{"id":10740,"date":"2007-09-07T00:00:00","date_gmt":"2007-09-07T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:56:34","modified_gmt":"2017-09-15T19:56:34","slug":"o-que-a-noite-esconde","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-que-a-noite-esconde\/","title":{"rendered":"O que a noite esconde&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>O negrume da noite esconde as montanhas que, sei, est\u00e3o logo ali,  aonde as vi hoje pela manh\u00e3. As luzes esparsas das ruas do pequeno lugarejo ao longe s\u00e3o meus \u00fanicos referenciais. Consigo divis\u00e1-las por entre copas de \u00e1rvores e outras claridades esparsas, que desconhe\u00e7o a origem. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 daquelas noites de escurid\u00e3o retinta. Uma ou outra esmaecida estrela no c\u00e9u . Procuro em v\u00e3o a lua e o tal luar do sert\u00e3o que meu av\u00f4 Carlito tanto gostava de cantar. Consolo-me com a possibilidade de que apare\u00e7am amanh\u00e3, quando ainda estarei por aqui.<\/p>\n<p>Uma pequena pousada no interior de S\u00e3o Paulo, quase na divisa, entre Rio e Minas. Foi para c\u00e1 que o feriado me trouxe. N\u00e3o t\u00e3o longe, pois ainda me permito saber das not\u00edcias a\u00ed de Sampa. N\u00e3o t\u00e3o perto, pois me sugere a paz , dificil de encontrar na metr\u00f3pole, mesmo em fins de semana prolongados.<\/p>\n<p>Vejo na TV que os shoppings esperam 5 milh\u00f5es de paulistanos neste fim-de-semana.<\/p>\n<p>Deixei o Jornal Nacional na escalada de manchetes \u2013 e agora estou na varanda a contemplar o nada.<\/p>\n<p>O negrume da noite&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Na verdade, olho para dentro de mim mesmo. Tento organizar o que me espera esses \u00faltimos meses do ano. Os tais compromissos inadi\u00e1veis, as decis\u00f5es a serem tomadas, os projetos para o futuro. <\/p>\n<p>Uma leve brisa a ro\u00e7ar a pele traz uma agrad\u00e1vel sensa\u00e7\u00e3o de distanciamento de tudo e de todos. Como conseq\u00fc\u00eancia sugere que deixamos esses pensamentos para depois. Se poss\u00edvel, s\u00f3 na segunda. <\/p>\n<p>De minha parte, n\u00e3o h\u00e1 resist\u00eancia. <\/p>\n<p>Apuro o olhar, tento ver o contorno da torre da igrejinha distante. Mas, \u00e9 teimosia pura. Um \u00e1libi para levar meus pensamentos para novos horizontes.<\/p>\n<p>O negrume da noite&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Em algum lugar do passado, andei por essas montanhas entre a serra da Mantiqueira e a do Mar. Meus alunos de Jornalismo j\u00e1 enjoaram de me ouvir falar da expedi\u00e7\u00e3o pela Trilha do Ouro que cobri para o Jornal da Tarde. Se algu\u00e9m estiver interessado, a \u00edntegra est\u00e1 neste site, no \u00edcone Reportagem. Outra vez, fiz a travessia a bordo de um jeep, lan\u00e7ado por uma montadora japonesa \u2013 n\u00e3o consigo lembrar o nome \u2013 que cortou monte, vales e riachos. Era mat\u00e9ria para um suplemento de Ve\u00edculos \u2013 e seguramente me diverti mais do que bem informei aos am\u00e1veis leitores.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma extraordin\u00e1ria diferen\u00e7a entre aquelas incurs\u00f5es e a de hoje.<\/p>\n<p>N\u00e3o saberia lhes dizer se o c\u00e9u estava mais ou menos carrancudo, com mais ou menos estrelas.<\/p>\n<p>Simplesmente n\u00e3o o consultei  &#8211; que pena.<\/p>\n<p>Estava de passagem e trazia ora o interesse profissional, ora uma leveza d\u2019alma que se perdeu.<\/p>\n<p>Talvez seja isto que hoje pergunte ao negrume da noite&#8230;<\/p>\n<p>IV. <\/p>\n<p>Est\u00e1 esfriando por aqui. A brisa virou aragem. Acho mais conveniente entrar para o aconchego do chal\u00e9. Antes, por\u00e9m, deixo a ressalva:<\/p>\n<p>Pergunto por perguntar. Sei bem de onde achar a resposta&#8230;<\/p>\n<p>Deixemos, pois, o negrume da noite a esconder as montanhas, as estrelas, o luar, a pequena Barreiros, a torre da igreja e mais este meu bobo segredo &#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O negrume da noite esconde as montanhas que, sei, est\u00e3o logo ali,  aonde as vi hoje pela manh\u00e3. 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