{"id":10668,"date":"2007-07-04T00:00:00","date_gmt":"2007-07-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:57:23","modified_gmt":"2017-09-15T19:57:23","slug":"tim-maia-e-os-iguais","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/tim-maia-e-os-iguais\/","title":{"rendered":"Tim Maia e os iguais"},"content":{"rendered":"<p>Grande Tim Maia!<br \/>\nO s\u00edndico da m\u00fasica pra pular brasileira.<br \/>\nPrimeiro e \u00fanico.<br \/>\nAo lado de Benjor, Simonal e Jairz\u00e3o,<br \/>\nfez a \u2018pretitude\u2019 ter voz e vez &#8211; e suingue,<br \/>\n\u00f3bvio &#8211; no cen\u00e1rio art\u00edstico nacional. <\/p>\n<p>Crioulo at\u00e9 ent\u00e3o era sin\u00f4nimo<br \/>\nde sambista. Nada contra o samba.<br \/>\nAo contr\u00e1rio. S\u00f3 que n\u00e3o eram apenas.<br \/>\nSempre foram mais. Muito Mais. A influ\u00eancia<br \/>\nnegra \u00e9 vital para a MPB de qualidade. <\/p>\n<p>Foram os caras, a\u00ed de cima,<br \/>\nque deram um basta ao estigma<br \/>\nnaturalmente; sem discursos<br \/>\nou prosopop\u00e9ias, mas na base do talento<br \/>\ne sobretudo da criatividade. <\/p>\n<p>Depois vieram Gil, Milton, Paulinho,<br \/>\nMelodia, Djavan, Sandra de S\u00e1, Cassiano,<br \/>\nItamar e outros tais e quais. <\/p>\n<p>Antes deles, na virada dos anos 50<br \/>\npara os 60, Agostinho dos Santos e<br \/>\nCarlos Gonzaga ensaiaram os primeiros<br \/>\npassos. Agostinho, um precursor da bossa-nova.<br \/>\nVoz encaixada entre os acordes. Preferia<br \/>\na interpreta\u00e7\u00e3o elegante a soltar o vozeir\u00e3o,<br \/>\ncomo faziam os cantores da \u00e9poca.<br \/>\nGonzaga \u00e9 um precursor do rock.<br \/>\nGravou as vers\u00f5es de \u2018Oh! Carol\u2019 e \u201cDiana\u201d: <\/p>\n<p>\u201cVem viver. Pra mim. Diana.\u201d <\/p>\n<p>Quem nunca cantou? <\/p>\n<p>II. <\/p>\n<p>Pensava em contar uma das tantas<br \/>\nhist\u00f3rias malucas do Tim Maia e<br \/>\nme embarafustei nessa cronologia de<br \/>\nnomes importantes da MPB \u2013 muitos,<br \/>\nabsolutamente esquecidos do grande<br \/>\np\u00fablico e desconhecidos das novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Eu mesmo ia esquecendo<br \/>\nde incluir nesta lista dois maiorais.<br \/>\nChocolate e Monsueto. Dubl\u00e9s de humoristas e<br \/>\ncompositores, eram divertidos e tristes.<\/p>\n<p>Chocolate \u00e9 autor da melhor defini\u00e7\u00e3o<br \/>\nde &quot;Saudade&quot; (torrente de paix\u00e3o,<br \/>\nemo\u00e7\u00e3o diferente, que aniq\u00fcila a vida<br \/>\nda gente. Uma dor que n\u00e3o sei de onde vem)<br \/>\ne da maravilhosa &quot;Hino \u00e0 M\u00fasica&quot;.<\/p>\n<p>Monsueto fez entre outras<br \/>\n&quot;Se voc\u00ea n\u00e3o me queria&quot; e &quot;Mora na Filosofia&quot;,<br \/>\npungentes relatos sobre o fim de um amor.<br \/>\nNomes e can\u00e7\u00f5es inesquec\u00edveis<br \/>\nque o Brasil esqueceu.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>\u00c9 voz corrente que vivemos num Pa\u00eds<br \/>\nsem mem\u00f3ria. Talvez da\u00ed esse texto<br \/>\nganhar forma, embora escapasse<br \/>\ndo malajambrado controle do autor.  <\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos colaborei com<br \/>\na produ\u00e7\u00e3o de um document\u00e1rio<br \/>\nsobre a soul music no Brasil.<br \/>\nJovens estudantes escolheram o tema<br \/>\npara o trabalho de conclus\u00e3o do curso<br \/>\nde jornalismo. Fui uma esp\u00e9cie de<br \/>\nconsultor e pude perceber, em<br \/>\nmeio \u00e0s pesquisas, o quanto a garotada<br \/>\naprendeu, pois desconheciam quase<br \/>\ntudo desta bela hist\u00f3ria. <\/p>\n<p>N\u00e3o culpei as mo\u00e7as. Ali\u00e1s, como<br \/>\nprefiro n\u00e3o culpar as novas gera\u00e7\u00f5es<br \/>\npela hecatombe musical que ora vivemos.<br \/>\nOs meios de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o impiedosos<br \/>\nem empurrar tranqueiras e mais tranqueiras<br \/>\ngoela abaixo da meninada&#8230; <\/p>\n<p>IV. <\/p>\n<p>Vishi&#8230; <\/p>\n<p>C\u00e1 estou eu novamente a fazer<br \/>\ndiscursos e mais discursos. Paro por aqui.<br \/>\nAt\u00e9 porque meus cinco ou seis leitores<br \/>\ns\u00e3o na maioria jovens e mulheres<br \/>\ne detestam serm\u00f5es fora de hora&#8230; <\/p>\n<p>Voltemos ao come\u00e7o do texto,<br \/>\nquando prometi falar sobre o s\u00edndico,<br \/>\nSebasti\u00e3o Rodrigues Maia, vulgo Tim&#8230; <\/p>\n<p>V. <\/p>\n<p>O cara era g\u00eanio. E, como tal, genioso tamb\u00e9m.<br \/>\nMil causos comprovam suas inconseq\u00fcencias.<br \/>\nUma delas foi contada pelo m\u00fasico Nabuco<br \/>\npara a produ\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio. Ele tocou<br \/>\nna banda Vit\u00f3ria R\u00e9gia que acompanhava Tim<br \/>\ne a &#8216;tirada&#8217; \u00e9 a cara do cantor. <\/p>\n<p>N\u00e3o resisto em passar a voc\u00eas. <\/p>\n<p>\u00c9 a seguinte&#8230; <\/p>\n<p>V. <\/p>\n<p>Tim recebia um grupo pequeno<br \/>\nde amigos em seu espa\u00e7oso apartamento.<br \/>\nDe repente, ele pede sil\u00eancio: <\/p>\n<p>&#8212; Est\u00e3o batendo na porta. <\/p>\n<p>Ningu\u00e9m ouve nada. Mas, Tim insiste<br \/>\ne diz para uma das convidadas: <\/p>\n<p>&#8212; Est\u00e3o batendo na porta. Vai atender. <\/p>\n<p>Todos apuram o ouvido.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 ru\u00eddo nenhum. Deve ser brincadeira.<br \/>\nTim repete j\u00e1 algo transtornado: <\/p>\n<p>&#8212; Est\u00e3o batendo, caramba. Vai atender, j\u00e1 falei. <\/p>\n<p>O sil\u00eancio aumenta.<br \/>\nTodos arregalam os olhos.<br \/>\nOlham para o cantor e a menina<br \/>\nque, sem saber o que fazer, vai<br \/>\nat\u00e9 a porta, gira a chave, abre e&#8230; <\/p>\n<p>&#8212; Est\u00e1 vendo, Tim. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m&#8230; <\/p>\n<p>Visivelmente contrariado, ele responde: <\/p>\n<p>&#8212; Tamb\u00e9m, voc\u00ea demorou tanto<br \/>\npara atender que eles foram embora&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grande Tim Maia!<br \/>\nO s\u00edndico da m\u00fasica pra pular brasileira.<br \/>\nPrimeiro e \u00fanico.<br \/>\nAo lado de Benjor, Simonal e Jairz\u00e3o,<br \/>\nfez a \u2018pretitude\u2019 ter voz e vez &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10668","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10668","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10668"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10668\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17229,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10668\/revisions\/17229"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10668"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10668"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10668"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}