{"id":10600,"date":"2007-05-04T00:00:00","date_gmt":"2007-05-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:57:31","modified_gmt":"2017-09-15T19:57:31","slug":"um-dia-cinza-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/um-dia-cinza-2\/","title":{"rendered":"Um dia cinza"},"content":{"rendered":"<p>\u201cSe quiseres ser curado,<br \/>\ndescobre a tua ferida\u201d &#8212; Bo\u00e9zio<\/p>\n<p>H\u00e1 dias que s\u00e3o mais assim do que outros. Sabe-se l\u00e1 o que pesa, incomoda, desassossega a alma. Mas, a verdade verdadeira \u00e9 que eu, voc\u00ea, todos n\u00f3s estamos sujeitos a esse tipo de tristeza inomin\u00e1vel, que mal sabemos de onde vem ou para onde vai&#8230; <\/p>\n<p>E a m\u00e3e da gente se preocupa&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; O que voc\u00ea tem filho? <\/p>\n<p>O amigo pergunta&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; E as boas? <\/p>\n<p>Mas, quem nos conhece sabe a resposta. <\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o tenho nada.<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o h\u00e1 boas. <\/p>\n<p>Em casa, n\u00e3o escapamos do interrogat\u00f3rio sobre o que se tem ou deixa de ter. S\u00f3 que nem voc\u00ea mesmo tem a resposta. Acordou em peda\u00e7os, feito um filet aperitivo. E agora, feito um carro a \u00e1lcool das antigas, com a bateria arriada, tem mais \u00e9 que pegar no tranco e enfrentar um longo dia de trabalho.<\/p>\n<p>Os mais corajosos tentam melhorar o que se convencionou chamar de \u201castral\u201d, como se fossemos sol, lua ou qualquer outro corpo celestial. E falam e aconselham e recomendam. Valem exemplos idos e vividos, po\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas que curam cara-feia, rem\u00e9dios milagrosos, piadas de todos os n\u00edveis e gostos, consultas ao hor\u00f3scopo e os esgar\u00e7ados chav\u00f5es, tipo \u201cpoderia ser pior\u201d ou \u201cmelhor assim, ao menos voc\u00ea est\u00e1 empregado\u201d. <\/p>\n<p>Assim a gente vai levando, tocando em frente, fazendo o tempo escoar pelo v\u00e3o dos dedos da m\u00e3o. Por mais otimistas e bem-humorados, imagino que, em algum momento da vida, todos n\u00f3s j\u00e1 enfrentamos a barra \u201cde estar pra baixo\u201d. A\u00ed, companheiro, n\u00e3o h\u00e1 Dalai Lama ou Paulo Coelho que d\u00eaem jeito.<\/p>\n<p>Um velho e saudoso amigo dizia que a gente sempre sabe aonde \u201caperta o nosso sapato\u201d. E olha que ele, o Z\u00e9 Armando, nem chegou a conhecer as mutretas dos dias atuais. Esse clima de fast-food em todos os n\u00edveis. O vale tudo das emo\u00e7\u00f5es bizarras. O deixa estar para ver como \u00e9 que fica. <\/p>\n<p>Z\u00e9 Armando era do bem. Dizia que, nessas ocasi\u00f5es, dev\u00edamos fazer um sincero exame de consci\u00eancia e, despachadamente, enfrentar as quest\u00f5es que nos afligem e, sem tentar encontrar justificativas ou argumentos, exibi-las aos pr\u00f3prios olhos e tentar resolv\u00ea-las. \u00c9 certo que haver\u00e1 algum custo pessoal e\/ou financeiro, ou os dois. A vida \u00e9 assim. H\u00e1 sempre um pre\u00e7o a pagar. <\/p>\n<p>Para os brasileiros, que vivem no reino da impunidade, outra express\u00e3o adequada seria: \u201ch\u00e1 sempre um imposto a pagar\u201d. Mesmo assim, tal e qual bula de rem\u00e9dio, recomenda-se saber quais os problemas que nos incomodam e\/ou os inimigos que rondam nossa moradia. <\/p>\n<p>Melhor enfrent\u00e1-los do que ficar se remoendo pelos cantos, arrastando-se estrada afora em queixas e lamenta\u00e7\u00f5es que, se olharmos com profundidade, n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o importantes. Mesmo em dias de lua cheia como os atuais. <\/p>\n<p>O post n\u00e3o tem resposta para tantas quest\u00f5es. Ali\u00e1s, para ser sincero, nem eu tinha qualquer hist\u00f3ria para lhes contar hoje. Tanto que fui buscar l\u00e1 na se\u00e7\u00e3o \u201cCaro Leitor\u201d e adaptei um texto que melhor refletisse a sexta-feira inexplicavelmente triste.<\/p>\n<p>Ademais, \u00e9 sempre oportuno falar da vida. Afinal, h\u00e1 textos que s\u00e3o mais assim do que outros.<\/p>\n<p>* Fim do post, mas n\u00e3o da vontade de enfileirar letrinhas para meus diletos cinco ou seis leitores. Ou como dizia minha av\u00f3 Ign\u00eas h\u00e1 tempos: <\/p>\n<p>&#8212; Ruim com ele, pior sem ele. <\/p>\n<p>Referia-se ao meu av\u00f4 Carlito, breaco e inst\u00e1vel como todos os napolitanos, que lhe levava num couro cortado at\u00e9 que faleceu num dia de outono.  <\/p>\n<p>Mas, eram outros tempos. E uma outra hist\u00f3ria que fica para outro dia menos cinza&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cSe quiseres ser curado,<br \/>\ndescobre a tua ferida\u201d &#8212; Bo\u00e9zio<\/p>\n<p>H\u00e1 dias que s\u00e3o mais assim do que outros. 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