{"id":10707,"date":"2007-08-13T00:00:00","date_gmt":"2007-08-13T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:56:37","modified_gmt":"2017-09-15T19:56:37","slug":"elvis","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/elvis\/","title":{"rendered":"Elvis"},"content":{"rendered":"<p>Divertid\u00edssima a cena. <\/p>\n<p>Foi em um dos epis\u00f3dios da TV Pirata, humor\u00edstico da Globo que fez escola. Luiz Fernando Guimar\u00e3es, vestido \u00e0 la Elvis, com aqueles macac\u00f5es estrobosc\u00f3picos, vagou como se fosse um zumbi durante todo o programa. Bra\u00e7os estendidos para frente, peruca com topete descomunal e chuma\u00e7os de algod\u00e3o nos v\u00e3os do nariz.<\/p>\n<p>Ele aparecia no teatro, na pra\u00e7a, na praia. Mas, os demais personagens n\u00e3o se assustavam com a vis\u00e3o. Apenas comentavam, com alguma estranheza:<\/p>\n<p>&#8212; Elvis n\u00e3o morreu&#8230; <\/p>\n<p>&#8212; Pois \u00e9, Elvis n\u00e3o morreu&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Acreditem. A brincadeira do pessoal da TV Pirata vai se transformar numa verdade indiscut\u00edvel nos pr\u00f3ximos dias. Nesta quarta, 16 de agosto, a morte do Rei do Rock completa 30 anos, mas o mito permanece imbat\u00edvel a nos lembrar:<\/p>\n<p>&#8212; Elvis n\u00e3o morreu&#8230; <\/p>\n<p>&#8212; Pois \u00e9, Elvis n\u00e3o morreu&#8230;<\/p>\n<p>Preparem-se, pois, para a enxurrada de Elvis na TV, no r\u00e1dio, nos jornais &#8211; e, \u00f3bvio, na net. Ontem no Fant\u00e1stico houve um concurso que escolheu o melhor clone de Elvis. Na sexta, Amaury J\u00fanior entrevistou o \u00fanico brasileiro que participou de um festival em Londres que reuniu os melhores imitadores de Elvis de todo o Planeta. N\u00e3o sei quantos se reuniram, mas dezenas de milhares se inscreveram. Houve uma sele\u00e7\u00e3o. Imaginem a quantidade de topetes (mesmo que seja peruca), macac\u00f5es, \u00f3culos enorme e o que lembrasse The Pelvis. <\/p>\n<p>Sempre que um acontecimento &#8212; alegre ou triste &#8212; completa anivers\u00e1rio com n\u00fameros redondos, a m\u00eddia n\u00e3o perdoa. D\u00e1-lhe retrospectiva, hist\u00f3ria, clones &#8212; muitos clones &#8211;, curiosidades, fofocas, suspeitas&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Se \u00e9 que ele morreu, n\u00e9&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Ouvi isso ainda hoje de um f\u00e3 de Elvis. O rapaz n\u00e3o tem mais do que 25 anos. <\/p>\n<p>Estranhei&#8230;<\/p>\n<p>Foi a\u00ed que resolvi escrever sobre tamanho fen\u00f4meno. Ele acredita piamente que a hip\u00f3tese n\u00e3o pode ser descartada.<\/p>\n<p>&#8212; Se \u00e9 que ele morreu, n\u00e9&#8230;<\/p>\n<p>Preferi n\u00e3o entrar em detalhes. Vai que o cara aparece por a\u00ed.<\/p>\n<p>\u201cIt\u2019s now ou never&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Eu, hein&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Elvis ainda \u00e9 o maior vendedor de toda a hist\u00f3ria da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica \u2013 essa mesma que est\u00e1 desaparecendo com a Internet. Registre-se que as vendas cresceram substancialmente depois da sua morte. Parecem se renovar a cada nova gera\u00e7\u00e3o. Um grande mist\u00e9rio&#8230;<\/p>\n<p>Um dos tantos que permearam a vida do pacato rapaz do Mississipi que, a partir de 1955, come\u00e7ou a mudar a hist\u00f3ria da m\u00fasica popular americana e, por conseq\u00fc\u00eancia, de todos os cantos do mundo. Mas, isto \u00e9 s\u00f3 o come\u00e7o do que os jornais e revistas se deliciar\u00e3o em contar.<\/p>\n<p>N\u00e3o fiquem indiferentes, como os personagens da TV Pirata. Confiram&#8230;<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>No Brasil, Elvis, vozeir\u00e3o e requebros, influenciou os jovens vov\u00f4s que hoje est\u00e3o na faixa dos 60 e qualquer coisa. Cantores como Dem\u00e9trius, Ronnie Cord, S\u00e9rgio Murilo, Toni Campello eram t\u00edmidas c\u00f3pias \u2013 e formaram nossa primeira gera\u00e7\u00e3o roqueira. Havia tamb\u00e9m Carlos Gonzaga que fazia sucesso com as vers\u00f5es das m\u00fasicas de Paul Anka, \u201cOh, Carol\u201d e \u201cDiana\u201d. <\/p>\n<p>Foi a primeira manifesta\u00e7\u00e3o de que os jovens tinham voz e vez. <\/p>\n<p>No cinema, James Dean e Marlon Brando faziam a ponte.<\/p>\n<p>Uma revolu\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou com o rock, invadiu nossas vidas e fez Hist\u00f3ria com H mai\u00fasculo.<\/p>\n<p>Nunca mais fomos os mesmos.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Eu era muito pequeno. Mas, via a euforia das minhas irm\u00e3s mais velhas \u2013 e especialmente das amigas das minhas irm\u00e3s. Existia uma tal de \u201cIa\u201d que era a vers\u00e3o nativa e oxigenada da Brigite Bardot. Gostava de v\u00ea-las dan\u00e7ar, ouvir hist\u00f3rias e imaginar coisas&#8230;<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, j\u00e1 disse aqui, desde pequeno tenho essa tend\u00eancia de&#8230; <\/p>\n<p>Bem, voc\u00eas sabem.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o entendia bulufas do que o cara cantava e n\u00e3o sabia dan\u00e7ar, s\u00f3 me restou mesmo tentar imit\u00e1-lo no topete. D\u00e1-lhe brilhantina, \u00e1gua ou guspe para segurar o \u2018bicho\u2019 nas alturas. <\/p>\n<p>O que era, na verdade, tempo perdido. <\/p>\n<p>Minutos depois, l\u00e1 estava eu todo despenteado a exibir uma inescap\u00e1vel franjinha. <\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>Por sorte, quando tinha meus onze, doze anos, uns rapazes de Liverpool resolveram imitar meu penteado e a\u00ed foi sopa no mel. Tornaram-se conhecidos como os reis do i\u00ea-i\u00ea-i\u00ea. Fizeram um baita sucesso. <\/p>\n<p>E eu fiquei naturalmente na moda&#8230;<\/p>\n<p>\u201cIt&#8217;s been a hard day&#8217;s night\u2026\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Divertid\u00edssima a cena. <\/p>\n<p>Foi em um dos epis\u00f3dios da TV Pirata, humor\u00edstico da Globo que fez escola. 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