{"id":10711,"date":"2007-08-17T00:00:00","date_gmt":"2007-08-17T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:56:37","modified_gmt":"2017-09-15T19:56:37","slug":"breve-recado","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/breve-recado\/","title":{"rendered":"Breve recado"},"content":{"rendered":"<p>Aos formandos,<\/p>\n<p>Vim hoje apenas lhes lembrar uma hist\u00f3ria. Na verdade, um filme. N\u00e3o sei se voc\u00eas j\u00e1 assistiram a O Carteiro e o Poeta, presente em qualquer locadora que se preze. <\/p>\n<p>Inspira-se no suposto ex\u00edlio do poeta chileno Pablo Neruda numa pequena ilha italiana, onde faz amizade com o carteiro do lugar. <\/p>\n<p>Uma cena \u00e9 marcante. <\/p>\n<p>O bom carteiro M\u00e1rio, fascinado pela conviv\u00eancia com Neruda, cismou: quer aprender a ser poeta&#8230; <\/p>\n<p>Apaixonado pela bel\u00edssima Beatriz, ele recorre ao novo amigo para aprender o encanto das palavras. <\/p>\n<p>Neruda procura explicar tecnicamente o processo de constru\u00e7\u00e3o de um poema, mas n\u00e3o obt\u00e9m qualquer \u00eaxito. <\/p>\n<p>Ambos est\u00e3o na praia diante do Mediterr\u00e2neo. <\/p>\n<p>Como \u00faltimo expediente, Neruda recita uma de suas poesias que relaciona o imprevis\u00edvel ir e vir das ondas com o tropel dos cora\u00e7\u00f5es apaixonados. <\/p>\n<p>Quando termina o soneto, o poeta pergunta: <\/p>\n<p>\u201cE ent\u00e3o gostou?\u201d <\/p>\n<p>E o carteiro, sem se dar conta, faz met\u00e1fora em forma de poema&#8230; <\/p>\n<p>\u201cMas, eu me sinto assim como um barco num mar de palavras\u201d. <\/p>\n<p>II. <\/p>\n<p>Quis contar essa breve hist\u00f3ria porque hoje, creio, voc\u00eas est\u00e3o diante de um mar de possibilidades. <\/p>\n<p>Fim de um ciclo. Novos caminhos. <\/p>\n<p>Caminhos s\u00e3o possibilidades, inclusive as imposs\u00edveis. <\/p>\n<p>III. <\/p>\n<p>Durante quatro anos, n\u00f3s aqui do Curso de Jornalismo nos esfor\u00e7amos para explicar a profiss\u00e3o poss\u00edvel \u2013 as t\u00e9cnicas, a organiza\u00e7\u00e3o do texto, a \u00e9tica profissional, a responsabilidade cr\u00edtica e fiscalizadora, essas coisas todas, tidas e havidas como racionais e l\u00f3gicas, indispens\u00e1veis. <\/p>\n<p>Muitas vezes, toldamos aspira\u00e7\u00f5es com tais rigores. <\/p>\n<p>Foi necess\u00e1rio, creiam. Mas agora \u00e9 hora de corrigir a rota&#8230; <\/p>\n<p>IV. <\/p>\n<p>\u00c9 na verdade um breve recado. <\/p>\n<p>Gostaria de pedir a voc\u00eas que n\u00e3o esque\u00e7am a poesia do ser jornalista. <\/p>\n<p>Mais do que um relato liter\u00e1rio, poesia em jornalismo quer dizer envolvimento&#8230; <\/p>\n<p>Com ideais, causas p\u00fablicas, propostas sociais \u2013 e musas tamb\u00e9m que ningu\u00e9m \u00e9 de ferro. <\/p>\n<p>V. <\/p>\n<p>De algum modo, em um dado momento, tudo parece conspirar contra&#8230; <\/p>\n<p>Mas, insistam em acreditar na \u00fanica possibilidade que realmente abre portas para todas as outras: ser feliz&#8230; <\/p>\n<p>E fazer com que cada vez mais gente seja feliz&#8230; <\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Boa sorte nessa empreitada. Luz e firmeza.<\/p>\n<p>N\u00f3s, professores, continuaremos por aqui pela praia. A olhar o mar de possibilidades. Torceremos muito por voc\u00eas, novos jornalistas e audazes navegantes, que v\u00e3o cumprir a rota das estrelas&#8230;<\/p>\n<p>* Sexta, 17. Sal\u00e3o Nobre da Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo. Rudge Ramos. S\u00e3o Bernado. Cola\u00e7\u00e3o de grau da turma de jornalismo &quot;Prof. Jorge Tarquini&quot;, 2003\/2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos formandos,<\/p>\n<p>Vim hoje apenas lhes lembrar uma hist\u00f3ria. Na verdade, um filme. 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