{"id":10748,"date":"2007-09-15T00:00:00","date_gmt":"2007-09-15T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:56:33","modified_gmt":"2017-09-15T19:56:33","slug":"sabado-morno","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sabado-morno\/","title":{"rendered":"S\u00e1bado morno"},"content":{"rendered":"<p>Sobre o que conversaremos neste s\u00e1bado morno&#8230;<\/p>\n<p>Como assim? N\u00e3o entenderam a pergunta? <\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que faltou o ponto de interroga\u00e7\u00e3o na primeira frase. Usei retic\u00eancias e posso ter confundido a leitura de voc\u00eas. Dizem os Manuais de Reda\u00e7\u00e3o que o uso de retic\u00eancias \u00e9 inadequado aos textos jornal\u00edsticos porque sugere imprecis\u00e3o, um certo devanear. Ao contr\u00e1rio do grande fil\u00f3sofo contempor\u00e2neo Abelardo \u201cChacrinha\u201d Barbosa, o jornalista existe \u2013 ao menos nos entendemos assim \u2013 para informar, esclarecer e n\u00e3o para complicar. Na lida di\u00e1ria de responder dezenas de emails, habituei-me a pr\u00e1tica de \u2018reticenciar\u2019 \u2013 se me permitem o neologismo &#8211; e parece virou mesmo um v\u00edcio&#8230; <\/p>\n<p>Certamente por isso \u2013 e tamb\u00e9m pela falta de assunto, comecei do jeito que comecei. Cabe-me agora confessar a voc\u00eas que estamos \u00e0 deriva. N\u00e3o sei aonde esse alinhar de letrinhas vai parar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do que postar e emeiar s\u00e3o da mesma fam\u00edlia&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Isto posto, conto a hist\u00f3ria do novo amigo que fiz. Apresentou-se assim:<\/p>\n<p>&#8212; Me chamo Amparo. Mas, \u00e9 s\u00f3 nome mesmo. Pois, na draga que eu ando, n\u00e3o amparo ningu\u00e9m. Nem a mim mesmo. Moro de favor na casa do meu pai. Tamb\u00e9m fazer o qu\u00ea? Foi ele quem me deu este nome.<\/p>\n<p>Achei divertida a fala do homem, que vendia sapatos num Atacad\u00e3o aqui perto de casa. Mas, n\u00e3o gostaria de estar na pele dele. Amparo, ali\u00e1s, \u00e9 nome de uma pacata cidade do interior de S\u00e3o Paulo, perto de Serra Negra. O pai quis prestar uma homenagem \u00e0 terra natal, de onde veio e para onde nunca mais voltou.<\/p>\n<p>Amparinho disse que n\u00e3o conhece e nem quer conhecer a cidade que lhe emprestou o nome. Ent\u00e3o, defendi a escolha do pai.<\/p>\n<p>&#8212; Poderia ser pior. J\u00e1 imaginou se o seu pai nasce em Bananal?<\/p>\n<p>&#8212; Pindamonhagaba, cara. Pindamonhagaba. \u00c0s vezes, tenho at\u00e9 pesadelos. Sonho que o pai nasceu l\u00e1 e o vejo alegre e feliz indo para o cart\u00f3rio registrar o primeiro filho. H\u00e1 um sorriso estanho na cara do velho. Ou\u00e7o ele murmurar: &quot;Pinda, meu garoto&quot;. Acordo mais desamparado do que j\u00e1 sou&#8230;<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Depois dessa, acho que poderia parar por aqui mesmo e dar por cumprida a miss\u00e3o. Dormi demais, quase o dia todo. Falta-me f\u00f4lego para uma hist\u00f3ria mais longa. Entendo, por\u00e9m, que n\u00e3o seria sensato da minha parte abandonar \u00e0 deriva meus tr\u00eas ou quatro leitores. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, este \u00e9 um bom assunto para outro t\u00f3pico. <\/p>\n<p>A audi\u00eancia do blog baixou consideravelmente. Andamos a\u00ed pelos arredores das 40 visitas di\u00e1rias \u2013 e olhe que chegamos \u00e0 casa das 100. Estava a me perguntar sobre a causa da debandada generalizada, quando um caro amigo, especialista em on-line, tratou de me confortar quando lhe disse da minha apreens\u00e3o. <\/p>\n<p>&#8212; O pessoal anda cansado dos blogs. J\u00e1 n\u00e3o registram a mesma procura \u2013 salvo rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es. Na net, \u00e9 assim: tudo entra e sai de moda com muita facilidade. O momento \u00e9 dos v\u00eddeos caseiros ou pol\u00eamicos. \u00c9 a bolha do You Tube que logo logo explode e cede lugar a outra novidade. <\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Fazem sentido as pondera\u00e7\u00f5es. Eu mesmo n\u00e3o vou aos meus blogs preferidos h\u00e1 alguns dias ou semanas. De qualquer forma, ele me aconselhou a \u2018hospedar\u2019 meus textos num portal desses famosos, onde a visibilidade seria maior. Como conseq\u00fc\u00eancia, haveria chance de um renovar constante de leitores por atingir um n\u00famero consider\u00e1vel de internautas. <\/p>\n<p>&#8212; Nesses grandes portais, s\u00f3 se fala em milh\u00f5es de acessos pra c\u00e1, pra l\u00e1 e pra acol\u00e1. \u00c0s vezes, as hist\u00f3rias se repetem e cansam &#8212; mesmo as boas como as que voc\u00ea escreve&#8230;<\/p>\n<p>Ele foi generoso nos elogios, principalmente \u00e0 minha disposi\u00e7\u00e3o de diariamente cravar um texto novo.<\/p>\n<p>H\u00e1 que se dar o devido desconto \u00e0s palavras do amigo, justamente por ser amigo. De resto, \u00e9 torcer para que n\u00e3o leia esta cr\u00f4nica de hoje \u2013 ele ou algum respons\u00e1vel pelos tais portais.  \u00c9 bem prov\u00e1vel que eu os decepcionaria com a minha falta de assunto.<\/p>\n<p>Mas, convenhamos: para quem come\u00e7ou, reticente como eu, a divagar sobre as retic\u00eancias da primeira frase, at\u00e9 que escrevi demais, n\u00e3o acham?<\/p>\n<p>\u00cata, s\u00e1bado morno&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobre o que conversaremos neste s\u00e1bado morno&#8230;<\/p>\n<p>Como assim? N\u00e3o entenderam a pergunta? <\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que faltou o ponto de interroga\u00e7\u00e3o na primeira frase. 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