos sempre me interessaram &#8211; e muito.<\/p>\n<p>Foi com esse entusiasmo que fui assistir ao filme. Entusiasmo que aumentou entusiasticamente quando os jornais &#8211; santos jornais e jornalistas &#8211; divulgaram que a pel\u00edcula come\u00e7ava com um strip da hero\u00edna intergalactica. Ela se despia das pesadas roupas de astronauta a levitar dentro de uma c\u00e2mera de vidro transparente para \u00eaxtase e alegria dos meus olhos juvenis, gulosos e sonhadores. <\/p>\n<p>Certamente, \u00e9 uma cena que deve figurar em qualquer antologia do cinema mundial. Mas que, vista pelos par\u00e2metros atuais, pode ser exibida sem cortes em qualquer aula de catecismo, dada \u00e0 sua ingenuidade na perspectiva dos usos e costumes de hoje.<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>Nunca mais revi o filme. Mas, tamb\u00e9m n\u00e3o o esqueci, como percebem. A bem da verdade, uma m\u00fasica da \u00e9poca (fim dos anos 60) contribuiu para tanto. Apareceu no disco Pa\u00eds Tropical, de Benjor, que ainda atendia pelo nome de Jorge Ben. Eu gostava de cant\u00e1-la. \u00d3bvio, era uma can\u00e7\u00e3o de amor \u00e0 Barbarella.<\/p>\n<p>Eis a letra:<\/p>\n<p>&quot;Na dimens\u00e3o azul e rosa<br \/>\nNo infinito celestial da quinta gal\u00e1xia<br \/>\nQuem me dera eu ser intergal\u00e1ctico<br \/>\nPara dormir nas estrelas<br \/>\nS\u00f3 falando de amor com voc\u00ea<br \/>\nPois eu sonhei com voc\u00ea, Barbarella<br \/>\nEu sonhei com voc\u00ea, Barbarella<br \/>\nE no meu sonho o c\u00e9u explodiu com tamanha concuss\u00e3o<br \/>\nQue um aster\u00f3ide danificou minha bela astronave<br \/>\nMe mandando de volta pra terra<br \/>\nMas, eu sonhei com voc\u00ea, Barbarella<br \/>\nEu sonhei com voc\u00ea, Barbarella<br \/>\nBarbarella, meu desejo<br \/>\nUma terrestre pra frente<br \/>\nBarbarella, a V\u00eanus em pessoa<br \/>\nNo pr\u00f3ximo foguete pra lua<br \/>\neu vou atr\u00e1s de voc\u00ea<br \/>\nOra se vou<br \/>\nMas, eu sonhei com voc\u00ea, Barbarella<br \/>\nEu sonhei com voc\u00ea, Barbarella&quot; <\/p>\n<p>Mas, querem saber? Inesquec\u00edvel e divertida mesmo \u00e9 outra cena. Entre uma batalha e outra, a musa encontra um anjo cego, interpretado por um ator loiro, alt\u00e3o de porte atl\u00e9tico e grandes asas. Claro que a mo\u00e7a &#8211; que, como bem disse Benjor, era uma terrestre pra frente, moderninha &#8211; trata de seduzir o bonit\u00e3o na primeira oportunidade. O anjo, por sua vez, topa a parada de muito bom grado. \u00c9 anjo, mas n\u00e3o se faz de rogado e n\u00e3o est\u00e1  morto, diga-se. Por\u00e9m, avisa que a transa futurista n\u00e3o tem nada a ver, com o que a humanidade praticou, durante s\u00e9culos e s\u00e9culos de atraso e t\u00e9dio. <\/p>\n<p>Naquele pseudo tempo futurista, a coisa toda \u00e9 mais ac\u00e9ptica. Instant\u00e2nea. Time is money, ok? Os parceiros tomam um comprimidinho e se postam um de frente para o outro. Encostam a palma da m\u00e3o esquerda, um na m\u00e3o do outro, e trocam vibra\u00e7\u00f5es fant\u00e1sticas. Uau!!!<\/p>\n<p>D\u00e1-se o primeiro ronde &#8211; e nossa hero\u00edna volta a si levinha, levinha. Sempre cordial, o anjo faz aquela pergunta b\u00e1sica nessas horas &#8211; e que sempre foi b\u00e1sica desde que o mundo \u00e9 mundo e n\u00f3s somos n\u00f3s. <\/p>\n<p>&#8212; Foi bom meu bem?<\/p>\n<p>Educada, Barbarella diz que sim. Foi legal. &quot;Prafrentex&quot; que \u00e9, toma a iniciativa e prop\u00f5e uma segunda rodada. S\u00f3 que, desta vez, insiste ela, \u00e0 moda antiga. <\/p>\n<p>O anjo est\u00e1 entregue &#8211; e n\u00e3o tem como dizer n\u00e3o. O que se v\u00ea, ent\u00e3o, nas cenas seguintes s\u00e3o penas e mais penas que voam da asa do dito cujo &#8212; ali\u00e1s, nada mais \u00e9 preciso mostrar para que a plat\u00e9ia entenda o que se passou. \u00d3bvio que, na flor da idade, morri de inveja.<\/p>\n<p>Minutos depois os personagens reaparecem em cena e \u00e9 a vez do mo\u00e7a fazer a c\u00e9lebre pergunta:<\/p>\n<p>&#8212; E a\u00ed, anj\u00e3o, gostou?<\/p>\n<p>O ser alado mesmo cego parece ter visto estrelas. Enquanto apluma o que restou das asas, n\u00e3o tem d\u00favida em afirmar:<\/p>\n<p>&#8212; \u00c0 moda antiga, reconhe\u00e7o, \u00e9 muito melhor!!! <\/p>\n<p>N\u00e3o me recordo se partiram para um terceiro ronde. Mas, \u00e9 bem prov\u00e1vel&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00e1 nos antigamente, quando completei 18 anos, os cinemas da cidade exibiam&#8230; Barbarella, de Roger Vadim. A estonteante Jane Fonda fazia o papel de uma terr\u00e1quea em pleno s\u00e9culo 41. 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