{"id":10715,"date":"2007-08-18T00:00:00","date_gmt":"2007-08-18T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2018-03-29T19:56:12","modified_gmt":"2018-03-29T19:56:12","slug":"allonville","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/allonville\/","title":{"rendered":"Allonville"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>por Leila Kiyomura<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&#8230; E por coincid\u00eancia c\u00e1 estou em Allonville, uma vilazinha de Amiens onde viveu Julio Verne. Ando sob o sol em um bosque de macieiras, batatas, flores e vacas. Fa\u00e7o o meu pr\u00f3prio p\u00e3o porque n\u00e3o existe com\u00e9rcio, plantei minhas alfaces em floreiras e como gel\u00e9ia e tomo suco de uma amoreira do fundo do quintal. Uma amoreira que como todas as \u00e1rvores da regi\u00e3o n\u00e3o param de dar frutos.<\/p>\n<p>Viver em Allonville significa descobrir a vida nas coisas mais simples. \u00c9 preciso amar e saber aprender a cuidar das flores. Cumprimentar os vizinhos com um cordial bonjour madane, bonjour monsieur&#8230;<\/p>\n<p>Ter um jardim bonito, cortinas rendadas nas janelas, um bom vinho envelhecido e alguns tipos de queijos diferentes fazem parte desta descoberta.<\/p>\n<p>Como em todo planeta, as esta\u00e7\u00f5es andam confusas. Em Allonville est\u00e1 um frio danado, 12 graus, que apressou o florescer dos amores perfeitos que brilham no meio do gramado. Todos ficam dentro de casa, as ruas est\u00e3o vazias e silenciosas. De vez em quando, ou\u00e7o o som de um piano Bechstein que vem da casa de uma fam\u00edlia alem\u00e3. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica, melanc\u00f3lica e intimista&#8230;<\/p>\n<p>Penso que n\u00e3o \u00e9 por menos que Pierre Auguste Renoir, Paul C\u00e9zanne, Jean Paul Sartre, Honor\u00e9 de Balzac nasceram franceses. O viver nessas pequenas vilas desperta a reflex\u00e3o, a vontade de escrever poemas, pintar, compor ou imaginar um filme&#8230;<\/p>\n<p>Quem mora nessas vilas, odeia ir a Paris que \u00e9 absolutamente estressante e o trem de ida e volta custa 36 euros, o pre\u00e7o de uma excelente champanhe para brindar a vida com sossego em um momento muito especial, que os franceses sabem muito bem criar. Os dias s\u00e3o longos; amanhece \u00e0s 6 e anoitece \u00e0s 22 horas. Com tanta luz, n\u00e3o d\u00e1 para ser infeliz&#8230;<\/p>\n<p>Outro dia, a minha vizinha comentou que ouviu no notici\u00e1rio que uma em cada tr\u00eas crian\u00e7as n\u00e3o vai viajar nas f\u00e9rias de ver\u00e3o? Onde j\u00e1 se viu uma coisa destas?<\/p>\n<p>Os franceses adoram viajar, ir \u00e0 praia&#8230;<\/p>\n<p>Pelas estradas, os motor homes emperram o tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p>Aqui n\u00e3o tenho telefone, nem celular. Da vida moderna, preservo a net. Outro dia pensei em telefonar, por\u00e9m o \u00fanico orelh\u00e3o da vila emperrou por falta de uso.<\/p>\n<p>Como voc\u00ea bem disse, n\u00e3o se pode chegar na Fran\u00e7a sozinho. Aqui at\u00e9 os velhinhos passeiam de m\u00e3os dadas&#8230;<\/p>\n<p>Amar \u00e9 a regra&#8230; E o sonho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><em><strong>por Leila Kiyomura<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&#8230; E por coincid\u00eancia c\u00e1 estou em Allonville, uma vilazinha de Amiens onde viveu Julio Verne. Ando sob o sol em um bosque de macieiras,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-10715","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uns-e-outros"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10715"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10715\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18561,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10715\/revisions\/18561"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}