{"id":10601,"date":"2007-05-05T00:00:00","date_gmt":"2007-05-05T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:57:31","modified_gmt":"2017-09-15T19:57:31","slug":"virada-cultural","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/virada-cultural\/","title":{"rendered":"Virada cultural"},"content":{"rendered":"<p>Dormi o s\u00e1bado todo.<br \/>\nTanto, mas tanto que at\u00e9 perdi a hora de blogar. <\/p>\n<p>H\u00e1 um motivo, ao menos justific\u00e1vel, para o pesado sono. Estava me preparando para a terceira edi\u00e7\u00e3o da Virada Cultural paulistana. Perdoem-me. Mas, considerem. N\u00e3o sou mais um menino. Como ent\u00e3o aproveitar essa not\u00e1vel promo\u00e7\u00e3o da Prefeitura de S\u00e3o Paulo em nome das artes? H\u00e1 uma \u00eanfase especial para a m\u00fasica popular \u2013 e voc\u00eas sabem o quanto gosto de m\u00fasica. Ao menos, fica clara essa paix\u00e3o em todos meus post-cr\u00f4nicas&#8230;<\/p>\n<p>A partir das 18 horas de hoje, ser\u00e3o aproximadamente 350 atra\u00e7\u00f5es a se revezarem em diversos palcos espalhados pelos quatro cantos da cidade. De Na\u00e7\u00e3o Zumbi a Erasmo Carlos. De Jo\u00e3o Bosco a Edgard Scandurra. De Juca Chaves a Fernanda Porto. H\u00e1 op\u00e7\u00f5es para todos os gostos.<\/p>\n<p>Por isso, fiz quest\u00e3o de estar inteiro para a maratona de espet\u00e1culos. N\u00e3o posso perder o show de Alceu Valen\u00e7a que abre a Virada, na Pra\u00e7a da S\u00e9 de tantas hist\u00f3rias. Depois quero ver o Erasmo e o Clube do Balan\u00e7o no Teatro Municipal, ali na Pra\u00e7a Ramos de Azevedo. Ah! Tem tamb\u00e9m o show da Tet\u00ea Spindola, no CEU Navegantes. Diz a nota que leio nos jornais: \u201cA compositora instrumentista, dona de voz inconfund\u00edvel, far\u00e1 uma aula-show, com direito a can\u00e7\u00f5es inspiradas no canto dos p\u00e1ssaros\u201d.<\/p>\n<p>Canto dos p\u00e1ssaros? Sei, sei. <\/p>\n<p>Acho que deve ser o mesmo espet\u00e1culo \u2013 ou muito pr\u00f3ximo a ele \u2013 que a editora Beth Cal\u00f3 me incumbiu de cobrir para o Caderno de Cultura do DCI, ainda nos anos 90. Inesquec\u00edvel. <\/p>\n<p>Fui na estr\u00e9ia. Havia cinco pessoas na plat\u00e9ia e eu. Tet\u00ea vinha de uma temporada de pesquisa na Amaz\u00f4nia, me parece. Colheu uma s\u00e9rie de cantos de p\u00e1ssaros nativos. A partir da\u00ed, bolou o show experimento que obedecia o seguinte roteiro. Os cinco ou seis espectadores de Tet\u00ea ouviam a grava\u00e7\u00e3o do canto original do p\u00e1ssaro e a seguir a cantora o reproduzia igualzinho, igualzinho. Outro p\u00e1ssaro, outra grava\u00e7\u00e3o e outra perfeita interpreta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Foi hora e meia de espet\u00e1culo assim&#8230;<\/p>\n<p>Em determinado momento da apresenta\u00e7\u00e3o, ela desce do palco com o microfone na m\u00e3o. Imita um p\u00e1ssaro e pede a um espectador que reproduza o mesmo som.<\/p>\n<p>&#8212; \u00c9 f\u00e1cil, ou\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>Pode ter sido simples para os cinco presentes \u2013 at\u00e9 porque n\u00e3o estranharia se fossem parentes e conhecidos da mo\u00e7a. Mas, para este pobre escriba foi um inenarr\u00e1vel vexame.<\/p>\n<p>Quando ela imitou um bem-te-vi e pediu para que euzinho a acompanhasse na interpreta\u00e7\u00e3o, s\u00f3 consegui dizer um acabrunhado: <\/p>\n<p>\u201cHam! O qu\u00ea? Como assim?\u201d<\/p>\n<p>Foi traumatizante. <\/p>\n<p>Tanto que nem consegui fazer o texto para o jornal. E at\u00e9 hoje, vez ou outra, sempre que ou\u00e7o o cantar de um bem-te-vi, disfar\u00e7o e trato de sair rapidinho do lugar. Imagino que o bichinho est\u00e1 tirando uma da minha cara. Me d\u00e1 um complexo de inferioridade. De incompet\u00eancia sonora musical. \u00c9 triste&#8230; <\/p>\n<p>Pode ser exagero. Mas vou deixar para outra ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>Restaram Alceu e Erasmo&#8230;<\/p>\n<p>Como assim, o show do Alceu foi \u00e0s 18 horas? O do Erasmo est\u00e1 para come\u00e7ar? Mas, eu moro em S\u00e3o Bernardo. At\u00e9 chegar l\u00e1, j\u00e1 era&#8230; <\/p>\n<p>Ent\u00e3o, vamos a \u00fanica virada que me resta. Vou desligar o computador, dar uma virada na cadeira, me atirar na cama e voltar a dormir&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dormi o s\u00e1bado todo.<br \/>\nTanto, mas tanto que at\u00e9 perdi a hora de blogar. <\/p>\n<p>H\u00e1 um motivo, ao menos justific\u00e1vel, para o pesado sono. 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