{"id":10713,"date":"2007-08-19T00:00:00","date_gmt":"2007-08-19T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:56:37","modified_gmt":"2017-09-15T19:56:37","slug":"um-dos-melhores","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/um-dos-melhores\/","title":{"rendered":"Um dos melhores&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>O Marques o chamava de A V\u00edbora.<\/p>\n<p>Z\u00e9 Jofre perguntou se eu n\u00e3o o conhecia \u2013 e concluiu:<\/p>\n<p>&#8212; Ensinam o qu\u00ea na universidade?<\/p>\n<p>Comecei a responder:<\/p>\n<p>&#8212; Fundamentos Cient\u00edficos da Comunica\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Ouvi a risada do Nasci e percebi a ironia da pergunta.<\/p>\n<p>Leila e Regina, mais jovens do que eu, ficaram silenciosas. <\/p>\n<p>Desconfio que tamb\u00e9m n\u00e3o o conheciam.<\/p>\n<p>Para variar, nosso chefe imediato, o AC, n\u00e3o estava \u2013 era o \u00fanico que nos socorria nessas horas em que o conflito de gera\u00e7\u00f5es eclodia na primeira reda\u00e7\u00e3o em que trabalhei.<\/p>\n<p>Era divertido&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Soube depois que, ao lado de Rubem Braga, ele foi correspondente na Segunda Grande Guerra a mando do chefe, Assis Chateaubriand. Mas, passei a conhece-lo melhor quando teve uma coluna no antigo Di\u00e1rio Popular.<\/p>\n<p>Era um rep\u00f3rter contundente, demolidor. Por isso, Chat\u00f4 lhe deu o apelido&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 dois livros que re\u00fane suas reportagens que recomendo aos alunos de jornalismo: A Feijoada Que Derrubou o Governo e A Mil\u00e9sima Segunda Noite da Avenida Paulista.<\/p>\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, um terceiro que \u00e9 o meu preferido. Encontrei o exemplar em um sebo e me encanto toda vez que releio os contos que o jornalista escreveu. Sens\u00edvel \u00e0s pequenas coisas do cotidiano, em nada lembra a V\u00edbora das reda\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p>Chama-se N\u00e3o Foi o Que Voc\u00ea Pediu?<\/p>\n<p>Mas, h\u00e1 outros tantos. Sergipano de Lagarto, o homem chegou ao Rio em 1938 e desandou a escrever. S\u00f3 no Santo Google s\u00e3o 699 mil refer\u00eancias \u00e0 sua obra.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Ano passado, uma estudante de jornalismo o entrevistou para a disciplina de Reportagens Especiais. Estava com a sa\u00fade debilitada, por isso n\u00e3o quis que a mo\u00e7a tivesse o trabalho de se deslocar at\u00e9 sua casa no Rio. Vai que justo na hora tivesse uma crise qualquer e n\u00e3o pudesse atende-la. Conversaram, ent\u00e3o, por telefone e ele se emocionou quando viu o interesse de uma jovem pelo futuro da reportagem. <\/p>\n<p>Ou melhor, da grande reportagem. Essa mesmo que os jornal\u00f5es parecem ter cada vez mais interesse em que desapare\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8212; Lugar de rep\u00f3rter \u00e9 na rua, \u00e0 ca\u00e7a de not\u00edcia. Que bom que voc\u00ea pensa assim \u2013 ensinou o velho jornalista, certamente um dos melhores nesses quase 200 anos de jornalismo no Brasil.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>A estudante me contou que ele mal enxergava. Sua grande tristeza era n\u00e3o poder ler os jornais di\u00e1rios. No entanto, acompanhava tudo o que acontecia pelo r\u00e1dio e pela TV. N\u00e3o podia ver, mas ouvia atentamente. <\/p>\n<p>S\u00f3 ia dormir depois do \u00faltimo telejornal da madrugada. Mesmo assim a ruminar os assuntos para uma prov\u00e1vel coluna que nunca mais escreveu&#8230;<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Foram assim os \u00faltimos dias do jornalista e escritor Joel Silveira, que morreu na quinta-feira, dia 16, aos 88 anos, em Copacabana, Rio de Janeiro&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Marques o chamava de A V\u00edbora.<\/p>\n<p>Z\u00e9 Jofre perguntou se eu n\u00e3o o conhecia \u2013 e concluiu:<\/p>\n<p>&#8212; Ensinam o qu\u00ea na universidade?<\/p>\n<p>Comecei a responder:<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10713","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10713","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10713"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10713\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17186,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10713\/revisions\/17186"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10713"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10713"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10713"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}