{"id":10691,"date":"2007-07-28T00:00:00","date_gmt":"2007-07-28T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:56:40","modified_gmt":"2017-09-15T19:56:40","slug":"estranhezas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/estranhezas\/","title":{"rendered":"Estranhezas"},"content":{"rendered":"<p>Estou mais tranq\u00fcilo. Ando em boa companhia. <\/p>\n<p>Em sua coluna desta semana em O Estado de S. Paulo, o escritor Luiz Fernando Ver\u00edssimo reconheceu-se como parte da minoria que nunca leu Hary Porter. N\u00e3o leu, e pelo adiantado da hora, nem vai ler. Nada contra o rapazola que, se pertencesse a turma de degenerados do Cambuci nos anos 60, certamente n\u00e3o escaparia ao delicioso apelido de Fuinha.<\/p>\n<p>Por favor, car\u00edssimo, me inclua neste rol. S\u00f3 ainda n\u00e3o posso acompanha-lo na outra minoria que disse fazer parte \u2013 a dos sem-celular \u2013 porque dependo do \u2018bichinho\u2019 para s\u00e9rie de compromissos. Quem trabalha de carteira assinada n\u00e3o pode se dar a certos luxos, meu caro. Mas, olha, n\u00e3o conte a ningu\u00e9m, ok? J\u00e1 reduzi consideravelmente minha depend\u00eancia do tal. H\u00e1 dias que n\u00e3o resisto. Tranco o danado na gaveta das coisas inserv\u00edveis \u2013 especialmente nos fins de semana \u2013 e digo a todos que esqueci o celular no carro, em casa e por ai vai.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 pouco caso, n\u00e3o. \u00c9 que essa vida anda estranha. T\u00e3o estranha. Muito estranha mesmo.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Querem ver, distintos leitores, a estranheza do dia de ontem? Vou lhes contar. <\/p>\n<p>A prop\u00f3sito de conversar com um editor sobre o projeto de um livro ainda a escrever, voltei ao MSN depois de meses e meses de aus\u00eancia. O mo\u00e7o iria viajar, eu estava sem celular e precis\u00e1vamos trocar algumas informa\u00e7\u00f5es sobre o que farei nesses dias em que ele vai ficar fora. Uma lan e um notebook resolveram o impasse. S\u00f3 que depois do dever cumprido, com frioz\u00e3o que estava, resolvi continuar por ali e dar uma bisbilhotada nos recadinhos que me chegaram de amigos e conhecidos que, de resto, h\u00e1 tempos n\u00e3o vejo.<\/p>\n<p>Grande erro. Confesso que sa\u00ed de l\u00e1 desacoro\u00e7oado. <\/p>\n<p>Verdade verdadeira. <\/p>\n<p>Olhem a primeira estranheza. Todos se disseram \u2018morrendo de saudades\u2019 e interessados em saber como estou. Quer dizer, nem todos. Alguns nem deram tchum para minha presen\u00e7a na telinha. Mas, v\u00e1 l\u00e1. Faz parte. Entendo. Mas, os que teclaram \u2013 n\u00e3o \u00e9 uma cr\u00edtica, n\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 uma constata\u00e7\u00e3o \u2013 n\u00e3o fizeram qualquer men\u00e7\u00e3o de ocasionalmente nos encontrarmos. O que seria normal entre amigos, n\u00e3o? <\/p>\n<p>N\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 mais assim. <\/p>\n<p>Por nada e por tudo. Fiquei com a sensa\u00e7\u00e3o de que estamos nos habituando a uma vida artificial, de sentimentos insossos, vagos, fr\u00e1geis. <\/p>\n<p>Explico que a coisa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 comigo, n\u00e3o. Sempre que perguntava sobre outro &#8216;amigo&#8217; comum, a resposta ia por a\u00ed: \u2018teclei com ele dia desses, t\u00e1 numa boa\u2019.<\/p>\n<p>Ou seja, viramos human\u00f3ides, extens\u00e3o do PC.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Outras estranhezas. Vou por na banca s\u00f3 para saber se com voc\u00eas tamb\u00e9m \u00e9 assim. Sobrou fala\u00e7\u00e3o da vida alheia.  E as fotos que ilustram as p\u00e1ginas? Estamos mesmo no Pa\u00eds de \u2018giseles\u2019 e \u2018alem\u00e3os\u2019. Que poses s\u00e3o essas, meninada? Olha a bandeira. Inclusive, algumas mais entregam que ilustram. <\/p>\n<p>Leitores, t\u00e3o cedo n\u00e3o volto ali. Socorro.  <\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Li nos \u2018jornal\u00f5es\u2019 e estranhei que o cantor\/compositor Luiz Melodia est\u00e1 lan\u00e7ando um novo CD de nome \u201cEu Sou o Samba\u201d. Que, ali\u00e1s, deve ser bem legal, diga-se. Para tanto, ele foi gravar um clipe no morro do Est\u00e1cio, onde passou a inf\u00e2ncia e lhe serviu de inspira\u00e7\u00e3o para v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>A estranheza vem agora. <\/p>\n<p>Mel\u00f4 s\u00f3 conseguiu fazer as loca\u00e7\u00f5es depois que a produ\u00e7\u00e3o conseguiu uma autoriza\u00e7\u00e3o com o chefe do tr\u00e1fico local. Mesmo assim, ele e os t\u00e9cnicos foram recebidos e ficaram sob a vigil\u00e2ncia de garotos munidos de armas de grosso calibre. <\/p>\n<p>Eis a realidade do nosso Brasil brasileiro em tempos e na cidade do Pan.<\/p>\n<p>Recentemente estive em Minas \u2013 j\u00e1 contei para voc\u00eas. S\u00f3 n\u00e3o disse que ouvi de um mineirinho, que trabalhava no hotel onde me hospedei, a melhor defini\u00e7\u00e3o para os dias atuais: \u201c\u00c9, mo\u00e7o, vacilou um bocadim e, hoje, n\u00e3o tem perd\u00e3o, a banana engole o macaco\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estou mais tranq\u00fcilo. Ando em boa companhia. <\/p>\n<p>Em sua coluna desta semana em O Estado de S. 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