{"id":10770,"date":"2007-10-07T00:00:00","date_gmt":"2007-10-07T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:55:50","modified_gmt":"2017-09-15T19:55:50","slug":"caminho-de-pedras","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/caminho-de-pedras\/","title":{"rendered":"Caminho de pedras"},"content":{"rendered":"<p>Havia uma pedra no meio do caminho. <\/p>\n<p>Uma s\u00f3, n\u00e3o. <\/p>\n<p>Muitas. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, o caminho surpreenderia o mais inspirado dos poetas. <\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>O caminho \u00e9 todo cal\u00e7ado por pedras irregulares.<br \/>\nDe diversos tamanhos e formas. <\/p>\n<p>Foram justapostas, uma ao lado da outra. <\/p>\n<p>Isto, no s\u00e9culo 18, por escravos que as retiraram do fundo do rio Mambucaba. <\/p>\n<p>Para assent\u00e1-las, reza a lenda, os negros usaram \u00f3leo de baleia. <\/p>\n<p>Haja baleia! <\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>A rota tem aproximadamente 30 quil\u00f4metros de extens\u00e3o.  <\/p>\n<p>Serpenteia todo o Parque Nacional da Serra da Bocaina, na divisa dos estados de Minas Gerais Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. L\u00e1 nos confins do Vale do Para\u00edba, entre os magn\u00edficos cen\u00e1rios das serras da Mantiqueira e do Mar. <\/p>\n<p>Quase me esquecia de dizer. <\/p>\n<p>Este caminho tem nome. <\/p>\n<p>V\u00e1rios. <\/p>\n<p>Estrada da Cesar\u00e9ia (a fortaleza de pedras constru\u00edda por Herodes no Mediterr\u00e2neo) ou Estrada da Independ\u00eancia ou Trilha dos Mineiros. <\/p>\n<p>A denomina\u00e7\u00e3o da moda, por\u00e9m, \u00e9 Trilha do Ouro. <\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Car\u00edssimos.<\/p>\n<p>N\u00e3o se surpreendam com a palavra \u2018moda\u2019. <\/p>\n<p>Como nos tempos do Brasil Col\u00f4nia, o caminho de pedras ainda hoje \u00e9 usado para transporte em mulas de todo tipo de mercadoria, principalmente alimentos. <\/p>\n<p>S\u00f3 que, agora, os animais carregam tamb\u00e9m as coloridas mochilas dos ecoturistas que descobriram o parque e a trilha como pontos de refer\u00eancia para aventuras radicais \u2013 v\u00f4os de asa delta, rapel, trekkings \u2013 ou para um cada vez mais atual \u201ccontato com a natureza\u201d. <\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Para o pr\u00f3ximo fim de semana, espera-se que centenas de pessoas invadam aquelas paragens.  A maioria atra\u00edda pelas maravilhas da Trilha. <\/p>\n<p>Ao p\u00e9 da montanha, h\u00e1 inclusive uma ag\u00eancia de turismo na pequena S\u00e3o Jos\u00e9 do Barreiro que, pelo menos duas vezes por m\u00eas, leva grupos de 16 a 20 turistas para o desafio de tr\u00eas dias de caminhada.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a pacata S\u00e3o Jos\u00e9 do Barreiro, por si s\u00f3, \u00e9 uma atra\u00e7\u00e3o. H\u00e1 quem diga ser a mais famosa das cidades hist\u00f3ricas do Vale do Para\u00edba \u2013 Bananal, Areias, Arape\u00ed, Cachoeiro. De l\u00e1 se faz ponto de partida para diversas excurs\u00f5es pelos mais escondidos grot\u00f5es do lugar, que incluem matas e cachoeiras e cen\u00e1rios deslumbrantes como o &quot;Morro Frio&quot;.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m das caminhadas, a pequena Barreiro oferece uma s\u00e9rie de atra\u00e7\u00f5es como a secular igreja matriz, a Fazenda do Pau D\u2019Alho (onde reza a lenda D.Pedro pernoitou antes de vir para S\u00e3o Paulo e proclamar a Independ\u00eancia), um bra\u00e7o da Represa do Funil, um trecho da velha Estrada Rio-S\u00e3o Paulo (que vai acabar submerso na pr\u00f3pria Represa) e uma singela pra\u00e7a com coreto e jardins, no melhor estilo e tradi\u00e7\u00e3o das pracinhas do Interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Com uma razo\u00e1vel estrutura de pousadas e hot\u00e9is, a cidade situa-se a 296 quil\u00f4metros de S\u00e3o Paulo, pr\u00f3ximo \u00e0 divisa do Rio de Janeiro. O visitante deve seguir pela Dutra at\u00e9 \u00e0 cidade de Queluz pegar a Rodovia Estadual da Bocaina (SP 221) e 35 quil\u00f4metros depois chegar em Barreiro.<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>* Querem mais hist\u00f3ria do lugar?<br \/>\nLeiam &quot;Serra da Bocaina &#8211; Na trilha de um velho para\u00edso&quot;. Est\u00e1 no \u00edcone Reportagens, em 17\/09\/2000<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havia uma pedra no meio do caminho. <\/p>\n<p>Uma s\u00f3, n\u00e3o. <\/p>\n<p>Muitas. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, o caminho surpreenderia o mais inspirado dos poetas. <\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>O caminho \u00e9 todo cal\u00e7ado por pedras irregulares.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10770","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10770","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10770"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10770\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17135,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10770\/revisions\/17135"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10770"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10770"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10770"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}