{"id":10675,"date":"2007-07-10T00:00:00","date_gmt":"2007-07-10T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T04:07:22","modified_gmt":"2017-09-14T04:07:22","slug":"almeidinha","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/almeidinha\/","title":{"rendered":"Almeidinha"},"content":{"rendered":"<p>Invadiu a reda\u00e7\u00e3o como se j\u00e1 fosse \u00edntima do ambiente. Ele falava ao telefone e apenas balan\u00e7ou afirmativamente a cabe\u00e7a quando ela se anunciou com um trivial &quot;licen\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, ela mal \u2013 ou bem &#8211; sa\u00edra da adolesc\u00eancia, mas j\u00e1 se entendia mulher. O corpo bem talhado, ali\u00e1s, fez com que o pr\u00f3prio tivesse a mesma (e muitas outras) impress\u00e3o. O rosto denunciava sua jovialidade, apesar do batom vermelho e do cabelo curto, quase \u00e0 nuca. O gel exagerado lhe dava uma apar\u00eancia molhada e uma sensualidade irresist\u00edvel.<\/p>\n<p>Preferiu manter a conversa ao telefone para avaliar aquele singelo projeto de Juliana Paes que, como num passe de m\u00e1gica, agora se postava desafiadoramente \u00e0 sua frente. J\u00e1 n\u00e3o prestava a menor aten\u00e7\u00e3o ao que o interlocutor, porta-voz de um movimento popular, dizia do outro lado da linha. O homem queria denunciar o abandono da sofrida regi\u00e3o onde morava, que estava sujeita a enchentes, epidemias de dengue, sem transporte p\u00fablico etc etc. <\/p>\n<p>O tal l\u00edder comunit\u00e1rio tinha todos argumentos poss\u00edveis e imagin\u00e1veis que, \u00e0quela hora, nada mais diziam ao editor. Seus sentidos agora lhe informaram que, se ela sentasse na cadeira \u00e0 frente da mesa, o visual poderia melhorar consideravelmente. <\/p>\n<p>Achou-se mesquinho, torpe. Mas, n\u00e3o resistiu. Apontou a cadeira sugerindo que se acomodasse e se colocasse mais \u00e0 vontade do que j\u00e1 se encontrava.<\/p>\n<p>Vamos dizer que os novos horizontes n\u00e3o foram t\u00e3o reveladores quanto imaginou. Notou, no entanto, que ela trazia um desses envelopes pardos, pr\u00f3prios para guardar sulfite, e a maneira como o segurava demonstrava uma perigosa ansiedade. Entendeu logo que o assunto da visita estava ali&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Ficou curioso e encerrou a conversa ao telefone. Despachou o senhor e suas reivindica\u00e7\u00f5es para a manh\u00e3 do outro dia, quando haveria a reuni\u00e3o de pauta. Queria enfrentar a fera de frente. <\/p>\n<p>Antes, por\u00e9m, chamou pela consci\u00eancia. Ou a consci\u00eancia chamou por ele. A mo\u00e7oila poderia ser sua filha e, de resto, naquela idade, na fun\u00e7\u00e3o que exercia, n\u00e3o seria \u00e9tico ficar com marolas e insinua\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8211; Pois, n\u00e3o? &#8211; perguntou ao mesmo tempo em que ajeitava alguns pap\u00e9is sobre a mesa para passar uma id\u00e9ia de que era um senhor (hum, hum!) muito ocupado.<\/p>\n<p>&#8211; Sabe o que \u00e9. <\/p>\n<p>N\u00e3o, certamente ele n\u00e3o sabia, mas estava disposto a saber. No dia, hora e local que ela determinasse. <\/p>\n<p>Ela pensou um segundo antes de continuar. Aprumou-se na desconfort\u00e1vel cadeira que ele lhe oferecera e, miragem das miragens, os olhos do decano da imprensa foram presenteados com alguns cent\u00edmetros de puro encanto, torneado pelo sol e enfeitado por milim\u00e9tricos e insinuantes p\u00ealos doirados. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, sempre lhe pertubou esse supremo poder da juventude a inventar beleza no que j\u00e1 \u00e9 belo, bel\u00edssimo, como o par de pernas que ora vislumbrava.<\/p>\n<p>&#8211; Sabe o que \u00e9 &#8211; repetiu tomando f\u00f4lego como se fosse revelar um grande segredo. <\/p>\n<p>Ele n\u00e3o a interrompeu.<\/p>\n<p>&#8211; Eu gosto de escrever e tenho alguns textos (premoni\u00e7\u00e3o braba, a raz\u00e3o do tal envelope) e gostaria de colaborar com o jornal.<\/p>\n<p>De imediato, espalhou sobre a mesa uma dezena de folhas, com fragmentos do que ela pr\u00f3pria intitulou sua obra. Era o que ele temia. E n\u00e3o sobrou escapat\u00f3ria sen\u00e3o dar uma &quot;sapeada&quot; nos escritos. Que roubada!<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>O primeiro n\u00e3o deixava d\u00favida sobre o que ela pensava sobre o que o mundo ocidental pensava sobre o continente africano. <\/p>\n<p>O seguinte descrevia os benef\u00edcios da dan\u00e7a do ventre e, de quebra, dava o endere\u00e7o da academia de uma amiga para maiores esclarecimentos (Pois \u00e9. N\u00e3o se imagina aonde o marketing pode chegar). <\/p>\n<p>A terceira foi suficiente para que desse por encerrada a her\u00f3ica miss\u00e3o. Tratava das fun\u00e7\u00f5es sociais do artista e, para mostrar embasamento, citava como fonte uma dessas enciclop\u00e9dias, onde a capa vistosa \u00e9 mais importante do que o conte\u00fado. <\/p>\n<p>&#8212; Sou uma escritora e, em breve, serei muito famosa. Assim como o Paulo Coelho. Ah! tamb\u00e9m quero ter um programa de TV, dar palestras e&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>&#8230; Enquanto a mo\u00e7a enfileirava sonhos e fantasias, o velho lobo a observava. A beleza da menina, sim, era real e se real\u00e7ava. Como diziam os amigos em c\u00f3digo , sempre que viam passar uma mulher mais bem apessoada:<\/p>\n<p>&#8212; Bela esp\u00e9cie, rapaziada.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, essa mesma cena, neste mesmo palco, com a presen\u00e7a de alguns velhos e bons amigos que j\u00e1 se foram para o andar superior, a garota seria inapelavelmente colocada na roda. As brincadeiras e goza\u00e7\u00f5es nem sempre respeitavam os limites do bom-senso. Mas, divertiam a valer desde que n\u00e3o fossem com ele ou algu\u00e9m pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>O seus olhos agora encheram-se de saudades&#8230;<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Lembrou que, certa tarde inst\u00e1vel como a daquele dia, uma senhora loira bem dotada visitou a Reda\u00e7\u00e3o para divulgar o novo trabalho. Era uma atriz e falava maravilhas da pe\u00e7a que entraria em cartaz e, da qual, era a produtora, autora, diretora e protagonista. <\/p>\n<p>Enquanto atendia a fulana, percebeu uma movimenta\u00e7\u00e3o exagerada no pr\u00e9dio. Sorrateiramente, dois deles sa\u00edram da sala e organizaram um enorme fila de aut\u00f3grafos para a precursora da Madonna. <\/p>\n<p>Convocaram boys, escritur\u00e1rios, atendentes, o pessoal da Publicidade e quem mais estivesse por ali. Todos com caneta e papel, prontos para recepcion\u00e1-la calorosamente assim que terminasse a entrevista. <\/p>\n<p>Obviamente, os fot\u00f3grafos ficaram a postos (s\u00f3 um deles com filme na m\u00e1quina). No estacionamento, outra presepada: posicionaram estrategicamente meia-d\u00fazia de autom\u00f3veis e outra parte da plat\u00e9ia para uma buzina\u00e7o e uma nova sess\u00e3o de aut\u00f3grafos e aplausos. <\/p>\n<p>Foi o grande momento da atriz que do nada surgiu e para o nada voltou&#8230; <\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Todos riram muito com aquela patacoada, especialmente do momento em que um dos tais, absolutamente tomado pelo personagem do f\u00e3 hist\u00e9rico, providenciou cimento fresco para que inaugurassem uma cal\u00e7ada da fama em pleno p\u00e1tio do estacionamento.<\/p>\n<p>Se a atriz que j\u00e1 registrava alguma rodagem pela longa e sinuosa estrada da vida entregou-se por inteiro aos doidivanas, imagine essa garota, a cada minuto mais deslumbrada e deslumbrando, que continuou a devanear com seus anseios de ser e estar. <\/p>\n<p>Devaneios por devaneios, n\u00e3o podia lhe repreender. Ele tamb\u00e9m estava, c\u00e1, com os dele. Precisou dar um basta em si mesmo. Insistiu e repetiu para ele mesmo se convencer: ela \u00e9 quase uma crian\u00e7a (n\u00e3o era tanto assim), invocou raz\u00f5es \u00e9ticas, morais, profissionais, c\u00edvicas, religiosas, pol\u00edticas, econ\u00f4micas, sociais. <\/p>\n<p>Sentiu, por\u00e9m, que nada se sustentava toda vez que ela o olhava mais insistentemente. <\/p>\n<p>E os olhares estavam cada vez mais freq\u00fcentes e lhe tiravam o bom ju\u00edzo.<\/p>\n<p>Resolveu cortar o mal pela raiz. Agora era ele quem tomava f\u00f4lego, assumiu ares professorais e lan\u00e7ou m\u00e3o do velho recurso que, ali\u00e1s, j\u00e1 havia lhe livrado de tantos outros constrangimentos. Perguntou cerimoniosamente se ela estudava ou j\u00e1 era formada em jornalismo.<\/p>\n<p>Sabia de antem\u00e3o a resposta.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o. Por qu\u00ea? Precisa?<\/p>\n<p>Era a resposta que ele imaginava. Fez uma express\u00e3o contrariada, como se a lamentar a perda, e argumentou: uma lei determina que as pessoas que escrevem para jornal precisam ser jornalistas diplomados em n\u00edvel superior. Se elazinha fosse ao menos estudante de jornalismo, poderia fazer uma concess\u00e3o. <\/p>\n<p>Mas, infelizmente&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Ah! Bonito&#8230; Tanto faz, n\u00e3o \u00e9 assim?<\/p>\n<p>Sorriu da resposta\/pergunta. Como iria lhe explicar? Todos sabem que n\u00e3o \u00e9 exatamente assim. Mas, \u00e9 um jeito que os jornalistas usam para se livrar (e livrar os leitores) de alguns \u2018grandes talentos\u2019 que aparecem nas reda\u00e7\u00f5es com ares e pinta de g\u00eanio. <\/p>\n<p>N\u00e3o era o caso dela. Poderia at\u00e9 deix\u00e1-la por l\u00e1 como estagi\u00e1ria. Por\u00e9m diante do que aconteceu h\u00e1 alguns anos, numa certa casa branca &#8211; inclusive a cor da pintura externa da sede ao jornal -, achou mais conveniente evitar problemas futuros.<\/p>\n<p>Evitar acidentes \u00e9 dever de todos&#8230;<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>Ela fez que se convenceu.<\/p>\n<p>&#8212; Acho muito justo, disse e sorriu.<\/p>\n<p>Entretanto, merecia uma oportunidade. Ademais, estava em seus planos cursar uma faculdade. O olhar se revelou ainda mais malicioso. <\/p>\n<p>&#8212; Voc\u00ea n\u00e3o vai se arrepender, garanto&#8230;<\/p>\n<p>Percebeu e vibrou com o fato de ela ter abolido a express\u00e3o &quot;senhor&quot; da frase. Mas, reconsiderou. N\u00e3o faz a menor diferen\u00e7a: os jovens de hoje s\u00e3o assim mesmo e cousa e lousa. <\/p>\n<p>&quot;N\u00e3o tem cabimento&quot; &#8211; sussurrou para que n\u00e3o cometesse qualquer ato de auto-engano.<\/p>\n<p>&#8211; O qu\u00ea? &#8211; perguntou.<\/p>\n<p>&#8211; Infelizmente n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Continue a escrever, a estudar e, principalmente, leia muito &#8211; parecia um pastor falando. <\/p>\n<p>Era melhor manter dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&#8212; Ent\u00e3o, t\u00e1 hein! Que pena&#8230;<\/p>\n<p>IX.<\/p>\n<p>Foi embora com seus escritos e os atropelos descabidos que lhe trouxe. P\u00f4de ent\u00e3o admirar a tranq\u00fcilidade da Reda\u00e7\u00e3o em pleno fechamento da edi\u00e7\u00e3o. L\u00e1 fora um arco-\u00edris enfeitava o cinzento c\u00e9u paulistano. Nem percebeu que havia chovido. Ficou aliviado. <\/p>\n<p>Logo, logo chegaria o caf\u00e9 novo e quente, que reporia alma e alucina\u00e7\u00f5es no devido lugar. <\/p>\n<p>&#8212; A mo\u00e7a mandou entregar &#8211; era Dona Santa, a copeira, que chegava com o caf\u00e9 e uma folha dobrada em quatro. Abriu para ler, era uma poesia \u2013 ou algo assim. Seria talvez um tratado de inten\u00e7\u00f5es que ela n\u00e3o hesitaria em realizar:<\/p>\n<p>&quot;Deslizo em m\u00e3os do prazer e meu corpo vibra e treme&#8230; Sempre te quis. N\u00e3o h\u00e1 fantasia que interrompa o tremor, o tes\u00e3o, a ternura, o suor, o amor, o encanto.\u201d<\/p>\n<p>Assinado: B. <\/p>\n<p>X.<\/p>\n<p>Quando o amigo Almeidinha me contou essa hist\u00f3ria, quase ca\u00ed da cadeira e me engasguei com o caf\u00e9 morno que acabara de me servir. Prestativo, o jornalista veio em meu socorro. Tapinhas nas costas e a pergunta inevit\u00e1vel:<\/p>\n<p>&#8212; O que foi? Era s\u00f3 uma menina&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Voc\u00ea n\u00e3o perguntou o nome da mo\u00e7a?<\/p>\n<p>&#8212; Era Beatriz, Branca&#8230; Bruna. Isto mesmo. Bruna. Disse tamb\u00e9m que gostava de mar, de surfe. E que ainda iria dar o que falar. Coisas de menina deslumbrada, voc\u00ea sabe&#8230;<\/p>\n<p>Saber, saber n\u00e3o sei. Mas, desconfio que o Almeidinha, na sua santa ingenuidade, perdeu a chance de ser o autor de um best-seller chamado \u2018Bruna Surfistinha\u2019&#8230;<\/p>\n<p>XI.<\/p>\n<p>Abracei o amigo e me despedi sem nada lhe dizer. <\/p>\n<p>&#8212; Eu apare\u00e7o, Almeidinha. <\/p>\n<p>&#8212; Apare\u00e7a, sim. Desde as diretas-j\u00e1 que n\u00e3o vejo nada de verdadeiramente interessante acontecer por aqui. Estou pensando em me aposentar&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; ?!!?<\/p>\n<p>POSTF\u00c1CIO<\/p>\n<p>Este post\/brincadeira \u00e9 dedicado ao jornalista Jorge Tarquini, amigo e autor do texto final do livro \u201cBruna Surfistinha\u201d. Quem soube fazer a hora e o best-seller\u2026<\/p>\n<p>Mas, creio, ficou impl\u00edcito tamb\u00e9m a homenagem ao protagonista de toda cena, o Almeidinha, t\u00edpico jornalista que parece n\u00e3o ter virado o s\u00e9culo XXI. Claro que a homenagem \u00e9 extensiva a toda uma cepa de profissionais de imprensa com os quais convivi ao longo dos meus 33 anos de carreira.Como h\u00e1 alguns anos estou afastado do dia-a-dia das reda\u00e7\u00f5es, n\u00e3o sei se sobrevive algum exemplar desta esp\u00e9cie em extin\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Teimo em dizer que sim. <\/p>\n<p>Mesmo que esteja em andamento o processo de juveniliza\u00e7\u00e3o do jornalismo, sempre existir\u00e1 um ou outro desses renitentes periodistas.<\/p>\n<p>E quem seria o tal?<\/p>\n<p>Imagine: aquele cara que vive para o jornal em que trabalha as 24 horas por dia. N\u00e3o tem hora para entrar, menos ainda para sair. Para ele, n\u00e3o h\u00e1 vida inteligente fora do aqu\u00e1rio \u2013 como chamavam a saleta do editor \u2013 ou da Reda\u00e7\u00e3o. S\u00f3 tem amigos jornalistas, s\u00f3 fala de jornalismo. Est\u00e1 sempre ligado no que pode se transformar em not\u00edcia. De batizado \u00e0 \u00faltima escuta que a Pol\u00edcia Federal divulgou. <\/p>\n<p>Se as coisas v\u00e3o bem, j\u00e1 se preocupa em como far\u00e1 para que a peteca n\u00e3o caia na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o. Se h\u00e1 qualquer sen\u00e3o com o jornal do dia, meu Deus, fica transtornado e transtorna a todos que est\u00e3o ao seu redor.<\/p>\n<p>S\u00e3o \u00f3timas pessoas. Mas, \u00e0s vezes, quase sempre, \u00e9 preciso muita paci\u00eancia para conviver com o tal. D\u00e1 a impress\u00e3o de que nunca est\u00e1 satisfeito. Na verdade, est\u00e1 \u00e9 preocupado com o rep\u00f3rter que n\u00e3o chega com a mat\u00e9ria que vai dar manchete. Que o foto n\u00e3o tem impacto. Que o colunista ainda n\u00e3o mandou o texto. Que&#8230; que&#8230; que&#8230; Essas coisas corriqueiras na grande maluquice que \u00e9 fazer um jornal di\u00e1rio.<\/p>\n<p>Nos tempos do chamado jornalismo rom\u00e2ntico, era esse cara que esperava o jornal do dia rodar noite adentro. Tomava o primeiro jornal a b\u00edceps da impressora. Dava uma sapeada em todas as p\u00e1ginas. Verificava os t\u00edtulos, as legendas. Tudo ok. Dobrava o jornal em quatro, colocava debaixo do bra\u00e7o e deixava lhe invadir uma enorme satisfa\u00e7\u00e3o do dever cumprido.<\/p>\n<p>Encontrava os amigos no boteco de sempre. Era o \u00faltimo a chegar o primeiro a sair. Tomava uns tragos, jogava conversa fora a ironizar a tudo e a todos. Ranzinza mesmo. Piadista tamb\u00e9m. Prometia se aposentar no pr\u00f3ximo ano. Iria criar galinhas numa chacrinha que tinha numa cidadezinha do interior. <\/p>\n<p>Ningu\u00e9m acreditava. Nem ele. Mas era delicioso ouvi-lo dizer essa baboseira. Uma esp\u00e9cie de senha para que a roda de ouvintes se dispersasse. Pois, amanh\u00e3 \u2013 ou hoje \u2013 seria um novo dia e o Almeidinha queria todos a postos e no hor\u00e1rio&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; O \u00faltimo a chegar, j\u00e1 sabem, vai escrever o hor\u00f3scopo&#8230;<\/p>\n[Texto publicado no livro &quot;Meus Caros Amigos \u2013 Cr\u00f4nicas sobre jornalistas, bo\u00eamios e paix\u00f5es&quot;]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Invadiu a reda\u00e7\u00e3o como se j\u00e1 fosse \u00edntima do ambiente. Ele falava ao telefone e apenas balan\u00e7ou afirmativamente a cabe\u00e7a quando ela se anunciou com um trivial &quot;licen\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-10675","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-parangoles"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10675","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10675"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10675\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13973,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10675\/revisions\/13973"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}