{"id":10695,"date":"2007-08-01T00:00:00","date_gmt":"2007-08-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:56:39","modified_gmt":"2017-09-15T19:56:39","slug":"azulzinho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/azulzinho\/","title":{"rendered":"Azulzinho"},"content":{"rendered":"<p>Hoje tive um compromisso, aqui pertinho, no Ipiranga.<\/p>\n<p>Ir ao Ipiranga sem dar uma passadinha \u2013 por instantes que seja \u2013 na igreja da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, na avenida Nazar\u00e9, \u00e9, para este esmulambado escriba, como ir a Roma e n\u00e3o ver o papa. <\/p>\n<p>O tom azul daquele templo me fascina. <\/p>\n<p>Est\u00e1 nas paredes de pintura suave, est\u00e1 na luz filtrada pelos vitrais&#8230;<\/p>\n<p>Faz parte do lugar.<\/p>\n<p>Deus ali \u2013 acreditem \u2013 \u00e9 azulzinho&#8230;<\/p>\n<p>Ali e azulzinho, me sinto em paz.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Pelos longos anos em que trabalhei no bairro, naquele espa\u00e7o encontrei ref\u00fagio e abrigo para minhas reflex\u00f5es e preces. A visita, vale dizer, n\u00e3o tinha hora certa para acontecer. Logo pela manh\u00e3, hora do almo\u00e7o ou no entardecer. Quando dava na veneta. La ia eu. E era de uma utilidade imensur\u00e1vel.<\/p>\n<p>Foi neste porto-seguro que refiz caminhos, duvidei de certezas absolutas e, n\u00e3o raras vezes, redimensionei o quanto andava distante de mim.<\/p>\n<p>Gostava de ficar por l\u00e1 a caminhar em c\u00edrculo ao redor dos pesados bancos de madeira. Via de regra, a igreja estava vazia e silenciosa. A tal ponto que ouvia o estalar dos meus passos no ch\u00e3o de pedra&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>O que me intrigava era a aus\u00eancia de imagens de santos. Havia dois crucifixos \u2013 um logo \u00e0 direita de quem entra e outro em frente ao altar. No altar-mor, a refer\u00eancia era a bela est\u00e1tua da Sant\u00edssima Virgem.<\/p>\n<p>Nunca entendi direito o porqu\u00ea das capelas laterais vazias \u2013 hoje, pude ver, j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o mais assim. Ponteiam ali nossos santos mais tradicionais: Ant\u00f4nio, Judas Tadeu, Expedito, Rita e as m\u00e3es padroeiras, F\u00e1tima e Aparecida.<\/p>\n<p>Se esqueci de algum, que me perdoe. Fiquei s\u00f3 instantes ali. <\/p>\n<p>E voltei a me sentir bem&#8230;<\/p>\n<p>Fez-se a paz que h\u00e1 tempos n\u00e3o enxergava.<\/p>\n<p>IV. <\/p>\n<p>Outra coisa.<\/p>\n<p>Sempre foram reveladoras as conversas que tive comigo mesmo. Falas silenciosas sob o olhar complacente da Sant\u00edssima, inspiradas por um Deus azul.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se me fiz melhor. Se fui menos injusto, mais tolerante. Se apostei em mentiras. Ou se deixei a verdade e o amor me escaparem pelo v\u00e3o dos dedos.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei.  <\/p>\n<p>Na real mesmo, sentia-me combatendo o bom combate.<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Meus cinco ou seis leitores \u2013 ser\u00e1 que voc\u00eas ainda est\u00e3o a\u00ed, do outro lado? \u2013 sabem que n\u00e3o sou de dar conselhos a ningu\u00e9m. Mas, hoje, acho que \u00e9 inevit\u00e1vel dizer ou desejar que todos tivessem um momento desses diariamente. Alguns minutos de conversa franca com a gente mesmo. Para que se revitalize sonhos e descubra-se um sentido para estar vivo, aqui e agora&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 que se ter um canto de paz&#8230;<\/p>\n<p>Pode ser uma can\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOu lugar qualquer em que renas\u00e7a o Deus azul que vive em cada um de n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje tive um compromisso, aqui pertinho, no Ipiranga.<\/p>\n<p>Ir ao Ipiranga sem dar uma passadinha \u2013 por instantes que seja \u2013 na igreja da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, na avenida Nazar\u00e9,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10695","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10695","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10695"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10695\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17206,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10695\/revisions\/17206"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10695"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10695"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10695"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}