{"id":10677,"date":"2007-07-16T00:00:00","date_gmt":"2007-07-16T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:56:41","modified_gmt":"2017-09-15T19:56:41","slug":"gerais-de-minas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/gerais-de-minas\/","title":{"rendered":"Gerais de Minas"},"content":{"rendered":"<p>Andei por Minas Gerais.<\/p>\n<p>Foi a primeira vez que fiquei por l\u00e1 mais do que o tempo necess\u00e1rio. Havia estado, quase por acaso, em algumas cidades, pr\u00f3ximas \u00e0 divisa com S\u00e3o Paulo \u2013 Monte Verde, Delfim Moreira, S\u00e3o Louren\u00e7o. Uma vez, garoto ainda, fui jogar futebol em Varginha. N\u00e3o conhecia Belo Horizonte&#8230;<\/p>\n<p>Desta vez, n\u00e3o. Deu para apear meus trens num bom hotel \u2013 e ficar zanzando pra l\u00e1 e pra l\u00e1. T\u00e3o pra l\u00e1 que quase n\u00e3o volto pra c\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>Gostei do que vi e vivi&#8230; <\/p>\n<p>Nada, por\u00e9m, transcendental. Simples, como doce de leite com queijo.<\/p>\n<p>Simples, como a vida deveria sempre ser&#8230;<\/p>\n<p>Descobri, por exemplo, que sou como casarios das gentes mais humildes. Sem eira, nem beira e nada na algibeira. (Principalmente depois de pagar a viagem).<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Repito. Gostei do que vi.<\/p>\n<p>Foram al\u00e9m das minhas expectativas:<\/p>\n<p>\u00b7 as igrejas barrocas,<br \/>\n\u00b7 as obras do Aleijadinho,<br \/>\n\u00b7 os marcos do hero\u00edsmo de Tiradentes,<br \/>\n\u00b7 o t\u00famulo de Tancredo em S\u00e3o Jo\u00e3o Del Rey,<br \/>\n\u00b7 a cidade natal de Guimar\u00e3es Rosa,<br \/>\n\u00b7 as iguarias de Dona Lucinha,<br \/>\n\u00b7 o recital com a poesia de Drummond.<\/p>\n<p>&quot;Que pode uma criatura sen\u00e3o,<br \/>\nentre criaturas, amar?<br \/>\namar e esquecer,<br \/>\namar e malamar,<br \/>\namar, desamar, amar?<br \/>\nsempre, e at\u00e9 de olhos vidrados, amar?&quot;<\/p>\n<p>Tudo t\u00e3o Minas.<br \/>\nTudo t\u00e3o Brasil.<br \/>\nT\u00e3o nosso.<br \/>\nDe assustar, de t\u00e3o meu&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como negar, por\u00e9m. Fiquei mesmo tocado ao percorrer a Ladeira da Saudades, em Ouro Preto. O naco da montanha que separava as moradias de Doroth\u00e9ia e do inconfidente Thomas Ant\u00f4nio Gonzaga \u2013 literariamente conhecidos como Mar\u00edlia e Dirceu.<\/p>\n<p>Meus atentos cinco ou seis leitores sabem que essas hist\u00f3rias de amores imposs\u00edveis sempre me deixam assim, assim&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi poss\u00edvel entrar na casa do poeta que ainda l\u00e1 est\u00e1, forte e soberba. No alto da ladeira a desafiar o tempo e jovens amores que se pretendem eternos.<\/p>\n<p>Da janela mais alta, o inconfidente acenava um len\u00e7o branco para que a amada, de outra janela na casa ao p\u00e9 do morro, pudesse v\u00ea-lo e, assim, estar junto a ele.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o me pus a acenar como incautos turistas fizeram ao ouvir as explica\u00e7\u00f5es do guia. Primeiro, porque guardo o segredo de quem \u00e9 e sempre ser\u00e1 a Mar\u00edlia deste combalido Dirceu. Depois, porque sou da gera\u00e7\u00e3o que caminhou contra o vento, sem LEN\u00c7O e sem documento&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o havia com o qu\u00ea e para quem acenar&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andei por Minas Gerais.<\/p>\n<p>Foi a primeira vez que fiquei por l\u00e1 mais do que o tempo necess\u00e1rio. Havia estado, quase por acaso, em algumas cidades, pr\u00f3ximas \u00e0 divisa com S\u00e3o Paulo \u2013 Monte Verde,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10677","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10677","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10677"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10677\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17222,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10677\/revisions\/17222"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}