{"id":10658,"date":"2007-06-25T00:00:00","date_gmt":"2007-06-25T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:57:24","modified_gmt":"2017-09-15T19:57:24","slug":"a-varanda-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-varanda-parte-ii\/","title":{"rendered":"A varanda (Parte II)"},"content":{"rendered":"<p>Car\u00edssimos,<\/p>\n<p>Continuamos hoje com o segundo epis\u00f3dio de nossa primeira \u2013 qui\u00e7\u00e1 \u00fanica, e \u00faltima \u2013 novela blogueira. Como voc\u00eas puderam notar no cap\u00edtulo anterior, a cena se passa em uma varanda \u00e0 moda antiga, onde n\u00e3o s\u00f3 o casal vive uma situa\u00e7\u00e3o limite: o fim de um romance que n\u00e3o podia ter fim. Ao redor do que os dois conversam ali, naquele exato instante, outros personagens da fam\u00edlia prop\u00f5em-se involuntariamente a refletir sobre o rompimento e os sentimentos que parecem lhes escapar pelo v\u00e3o dos dedos. <\/p>\n<p>Como num ritual cabal\u00edstico, \u00e9 a vida que renasce mesmo quando perdemos tudo o que, um segundo antes, acredit\u00e1vamos fosse eterno. <\/p>\n<p>N\u00f3s, plat\u00e9ia e leitores, somos os vizinhos curiosos a bisbilhotar a vida alheia. H\u00e1 at\u00e9 espa\u00e7o para coment\u00e1rios. Fiquemos, pois, \u00e0 vontade&#8230;<\/p>\n<p>CENA 3 \u2013 Ela fez o que deveria ser feito&#8230; <\/p>\n<p>Precisava n\u00e3o chorar &#8212; ao menos, na frente dele. <\/p>\n<p>Sabia que o jogo era pra valer. Queria ser forte. Nem pensar em voltar atr\u00e1s na decis\u00e3o que, ali\u00e1s, vinha amadurecendo h\u00e1 algumas semanas. Era tudo ou nada&#8230;<\/p>\n<p>Amaram-se demais, \u00e9 certo. Por\u00e9m, j\u00e1 n\u00e3o eram os mesmos. Coisa comum de acontecer. Andavam cada vez mais distantes. O encanto havia se quebrado. N\u00e3o havia porque insistir, continuar&#8230;<\/p>\n<p>&quot;Acho s\u00f3 que \u00e9 tempo perdido. Voc\u00ea \u00e9 quem sabe&#8230;&quot;&#8211; dissimulou a m\u00e3e, ainda ontem, durante a ceia do reveillon. Apesar da data, estavam todos tristes. N\u00e3o havia o que festejar. <\/p>\n<p>&quot;Sem chance, parte para outra. Mas, lembre-se, os homens s\u00e3o todos iguais&quot;. <\/p>\n<p>A irm\u00e3 n\u00e3o fazia segredo. Gostaria de v\u00ea-la livre daquele estorvo. O pai nada falou &#8212; ali\u00e1s, como era de seu h\u00e1bito. Nunca foi a favor daquele romance. Mas, n\u00e3o lhe pediram qualquer opini\u00e3o. N\u00e3o seria agora que se faria ouvir.<\/p>\n<p>As vozes misturavam-se \u00e0s lembran\u00e7as, doces lembran\u00e7as, de um passado n\u00e3o t\u00e3o distante. Nunca imaginara ter que dizer a ele o que estava a lhe dizer e, aparentemente, n\u00e3o sentia qualquer abalo. <\/p>\n<p>Podia ser diferente, menos dolorido. Ele relutava em ir embora. Ela j\u00e1 se desesperava. N\u00e3o ag\u00fcentaria a press\u00e3o por muito tempo. Um vacilo &#8212; e pronto. Abriria os bra\u00e7os em sua dire\u00e7\u00e3o e tudo voltaria \u00e0 rotina de sempre. Um dia-a-dia que j\u00e1 n\u00e3o preenchia a enorme sensa\u00e7\u00e3o de vazio. Segurou-se o mais que p\u00f4de. N\u00e3o moveu um m\u00fasculo sequer em sua dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como um bicho assustado, encolheu-se num canto e virou o rosto para a parede. Fez-se o sil\u00eancio. J\u00e1 n\u00e3o se olhavam. Ouviu passos e o ru\u00eddo do port\u00e3o se fechando. S\u00f3 ent\u00e3o desatou a chorar. Estava tudo acabado. Era hora de repensar a vida. N\u00e3o queria que fosse assim. <\/p>\n<p>Mas, certo ou errado, era o que precisava ser feito.<\/p>\n<p>Sentia-se sinceramente triste. Mas, ao mesmo tempo, livre, leve. N\u00e3o cabia arrependimento, apenas esperan\u00e7a. Era hora de terminar para recome\u00e7ar.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, lembrou que era primeiro de janeiro.<br \/>\nAno novo. Vida nova. <\/p>\n<p>&quot;At\u00e9 que enfim &quot;, suspirou chorosa. Mas, confiante na morenice de seus vinte e poucos anos:<\/p>\n<p>&#8212; A vida continua, entusiasmou-se.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Car\u00edssimos,<\/p>\n<p>Continuamos hoje com o segundo epis\u00f3dio de nossa primeira \u2013 qui\u00e7\u00e1 \u00fanica, e \u00faltima \u2013 novela blogueira. 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