{"id":10681,"date":"2007-07-20T00:00:00","date_gmt":"2007-07-20T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:56:41","modified_gmt":"2017-09-15T19:56:41","slug":"nao-sei-se-sei","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/nao-sei-se-sei\/","title":{"rendered":"N\u00e3o sei se sei&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Amiga:<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se sei escrever um texto sobre o tema que voc\u00ea me prop\u00f4s. A hist\u00f3ria de um homem e uma mulher que se encontram, num determinado momento, sentem-se atra\u00eddos um pelo outro. Apesar das diferen\u00e7as de idade e de expectativas, admitem a possibilidade de ambos viverem um sentimento \u00fanico e rec\u00edproco. Mesmo assim \u2013 ou talvez por isso mesmo \u2013 resolvem ignorar o envolvimento e fazer o que a sociedade espera deles, inclusive eles pr\u00f3prios se convencem disso e, assim, seguem rumos diferentes.<\/p>\n<p>S\u00f3 que, vida afora, um n\u00e3o esquece o outro. O outro n\u00e3o esquece o um.<\/p>\n<p>Rolam as pedras do tempo, surge a internet e o casal retoma o contato. <\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 qualquer chance de partilharem juntos o mesmo caminho. Vivem com as respectivas fam\u00edlias \u2013 e a dist\u00e2ncia \u00e9 enorme. Ele num estado cosmopolita, ela muito al\u00e9m do perder de vista.<\/p>\n<p>Um absurdo. Mas, os dois sabem que o melhor momento do dia \u00e9 quando sentam \u00e0 frente da tela do computador e buscam not\u00edcias daquele amor de ontem. Sem presente, sem futuro. M\u00e1gico no enfileirar de palavras, promessas e desejos.  Mesmo que os dois \u2013 isto mesmo, os dois \u2013 saibam que jamais ser\u00e3o plenamente vividos&#8230;<\/p>\n<p>O que faz um senhor quase setent\u00e3o e uma jovem senhora se apegarem a esse \u2018brincar de viver\u2019 que, na pr\u00e1tica, \u00e9 uma baita ilus\u00e3o do que poderia ser e n\u00e3o foi, n\u00e3o \u00e9 e nem ser\u00e1?<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Amiga:<\/p>\n<p>Se entendi bem foi isso o que me emeiou naquela tarde de junho. Como v\u00ea, resisti e ainda resisto a escrever sobre. Repito, n\u00e3o sei se sei. Ali\u00e1s, de resto, sei que ningu\u00e9m sabe. Nem esot\u00e9ricos, nem psicanalistas, nem os s\u00e1bios do deserto. Porque o amor \u2013 e os relacionamentos \u2013 tem l\u00e1 suas peculiaridades. Um punhado de luz que faz verter o melhor da vida da gente e outro tanto de lamban\u00e7as que d\u00f3i no corpo e r\u00f3i a alma&#8230;<\/p>\n<p>Olha, para ajudar a explicar o que penso, vou tomar como refer\u00eancia tr\u00eas filmes. N\u00e3o ganharam Oscar, n\u00e3o lotaram casas. N\u00e3o mereceram cr\u00edticas como obras transcendentais. Mas, nunca sa\u00edram da minha mente, como toques interessantes para bem entender as surpresas da vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei o nome de ningu\u00e9m. Diretores, atores etc etc. Sei apenas que se chamam:<\/p>\n<p>\u00b7 O Marido da Cabeleireira<br \/>\n\u00b7 O Perfume de Lucyenne<br \/>\n\u00b7 Puerto Escondido.<\/p>\n<p>Os dois primeiros s\u00e3o franceses. O terceiro, italiano \u2013 com um ator grandalh\u00e3o e engra\u00e7ado que fez tamb\u00e9m Mediterr\u00e2neo e Concorr\u00eancia Desleal.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, se algu\u00e9m souber a ficha t\u00e9cnica dessas produ\u00e7\u00f5es fique \u00e0 vontade para postar nos coment\u00e1rios. Importante: s\u00f3 a ficha t\u00e9cnica, ok? Porque amanh\u00e3 eu escrevo sobre o enredo dos filmes e o que nos ensinam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amiga:<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se sei escrever um texto sobre o tema que voc\u00ea me prop\u00f4s. 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