{"id":10703,"date":"2007-08-09T00:00:00","date_gmt":"2007-08-09T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:56:38","modified_gmt":"2017-09-15T19:56:38","slug":"bic-preta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/bic-preta\/","title":{"rendered":"Bic preta"},"content":{"rendered":"<p>Ouvi a hist\u00f3ria de um amigo. Repasso a voc\u00eas. Como n\u00e3o pedi autoriza\u00e7\u00e3o e n\u00e3o sei se o pr\u00f3prio gostaria de que a mesma se tornasse p\u00fablica, n\u00e3o vou declinar o nome do santo. Mas, que todos saibam do milagre&#8230;<\/p>\n<p>Ele \u00e9 jornalista, professor, escritor e dono de uma produtora de conte\u00fado. Ou seja, tem mil e uma atividades. Trabalha de sol a sol, inclusive fins de semana. Os neg\u00f3cios v\u00e3o bem, mas lhe sugam a alma.<\/p>\n<p>Nesta semana, o amigo me veio com esta. <\/p>\n<p>Olhem a id\u00e9ia.<\/p>\n<p>Do jeito que a vida anda competitiva, n\u00e3o h\u00e1 o que fazer. O grande barato \u00e9 montar uma banquinha para vender canetas Bic pretas, num ponto movimentado de S\u00e3o Paulo. Mas, n\u00e3o um ponto qualquer. Algo que tenha um certo charme, outro tanto de hist\u00f3ria. O Viaduto do Ch\u00e1, por exemplo.<\/p>\n<p>H\u00e1 que se entender a fina ironia ou mesmo o bem-humorado desalento do amigo. Cada vez mais topamos com a roda-viva dos compromissos profissionais \u2013 e nos deixamos levar. Sequer percebemos o quanto de qualidade de vida se perde em troca de uns trocos.<\/p>\n<p>Pode parecer cascata. E algu\u00e9m vai dizer que \u00e9 \u201cum chorar de barriga cheia\u201d. Afinal todos querem se dar bem \u2013 e para isso trabalhamos, abrimos novas frentes, fazemos contatos &#8216;importantes&#8217;, criamos empresas. Produzimos, produzimos, produzimos&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o vou tirar a raz\u00e3o deste atilado observador. Mas, c\u00e1 para n\u00f3s, e j\u00e1 que estamos a rodar na \u00e1rea corporativa, vamos usar um belo sinalizador do bom neg\u00f3cio: um tal de custo benef\u00edcio. Algu\u00e9m a\u00ed j\u00e1 se perguntou o quanto est\u00e1 usufruindo tudo o que conquistou?<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>Vamos deixar a profundidade de lado e atentar para o detalhe fundamental da proposta. Meu amigo quer vender caneta Bic preta \u2013 e s\u00f3 preta.<\/p>\n<p>&#8212; Vem c\u00e1, amigo, mas se aparecer algu\u00e9m que quiser caneta vermelha ou azul? <\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o tenho. Que procure outra banca. S\u00f3 vendo canetas pretas.<\/p>\n<p>Ele explicou as raz\u00f5es. Que na verdade \u00e9 b\u00e1sica, essencial. N\u00e3o quer complicar nada. A rotina \u00e9 simples. Compra-se as canetas no atacadista. Monta-se a banquinha. E fica-se por ali apreciando o movimento, fazendo amizades, ouvindo uma musiquinha no ipod. Sem maiores afli\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>Deu o hor\u00e1rio, recolhe-se os trens \u2013 e vamos que vamos. Sem maiores tormentos. E o principal: sem levar servi\u00e7o para casa ou sacrificar um fim-de-semana.<\/p>\n<p>\u00cdndice zero de ang\u00fastias e aporrinha\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Sei que \u00e9 preciso coragem. Mas, tem a sua l\u00f3gica.<\/p>\n<p>Faz sentido.<\/p>\n<p>Pensando bem. Poderia seguir o exemplo do amigo. N\u00e3o estou a lhe roubar a id\u00e9ia. N\u00e3o causaria nenhum preju\u00edzo. Eu ficaria na outra ponta do viaduto, em cal\u00e7ada oposta. Outra freguesia. N\u00e3o haveria concorr\u00eancia. At\u00e9 porque eu venderia bics azuis. Sem problemas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ouvi a hist\u00f3ria de um amigo. Repasso a voc\u00eas. 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