{"id":10615,"date":"2007-05-17T00:00:00","date_gmt":"2007-05-17T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:57:29","modified_gmt":"2017-09-15T19:57:29","slug":"a-45-kmh","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-45-kmh\/","title":{"rendered":"A 45 km\/h"},"content":{"rendered":"<p>Uma surpresa me aguardava em casa na sexta da semana passada. <\/p>\n<p>Cheguei para o almo\u00e7o e l\u00e1 estava: um aviso de cobran\u00e7a de uma multa de tr\u00e2nsito, com a foto do meu carro e tudo. Foi aqui na al\u00e7a de acesso a Rudge Ramos, S\u00e3o Bernardo, onde est\u00e1 localizada a Universidade Metodista. Passei pelo radar \u2013 que n\u00e3o vi, devia estar devidamente camuflado \u2013 a est\u00fapidos 45 por hora. Uma insanidade, de minha parte.  <\/p>\n<p>O limite de velocidade para o local \u00e9 de 40. <\/p>\n<p>Confesso meu erro. <\/p>\n<p>Sou mesmo um irrespons\u00e1vel. Passo quase todos os dias por ali \u2013 e nem sei como consigo segurar o carro. Que se transforma em um b\u00f3lido, a 45 km\/h. Quanto malabarismo.<\/p>\n<p>Se for a 40, tudo bem. Mas, a 45&#8230;<\/p>\n<p>Dada \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o demonstrada pelas autoridades do tr\u00e1fego, fico mais tranq\u00fcilo com a seguran\u00e7a de todos. Pois, se est\u00e3o empenhados em tais min\u00facias, \u00e9 porque outros problemas est\u00e3o sanados. <\/p>\n<p>Quase n\u00e3o temos o que melhorar em nossas belas rodovias e no tr\u00e2nsito de uma forma geral. Congestionamentos, m\u00e1 sinaliza\u00e7\u00e3o, motoristas ao \u201cDeus-dar\u00e1\u201d quando mais precisam, inseguran\u00e7a. N\u00e3o. Definitivamente. Essas aberra\u00e7\u00f5es n\u00e3o existem. <\/p>\n<p>Agora que tudo anda \u00e0s mil maravilhas, t\u00eam raz\u00e3o esses senhores: n\u00e3o podemos esmorecer. <\/p>\n<p>Andar a 45 km\/h \u00e9 mesmo um absurdo.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Me assalta agora a id\u00e9ia de que o cerne da quest\u00e3o \u00e9 &quot;andar&quot; em determinados hor\u00e1rios na via Anchieta. Porque literalmente o tr\u00e2nsito p\u00e1ra. Mas, deve ser por algum outro motivo, mais frugais do que um simples engarrafamento, como se dizia antigamente. Um acesso \u2013 sem radar, claro \u2013 de senso de fraternidade por parte dos motoristas. Que gostam de espairecer em seus ve\u00edculos enquanto v\u00e3o ou voltam da lida di\u00e1ria. Querem se olhar. Conhecerem-se. Conversarem sobre a vida. <\/p>\n<p>Bem pensado. \u00c0s vezes, at\u00e9 vejo algum motoqueiro acenando para um ou outro ve\u00edculo. Me pareceu, a princ\u00edpio, um gesto agressivo. Mas, me ocorre agora que n\u00e3o. \u00c9 mesmo uma tentativa de comunicar-se.<\/p>\n<p>Assim como esses motoristas que berram palavr\u00f5es e buzinam e socam o volante. Tudo mentirinha. S\u00f3 querem fazer gra\u00e7a, comunicar-se. <\/p>\n<p>Como essa paradeira \u00e9 cada vez mais freq\u00fcente e em diversos hor\u00e1rios &#8211; ora em um sentido, ora em outro -, faz sentido a preocupa\u00e7\u00e3o das autoridades. Est\u00e3o, na verdade, a nos avisar quando sa\u00edmos da rodovia:<\/p>\n<p>&#8212; Olhe, n\u00e3o se acostumem. Cedo ou tarde ter\u00e3o de voltar para o mundo encantado da Anchieta.<\/p>\n<p>A\u00ed, sim, 45 km\/h \u00e9 demais.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Neste sentido, seria interessante se houvesse v\u00e1rios ped\u00e1gios nesses trechos, digamos, mais urbanos da Via Anchieta &#8211; entre S\u00e3o Paulo e o km 20, talvez. Seria portentoso. Nenhum interesse financeiro na jogada. Apenas, digamos, socializador. <\/p>\n<p>Tenho certeza que organizar\u00edamos melhor o tr\u00e1fego. Tanto de ida como de volta. <\/p>\n<p>Os motoristas entenderiam, claro que sim. <\/p>\n<p>Afinal, nesses hor\u00e1rios ganhamos preciosos minutos ali parados a ouvir m\u00fasica ou o r\u00e1diojornal. Ou apenas a refletir. Outro ganho seria se houvesse um pit-stop a mais no ped\u00e1gio. Uns trocados bobos, ningu\u00e9m reclamaria. Seria at\u00e9 interessante. <\/p>\n<p>Imaginem:<\/p>\n<p>&#8212; Bom dia, senhor caixa.<\/p>\n<p>&#8212; Bom dia, senhor motorista.<\/p>\n<p>Na outra manh\u00e3:<\/p>\n<p>&#8212; Bonita camisa, senhor caixa.<\/p>\n<p>&#8212; A do senhor tamb\u00e9m \u00e9 linda, senhor motorista&#8230;<\/p>\n<p>Vivam a cena comigo. Aquele tr\u00e2nsito intrigante, serpenteando a via Anchieta. E n\u00f3s, l\u00e1 tr\u00e1s, naquela fila que n\u00e3o anda. Mas, com a incr\u00edvel sensa\u00e7\u00e3o que logo ver\u00edamos e ser\u00edamos vistos e qui\u00e7\u00e1 parados pelos policiais com seus carros embicados no recuo. \u00c0 frente, o pr\u00eamio: uma breve parada para reflex\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Ol\u00e1, senhor caixa&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Que belo dia, senhor motorista&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s outro epis\u00f3dio \u201cvi\u00e1rio\u201d me moveu a escrever fascinado essas breves linhas. Aconteceu na manh\u00e3 de s\u00e1bado com o meu filho, de 27 anos. Ele operou as duas vistas e n\u00e3o precisa mais usar \u00f3culos para dirigir. Mas, cometeu o pecado supremo de n\u00e3o atualizar a carteira de habilita\u00e7\u00e3o. Uma falha imperdo\u00e1vel. <\/p>\n<p>Os policiais, ali no km 18, o pararam. At\u00e9 porque, convenhamos, ele tem uma express\u00e3o, digamos, beligerante. Como pai zeloso, inclusive, j\u00e1 lhe avisei:<\/p>\n<p>&#8212; Melhore esse humor, filho. Para que ficar rangendo os dentes ao dirigir.<\/p>\n<p>Creio que ele n\u00e3o me ouviu. Resultado: ganhou duas multas. Quer dizer uma para ele (que est\u00e1 enxergando melhor, mas precisaria mesmo assim estar de \u00f3culos) e outra para este pobre escriba \u2013 por constar no documento como feliz propriet\u00e1rio do ve\u00edculo.<\/p>\n<p>(Mas aqui \u00e9 outra hist\u00f3ria que cai na maravilha das maravilhas que se chama Imposto de Renda. Se vendo um ve\u00edculo no meu nome e compro outro no nome do meu filho. O que vendi se transforma em renda e o que comprei n\u00e3o quer dizer absolutamente nada. Da\u00ed, pago mais imposto. Ent\u00e3o fica tudo como est\u00e1. O que carro \u00e9 meu. Mas, \u00e9 ele quem usa.) <\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Voltemos \u00e0 nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>S\u00f3 orient\u00e1-lo no sentido de proceder a altera\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria n\u00e3o bastaria. N\u00e3o, n\u00e3o. Por isso, vamos l\u00e1: duas multas, na categoria das grav\u00edssimas.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Compreenderam agora a necessidade do ped\u00e1gio. Nesse corre-corre em que vivemos para sobrar algum $$$ no fim do m\u00eas, e tamb\u00e9m como obviamente os policiais n\u00e3o est\u00e3o para nos orientar ou orientar o tr\u00e2nsito \u2013 afinal, multar \u00e9 preciso &#8211;, tenho certeza que os simp\u00e1ticos caixas dos ped\u00e1gios n\u00e3o se esqueceriam de notar. Assim que meu filho parasse o carro, numa dessas manh\u00e3s outonais, dariam o alerta:<\/p>\n<p>&#8212; Senhor, motorista, o que aconteceu?<\/p>\n<p>&#8212; Como assim&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; O senhor est\u00e1 sem \u00f3culos hoje. N\u00e3o pode dirigir assim.<\/p>\n<p>&#8212;  Operei os olhos \u2013 e n\u00e3o preciso mais de \u00f3culos para dirigir.<\/p>\n<p>&#8212; Ah!, senhor motorista, n\u00e3o quero importun\u00e1-lo. Mas, lembre-se o senhor precisa atualizar sua habilita\u00e7\u00e3o. Se o guarda o pegar, as multas s\u00e3o alt\u00edssimas&#8230;<\/p>\n<p>Viram? Tudo resolvido. Depois, seria s\u00f3 uma das tantas taxas a mais que pagar\u00edamos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma surpresa me aguardava em casa na sexta da semana passada. <\/p>\n<p>Cheguei para o almo\u00e7o e l\u00e1 estava: um aviso de cobran\u00e7a de uma multa de tr\u00e2nsito, com a foto do meu carro e tudo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10615","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10615","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10615"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10615\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17279,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10615\/revisions\/17279"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10615"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10615"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10615"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}