{"id":10611,"date":"2007-05-13T00:00:00","date_gmt":"2007-05-13T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T04:08:15","modified_gmt":"2017-09-14T04:08:15","slug":"apartamento-do-gala-partes-i-e-ii","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/apartamento-do-gala-partes-i-e-ii\/","title":{"rendered":"Apartamento do gal\u00e3 (Partes I e II)"},"content":{"rendered":"<p>Da s\u00e9rie <\/p>\n<p>ESQUECER \u00c9 PRECISO, MAS N\u00c3O \u00c9 F\u00c1CIL &#8230;<\/p>\n<p>&#8230; o dia em que o amigo Astrogildo me convenceu a ir com ele para o Rio de Janeiro. Adivinhem quem seria o nosso anfitri\u00e3o na Cidade Maravilhosa? Ningu\u00e9m menos que o ator Marcos Paulo, primo de segundo ou terceiro ou quarto grau do Astro. Ficar\u00edamos, inclusive, hospedados no apartamento do pr\u00f3prio na Lagoa.<\/p>\n<p>Janeiro de mil novecentos e setenta e quebradinhos. <\/p>\n<p>Nunca havia ido ao Rio e, imaginei, seria mam\u00e3o com a\u00e7ucar. Ter\u00edamos casa e comida, portanto s\u00f3 precisaria de uns trocos para \u201crosetar\u201d pelas praias cariocas e ajudar na gasolina para abastecer o possante Fusca 62, verde claro, do Astr\u00e3o. Um prot\u00f3tipo a enfrentar as curvas da Dutra.<\/p>\n<p>Marcamos para a semana do feriado, provavelmente 25 de janeiro, anivers\u00e1rio de S\u00e3o Paulo. Ir\u00edamos na quarta, voltar\u00edamos no domingo. N\u00e3o vi qualquer inconveniente. Mas, deveria&#8230;<\/p>\n<p>Marcos Paulo estava em alta como jovem gal\u00e3 da novela Pigmale\u00e3o 70. Namorava a M\u00e1rcia Mendes, uma apresentadora de telejornal, loura e linda. E o Astro&#8230;<\/p>\n<p>Bem o Astro era o Astro&#8230; Sempre uma surpresa \u2013 o que n\u00e3o significa dizer que era necessariamente boa. Eu era um garot\u00e3o \u2018cabeludo\u2019 e branquelo, raramente ia a praia, como poderia desconfiar? <\/p>\n<p>A id\u00e9ia me encantou. N\u00e3o tive tempo sequer de desconfiar. Outros amigos, como o Osvaldo \u2018Bod\u00e3o\u2019, o Z\u00e9 Roberto e o Formig\u00e3o, preferiram desconversar. Duvidavam do tal parentesco. Refor\u00e7avam a desconfian\u00e7a ao lembrar as dezenas de apelidos do amigo Astro. Caro\u00e7o, Le\u00e3o Marinho, Chicle, Cabe\u00e7\u00e3o, entre outros. Ou seja, o cara n\u00e3o era exatamente um gal\u00e3 e em nada lembrava o primo gal\u00e3.<\/p>\n<p>Mas, o amigo defendia-se heroicamente.<\/p>\n<p>&#8212; A m\u00e3e adotiva dele \u00e9 prima da irm\u00e3 da tia da minha m\u00e3e. Ou vice-versa.<\/p>\n<p>E refor\u00e7ava:<\/p>\n<p>&#8212; Ela convidou a gente para visit\u00e1-la, pergunta para o meu pai, pergunta, pergunta&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o perguntei ao seo Nivaldo, pai do Astro. Deveria. Quando a esmola \u00e9 muita, o santo desconfia. Principalmente quando soube, pelos jornais da \u00e9poca, que Marcos Paulo havia fraturado o f\u00eamur ao cair de uma possante moto. Viajar\u00edamos por aqueles dias. Por isso, os amigos comentaram o assunto. Gorou a viagem, pensamos. O Astro, por\u00e9m, mostrou-se indiferente.<\/p>\n<p>&#8212; Isso n\u00e3o \u00e9 nada, gente. <\/p>\n<p>Algu\u00e9m perguntou para o Astro se ele sabia o que era f\u00eamur. E que o ator deveria estar na cama, imobilizado, a inspirar uma s\u00e9rie de cuidados extras de todos.<\/p>\n<p>O Astro nem deu bola. E, confesso, eu tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>De qualquer forma, adiamos a viagem. Para quinta de manh\u00e3. Ou seja, tudo como dantes&#8230;<\/p>\n<p>Chegamos ao Rio depois de sete horas de viagem. Inesquec\u00edvel a performance do Astro como motorista, vale registrar. Ele insistia em manter o Fusca 62 na pista esquerda da via Dutra, o que impedia a ultrapassagem de outros carros. Inclusive \u2013 e principalmente \u2013 os mais possantes, como um Dodge Dart turbinado e de ronco furioso<\/p>\n<p>&#8212; Passa por cima, bonit\u00e3o \u2013 esbravejava o amigo ao mesmo tempo em que esmurrava o ar com o bra\u00e7o esquerdo para fora da janela aberta a 90 por hora, o que para o Fusca era um esc\u00e2ndalo.<\/p>\n<p>Mesmo assim, sa\u00edmos ilesos da Dutra.<\/p>\n<p>Na cidade, rodamos outro tanto at\u00e9 chegar \u00e0 Lagoa e ao pr\u00e9dio. Subimos com nossa bagagem. Dia de sol absoluto. Calor como nunca havia sentido. \u00d3bvio que n\u00e3o havia interfone, essas modernidades. Por isso, tive uma p\u00e9ssima sensa\u00e7\u00e3o quando chegamos \u00e0 porta do apartamento. Parece que acordei do torpor e ca\u00ed dentro de um pesadelo.<\/p>\n<p>Com a sutileza de um paquiderme dentro de uma loja de lou\u00e7as, o Astro tocou duas ou tr\u00eas vezes a campainha. Ainda esperamos intermin\u00e1veis minutos at\u00e9 que nos atendessem. Apareceu uma senhora, com a bolsa e as chaves nas m\u00e3os. Ficou claro que estava de sa\u00edda. Terminava de se aprontar, por isso a demora em abrir a porta.<\/p>\n<p>Quando viu o Astro, n\u00e3o se conteve:<\/p>\n<p>&#8212; Hugo, eu n\u00e3o pedi para voc\u00ea me avisar antes, bem antes, quando viesse?<\/p>\n<p>Antes de dizer que me senti o pior dos mortais, vou apertar o \u2018pause\u2019 e registrar que o nome completo do amigo era Astrogildo Hugo Tadeu Sim\u00f5es. Astro, para os amigos da rua. Hugo, para familiares e afins (caso expl\u00edcito do gal\u00e3 global e os seus). Z\u00e9, para o seu pai que assim lhe chamava, mesmo depois de lhe imputar quatro nomes. E Jos\u00e9 Carlos, quando era apresentado a uma roda de garotas na praia.<\/p>\n<p>Isto posto, voltemos \u00e0 cena. Play. <\/p>\n<p>Fiquei paralisado e imaginariamente ouvi a sonora gargalhada da turma quando soubesse da bela recep\u00e7\u00e3o. O Astro insistia em lhe chamar de tia. <\/p>\n<p>E a suposta tia s\u00f3 sabia repetir o refr\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8212; Hugo, eu n\u00e3o pedi para voc\u00ea me avisar antes, bem antes, quando viesse?<\/p>\n<p>Olhei para a lixeira, para a escadaria. Mas, n\u00e3o descartei o elevador. Que tal uma sa\u00edda estrat\u00e9gica. A primeira seria mais r\u00e1pida. Deslizaria seis andares abaixo. Uma pena que a mala n\u00e3o cabia ali. Pensei na escada&#8230; Quando ouvi a ordem da senhora quase tia do Astro.<\/p>\n<p>&#8212; E voc\u00ea, menino, larga a porta do elevador!<\/p>\n<p>Soltei de imediato e congelei. S\u00f3 voltei \u00e0 realidade quando ela passou a chave para o Astro e recomendou:<\/p>\n<p>&#8212; Seja o que Deus quiser. Vou ficar com meu filho no hospital que j\u00e1 estou atrasada&#8230;<\/p>\n<p>Consegui entrar no apartamento de m\u00f3veis r\u00fasticos \u2013 \u00e0 \u00e9poca, dizia-se que feitos pelo pr\u00f3prio ator \u2013 depois que a senhora desapareceu elevador abaixo. Mesmo assim, me movimentei com cuidado e sentei na beira da cadeira. Uma inquieta\u00e7\u00e3o derretia a minha alma e consci\u00eancia. N\u00e3o pude cont\u00ea-la e a transformei numa pergunta-resposta quase lamento.<\/p>\n<p>&#8212; Quando a gente vai embora, Astro? Amanh\u00e3, bem cedinho, n\u00e9? Odeio calor. <\/p>\n<p>PARTE II  <\/p>\n<p>A resposta do amigo Astrogildo Hugo Tadeu Sim\u00f5es \u00e0 minha desolada pergunta foi a esperada:<\/p>\n<p>&#8212; Que \u00e9 isso? J\u00e1 que estamos aqui, vamos aproveitar.<\/p>\n<p>E partiu direto para cozinha conferir o que havia de bom na geladeira. <\/p>\n<p>&#8212; Astr\u00e3o, manera. Mal chegamos&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; S\u00f3 quero ver se tem \u00e1gua gelada. Est\u00e1 muito calor.<\/p>\n<p>Minutos depois, o Astro voltou para sala. Mastigando algum alimento.<\/p>\n<p>Preferi contemporizar. Fiz que n\u00e3o vi. Na verdade, foi essa a filosofia que adotei para os pr\u00f3ximos e imprevis\u00edveis tr\u00eas dias. Mesmo naquela tarde ensolarada, enquanto ajeitava minhas coisas, atormentava-me a voz do amigo Formig\u00e3o, um dos tantos a dizer n\u00e3o ao convite do Astro para \u201cconhecer o Rio de Janeiro\u201d. Antes da viagem, ele me alertara:<\/p>\n<p>&#8212; \u00c9 fria, bicho. Salta fora.<\/p>\n<p>N\u00e3o o ouvi. N\u00e3o saltei. E agora estava na fria mais acalorada da minha vida. Sem alternativa. S\u00f3 me restava contar os dias, as horas, os minutos para a volta a Sampa.<\/p>\n<p>E ainda havia o desafio da via Dutra.<\/p>\n<p>O apartamento n\u00e3o era grande. Mas, super transado. Fazia sentido aquela hist\u00f3ria de que o pr\u00f3prio Marcos Paulo havia confeccionado os m\u00f3veis. Um tom despojado e r\u00fastico caracterizava a decora\u00e7\u00e3o. Eu morava num apartamento b\u00e1sico no Ipiranga, 80 metros quadrados de \u00e1rea \u00fatil para desfrutarmos; o pai, a m\u00e3e e eu. Claro, achei aquele lugar o m\u00e1ximo.<\/p>\n<p>Talvez por isso fiz outra proposta ao Astro.<\/p>\n<p>&#8212; Sua tia est\u00e1 preocupada com o filho no hospital. Vamos ficar aqui no apartamento s\u00f3 o tempo necess\u00e1rio. Dar o menor trabalho poss\u00edvel para ela.<\/p>\n<p>&#8212; Voc\u00ea nem precisava dizer. \u00c9 isso mesmo.<\/p>\n<p>&#8212; Depois a gente precisa agradecer a hospedagem e visitar seu primo no hospital.<\/p>\n<p>&#8212; Primo? Que primo&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; O Marcos Paulo, Astro. Voc\u00ea n\u00e3o falou que ele \u00e9 seu primo sei l\u00e1 de que grau?<\/p>\n<p>&#8212; Claro, claro. Vamos, sim.<\/p>\n<p>Preciso dizer que n\u00e3o fomos ver o ator no hospital?<\/p>\n<p>Mas, pareceu-me que a senhora tamb\u00e9m n\u00e3o fazia muita quest\u00e3o. A bem da verdade, foi gentil\u00edssima com a gente e, c\u00e1 para n\u00f3s, conhecia o Astro bem mais do que algu\u00e9m pudesse supor; diria, de outros carnavais. <\/p>\n<p>N\u00e3o vejo o Astro h\u00e1 tanto tempo, e que ele n\u00e3o nos leia. Mas n\u00e3o era f\u00e1cil. Carudo que s\u00f3&#8230;<\/p>\n<p>Todos os dias ela aprontava o caf\u00e9 da manh\u00e3 para gente \u2013 e se mandava (provavelmente rezando) para o hospital. N\u00f3s sa\u00edamos cedo. Volt\u00e1vamos para um banho r\u00e1pido no fim da tarde e rua. Quando retorn\u00e1vamos, ela j\u00e1 estava dormindo. E assim foi.<\/p>\n<p>Fizemos naqueles tr\u00eas dias o roteiro cl\u00e1ssico dos turistas. Conhecemos as praias. Do Leme ao Leblon. Copacabana. Ipanema. Um dia fomos \u00e0 Barra. Corcovado. Cristo Redentor. Bondinho (o Astro dava um sorriso sinistro toda vez que aquele treco balan\u00e7ava). Cinel\u00e2ndia. Centro do Rio. Lapa. Nada de grande relev\u00e2ncia. Salvo duas ou tr\u00eas observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A primeira doeu nas pernas e nos p\u00e9s. Para economizar a grana da gasolina, us\u00e1vamos \u2013 decis\u00e3o do Astro \u2013 o carro o m\u00ednimo poss\u00edvel. O neg\u00f3cio era mesmo no p\u00e9-dois. Raramente caminhei tanto em minha vida. <\/p>\n<p>Como conseq\u00fc\u00eancia vem o segundo destaque. Bastaram algumas poucas horas de praia para que eu ganhasse um tom de pele vermelho-melancia, de fazer inveja \u00e0 rec\u00e9m-promovida esp\u00e9cie de hortali\u00e7a. N\u00e3o sei quem me falou ou onde li uma dessas pesquisas important\u00edssimas para a hist\u00f3ria da humanidade. A melancia deixou de ser fruta para, depois de anos de estudos cient\u00edficos, ser aceita no mundo encantado das hortali\u00e7as.<\/p>\n<p>Enfim, devo ter ficado uma gra\u00e7a e absolutamente destoante da cor dos praieiros cariocas. A impress\u00e3o que tinha era de que todos admiravam a passagem deste ser vivo (?) e quase em pele viva que ora lhes escreve. Olhavam mesmo. Especialmente quando deixava escapar um coment\u00e1rio qualquer.<\/p>\n<p>&#8212; \u00d4rra meu, o Rio \u00e9 lind\u00f4\u00f4\u00f4\u00f4!!!<\/p>\n<p>Falava baixinho. Mas, todos pareciam ouvir e balan\u00e7ar a cabe\u00e7a com certo desd\u00e9m.<\/p>\n<p>Vamos ser sinceros. O Astro tamb\u00e9m estava bem arranjado de amigo.<\/p>\n<p>Resumo da \u00f3pera. Dos tr\u00eas dias que t\u00ednhamos planejado ir \u00e0 praia, s\u00f3 pisei na areia no primeiro, a sexta. Nos outros dois, imposs\u00edvel. Bastava eu sentir o sol no ombro para que a ard\u00eancia me levasse a procurar a prote\u00e7\u00e3o da primeira sombra. Ir a praia de camisa, nem pensar. Quer dizer, nem pensar para mim. Porque o Astro foi. Nessas horas, pacientemente o aguardava sob a marquise de algum pr\u00e9dio, em algum boteco, ponto de \u00f4nibus coberto ou qualquer outro fiapo de sombra &#8211; vestido da cabe\u00e7a aos p\u00e9s.<\/p>\n<p>Entre um \u201cmeerrrrm\u00e3o\u201d (que ainda hoje imagino traduzir do carioqu\u00eas como \u2018meu irm\u00e3o\u2019) para c\u00e1 e outro \u201cmeuquiurido\u201d (&#8216;meu querido&#8217;, \u00f3bvio) pra l\u00e1, os minutos, as horas e os dias se passaram. <\/p>\n<p>\u00d3bvio que nenhuma \u201cgarota de Ipanema\u201d ou do Leblon ou do Leme ou de Madureira se dignou a olhar o Melancia aqui. \u00d3bvio tamb\u00e9m que as festas com os artistas globais n\u00e3o passaram de folguedos imaginosos do Astr\u00e3o. \u00d3bvio que no domingo pela manh\u00e3 quando nos despedimos, a senhora foi gentil e educada. Mas, \u00f3bvio tamb\u00e9m que se mostrava mais feliz do que o costumeiro, mesmo com o filho ainda no hospital.<\/p>\n<p>Ainda lembro a despedida. O Astro todo educado:<\/p>\n<p>&#8212; Melhoras ao Marcos Paulo, tia. D\u00ea a ele minhas condol\u00eancias.<\/p>\n<p>&#8212; Recomenda\u00e7\u00f5es, Astro. Recomenda\u00e7\u00f5es &#8212; corrigi o mais r\u00e1pido que pude.<\/p>\n<p>Acho que foi o sol que tomamos na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8212; D\u00ea a ele minhas recomenda\u00e7\u00f5es, tia &#8211; consertou ele.<\/p>\n<p>Mas, a tia n\u00e3o se comoveu, foi firme na resposta.<\/p>\n<p>&#8212; Da pr\u00f3xima vez, Astro, lembre-se: avise ANTES que vem. Avise ANTES. V\u00e3o com Deus! Boa viagem!<\/p>\n<p>E l\u00e1 fomos n\u00f3s enfrentar a via Dutra num Fusca 62.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei o porqu\u00ea, mas hoje ao narrar essa hist\u00f3ria e acompanhando as andan\u00e7as do papa Bento XVI pelo Vale do Para\u00edba, me veio uma s\u00fabita recorda\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Por diversas vezes, em diversos trechos alternados da rodovia &#8212; em Pinda, Roseira, Guaratinguet\u00e1, Aparecida, Taubat\u00e9 e at\u00e9 em Ca\u00e7apava &#8212; vi o mesmo policial rodovi\u00e1rio fazer sinal, com as duas m\u00e3os, para o Astro maneirar na velocidade. E imediatamente o meu amigo &#8211; que n\u00e3o era de maneirar &#8211; maneirava, silenciosamente.<\/p>\n<p>Olhe que Deus me perdoe se for heresia. Pode ser o sol na cabe\u00e7a que, desde ent\u00e3o, venho tomando vida afora. Mas, preciso e vou dizer: o policial errante era muito parecido com o Santo Frei Galv\u00e3o, o primeiro santo nascido no Brasil e canonizado ontem pelo papa.<\/p>\n<p>Voc\u00eas n\u00e3o acreditam? <\/p>\n<p>Melhoraria algo se lhes lembrasse o &quot;v\u00e3o-com-Deus&quot; da senhora? E se eu lhes dissesse que passei rezando as seis horas e meia da viagem? Est\u00e1 bem, concordo, seria exagero dizer que foi milagre. <\/p>\n<p>Mas, o que voc\u00eas acham? Sinceramente&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da s\u00e9rie <\/p>\n<p>ESQUECER \u00c9 PRECISO, MAS N\u00c3O \u00c9 F\u00c1CIL &#8230;<\/p>\n<p>&#8230; o dia em que o amigo Astrogildo me convenceu a ir com ele para o Rio de Janeiro.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-10611","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-parangoles"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10611","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10611"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10611\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13975,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10611\/revisions\/13975"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10611"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10611"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10611"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}