{"id":10643,"date":"2007-06-11T00:00:00","date_gmt":"2007-06-11T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:57:26","modified_gmt":"2017-09-15T19:57:26","slug":"as-cancoes-do-tempo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/as-cancoes-do-tempo\/","title":{"rendered":"As can\u00e7\u00f5es do tempo"},"content":{"rendered":"<p>Pe\u00e7o um tempo \u00e0 leitora Ros\u00e2ngela N.,<br \/>\nque me sugere um desafio: escrever<br \/>\nsobre \u201cas diferen\u00e7as da palavra TEMPO\u201d. <\/p>\n<p>Um desafio e tanto&#8230;<\/p>\n<p>E vou topar.<br \/>\nMas, preciso de um tempo.<\/p>\n<p>Quem sabe amanh\u00e3?<br \/>\nDia dos Namorados.<br \/>\nO tempo conspira contra ou a favor?<br \/>\nO sentimento que era \u2013 e n\u00e3o \u00e9 mais?<br \/>\nOu o que se achega de mansinho, como<br \/>\nquem nada quer, e acaba nos levando tudo?<\/p>\n<p>Vou tentar amanh\u00e3.<br \/>\nMas, n\u00e3o prometo.<br \/>\nEssa coisa de escrever diariamente<br \/>\ntem l\u00e1 suas peculiaridades. <\/p>\n<p>O que hoje planejei para amanh\u00e3<br \/>\npode virar poeira na hora H, no dia D.<br \/>\n\u00c9 o Tempo a demarcar<br \/>\nnossos destinos e sonhos&#8230;<\/p>\n<p>Ros\u00e2ngela postou dia desses<br \/>\n(Brev\u00edssimas 7 em 04.06.2007)<br \/>\ne eu queria, por enquanto, lhe dar<br \/>\nessa satisfa\u00e7\u00e3o. E dizer que h\u00e1 tempos<br \/>\npensava em enveredar suavemente<br \/>\npelos caminhos do Tempo.<br \/>\nFaltava coragem.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque n\u00e3o sei se sei.<br \/>\nOu se l\u00e1 algum dia eu soube.<br \/>\nDesaprendo a cada dia.<\/p>\n<p>Tomara que esse tempo me inspire. <\/p>\n<p>Nesses dias de estio, andei ouvindo<br \/>\nalgumas can\u00e7\u00f5es de versos afins<br \/>\npara orientar meu futuro teclar&#8230;<\/p>\n<p>Vou post\u00e1-las hoje aqui.<br \/>\n\u00c9 um aperitivo&#8230;<\/p>\n<p>I.<\/p>\n<p>\u201cO Tempo n\u00e3o p\u00e1ra no porto<br \/>\nN\u00e3o apita na curva<br \/>\nN\u00e3o espera ningu\u00e9m\u201d<\/p>\n<p>* O Tempo, de Reginaldo Lessa.<br \/>\nVerso desconhecido, mas definitivo.<br \/>\nVem comigo desde o long\u00ednquo ano de 1975.<br \/>\nQuanto tempo!<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9s um senhor t\u00e3o bonito<br \/>\nQuanto a cara do meu filho<br \/>\nTempo, tempo, tempo\u201d<\/p>\n<p>* Ora\u00e7\u00e3o ao Tempo \u2013 Caetano Velloso.<br \/>\nS\u00f3 entendi esse verso quando nasceu<br \/>\nmeu filho. Ainda \u00e9 assim e sempre ser\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se iludam<br \/>\nN\u00e3o me iludo<br \/>\nTudo agora mesmo pode<br \/>\nestar por um segundo<br \/>\nTempo Rei, \u00f3, Tempo Rei, \u00f3, Tempo Rei<br \/>\nTransformai as velhas formas do viver<br \/>\nEnsinai-me, \u00f3, pai, o que eu ainda n\u00e3o sei<br \/>\nM\u00e3e Senhora do Perp\u00e9tuo, socorrei\u201d<\/p>\n<p>* Tempo Rei \u2013 Gilberto Gil.<br \/>\nO dom do ef\u00eamero a moldar os sonhos.<br \/>\nSobre n\u00f3s, a m\u00e3o da espirtualidade&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>\u201cEu j\u00e1 estou com o p\u00e9 na estrada<br \/>\nQualquer dia a gente se v\u00ea<br \/>\nSei que nada ser\u00e1 como antes, amanh\u00e3&quot;<\/p>\n<p>* Nada ser\u00e1 como antes \u2013 Milton Nascimento<br \/>\ne Ronaldo Bastos. Anos 70. A certeza de<br \/>\nque est\u00e1vamos escrevendo a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>\u201cBatidas na porta da frente<br \/>\n\u00c9 o Tempo<br \/>\nEu bebo um pouquinho pra ter argumento<br \/>\nMas fico sem jeito, calado, ele ri<br \/>\nEle zomba do quanto eu chorei<br \/>\nPorque sabe passar e eu n\u00e3o sei<\/p>\n<p>Num dia azul de ver\u00e3o, sinto o vento<br \/>\nH\u00e1 folhas no meu cora\u00e7\u00e3o<br \/>\n\u00c9 o Tempo<br \/>\nRecordo um amor que perdi, ele ri<br \/>\nDiz que somos iguais, se eu notei<br \/>\nPois n\u00e3o sabe ficar e eu tamb\u00e9m n\u00e3o sei<br \/>\nE gira em volta de mim<br \/>\nSussurra que apaga os caminhos<br \/>\nQue amores terminam no escuro<br \/>\nSozinhos<\/p>\n<p>Respondo que ele aprisiona, eu liberto<br \/>\nQue ele adormece as paix\u00f5es, eu desperto<br \/>\nE o Tempo se r\u00f3i com inveja de mim<br \/>\nMe vigia querendo aprender<br \/>\nComo eu morro de amor pra tentar reviver<br \/>\nNo fundo \u00e9 uma eterna crian\u00e7a<br \/>\nQue n\u00e3o soube amadurecer<br \/>\nEu posso, e ele n\u00e3o vai poder, me esquecer\u201d<\/p>\n<p>* Resposta ao Tempo \u2013 Aldir Blanc e<br \/>\nCrist\u00f3v\u00e3o Bastos. Um di\u00e1logo sens\u00edvel,<br \/>\ncom o Senhor de Todos os Destinos<br \/>\ne conosco mesmo&#8230;<\/p>\n<p>VI.<br \/>\n\u201cMeu amor<br \/>\nO que voc\u00ea faria se s\u00f3<br \/>\nte restasse esse dia?<br \/>\nSe o mundo fosse acabar<br \/>\nMe diz, o que voc\u00ea faria?<br \/>\nIa manter sua agenda<br \/>\nDe almo\u00e7o, hora, apatia?<br \/>\nOu esperar os seus amigos<br \/>\nNa sua sala vazia?<br \/>\nCorria prum shopping center<br \/>\nOu para uma academia?<br \/>\nPra se esquecer que n\u00e3o d\u00e1 Tempo<br \/>\nPro Tempo que j\u00e1 se perdia?<br \/>\nAndava pelado na chuva?<br \/>\nCorria no meio da rua?<br \/>\nEntrava de roupa no mar?<br \/>\nTrepava sem camisinha?<br \/>\nAbria a porta do hosp\u00edcio?<br \/>\nTrancava a da delegacia?<br \/>\nDinamitava o meu carro?<br \/>\nParava o tr\u00e1fego e ria?\u201d <\/p>\n<p>* O \u00daltimo Dia \u2013 Moska.<br \/>\nPerguntas sem respostas.<br \/>\nO pre\u00e7o da liberdade.<br \/>\nResponder o qu\u00ea? A quem? Pra qu\u00ea?<\/p>\n<p>VII. <\/p>\n<p>\u201cPreciso n\u00e3o dormir<br \/>\nAt\u00e9 se consumar<br \/>\nO tempo da gente<br \/>\nPreciso conduzir<br \/>\nUm tempo de te amar<br \/>\nTe amando devagar e urgentemente<br \/>\nPretendo descobrir<br \/>\nNo \u00faltimo momento<br \/>\nUm tempo que refaz o que desfez<br \/>\nQue recolhe todo sentimento<br \/>\nE bota no corpo uma outra vez<br \/>\nPrometo te querer<br \/>\nAt\u00e9 o amor cair<br \/>\nDoente, doente<br \/>\nPrefiro ent\u00e3o partir<br \/>\nA tempo de poder<br \/>\nA gente se desvencilhar da gente<br \/>\nDepois de te perder<br \/>\nTe encontro com certeza<br \/>\nTalvez num tempo da delicadeza<br \/>\nOnde n\u00e3o diremos nada<br \/>\nNada aconteceu<br \/>\nApenas seguirei<br \/>\nComo encantado ao lado teu.\u201d<\/p>\n<p>Todo o sentimento \u2013 Chico Buarque<br \/>\nE Crist\u00f3v\u00e3o Bastos. Sem coment\u00e1rios.<br \/>\nS\u00f3 a vida para nos dar o pleno<br \/>\nsignificado desses versos.<br \/>\nO \u00faltimo momento&#8230;<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>Bem, o que vai sair depois<br \/>\ndesses versos, eu n\u00e3o sei&#8230;<br \/>\nAinda, n\u00e3o.<br \/>\nSe algu\u00e9m tiver outras<br \/>\nsugest\u00f5es, fique \u00e0 vontade. <\/p>\n<p>Adoraria colabora\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe\u00e7o um tempo \u00e0 leitora Ros\u00e2ngela N.,<br \/>\nque me sugere um desafio: escrever<br \/>\nsobre \u201cas diferen\u00e7as da palavra TEMPO\u201d. <\/p>\n<p>Um desafio e tanto&#8230;<\/p>\n<p>E vou topar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10643","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10643","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10643"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10643\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17254,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10643\/revisions\/17254"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10643"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10643"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10643"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}