{"id":10657,"date":"1985-02-01T00:00:00","date_gmt":"1985-02-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-13T20:02:27","modified_gmt":"2017-09-13T20:02:27","slug":"imprensa-de-bairro-como-opcao-profissional","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/imprensa-de-bairro-como-opcao-profissional\/","title":{"rendered":"Imprensa de bairro como op\u00e7\u00e3o profissional"},"content":{"rendered":"<p>*Publicado no livro Os Jornais de Bairro na Cidade de S\u00e3o Paulo, editado pela Secretaria Municipal de Cultura.<\/p>\n<p>Mar\u00e7o de 1974. L\u00e1 estava eu na sala de reda\u00e7\u00e3o de Gazeta do Ipiranga para tentar o sonhado emprego de jornalista, depois de investidas desanimadoras em reda\u00e7\u00f5es dos grandes jornais que me convenceram que o jeito era procurar um caminho alternativo.<\/p>\n<p>Hoje, estou preste a completar onze anos de jornalismo em imprensa comunit\u00e1ria, durante os quais aprendi significativas li\u00e7\u00f5es. A primeira e mais gratificante: poder participar de todas as etapas de confec\u00e7\u00e3o de um jornal. A segunda e mais sofrida: por melhor que seja, qualquer projeto editorial torna-se um empreendimento invi\u00e1vel sem uma s\u00f3lida retaguarda administrativa e publicit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em 1977, eu e dois amigos, tamb\u00e9m jornalistas, criamos o Jornal da Mooca, com requintes inovadores para os padr\u00f5es vigentes que, acredit\u00e1vamos, seriam suficientes para assegurar vida eterna ao nosso combativo tabl\u00f3ide, de bem cuidadas 12 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Sob nossa responsabilidade, o Jornal da Mooca viveu, a duras penas, pouco mais de um ano e meio. Enquanto o projeto editorial concentrava a aten\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas \u201cquixotes\u201d \u2013 longas discuss\u00f5es de pautas, inesquec\u00edveis mat\u00e9rias especiais, irrever\u00eancias gr\u00e1ficas etc \u2013 a resposta publicit\u00e1ria nem sempre equivalia aos gastos da Oficina.<\/p>\n<p>Assim, a cada nova edi\u00e7\u00e3o o sonho se transformava num inc\u00f4modo pesadelo.<\/p>\n<p>De volta a Gazeta do Ipiranga, como redator-chefe e, posteriormente, editor e diretor-respons\u00e1vel, fomos gradativamente abrindo as p\u00e1ginas do jornal para o registro da abertura democr\u00e1tica at\u00e9 a mobiliza\u00e7\u00e3o nacional pelas diretas-j\u00e1, quando o jornal se fez presente desde a primeira hora.<\/p>\n<p>Hoje estou certo de que se pode fazer o melhor jornalismo tanto na Grande Imprensa como em qualquer dos respeit\u00e1veis jornais de bairro que existem em S\u00e3o Paulo. Os valores morais, \u00e9ticos e mesmo profissionais se equivalem para todos os jornalistas.<\/p>\n<p>E, \u00e0 medida que os jornais de di\u00e1rios e os noticiosos de r\u00e1dio e TV tornam-se cada vez mais abrangentes, abre-se um espa\u00e7o sensivelmente maior para a imprensa setorial, que trabalha a realidade imediata do leitor que assim a v\u00ea transformada em not\u00edcia.<\/p>\n<p>De resto, h\u00e1 nos brasileiros hoje um amplo desejo de organiza\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o, sementes de fraternidade, de vida comunit\u00e1ria que os jornais de bairro, sem d\u00favida, ajudaram a cultivar.<\/p>\n<p>Como algu\u00e9m ensinou,<\/p>\n<p>\u201cPara ser universal, basta falar da sua aldeia\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Publicado no livro Os Jornais de Bairro na Cidade de S\u00e3o Paulo, editado pela Secretaria Municipal de Cultura.<\/p>\n<p>Mar\u00e7o de 1974. 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