{"id":10794,"date":"2007-11-04T00:00:00","date_gmt":"2007-11-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:55:47","modified_gmt":"2017-09-15T19:55:47","slug":"jair-rodrigues-e-disparada","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/jair-rodrigues-e-disparada\/","title":{"rendered":"Jair Rodrigues e Disparada"},"content":{"rendered":"<p>\u201cAli, no Festival de 1966, praticamente come\u00e7ou a minha carreira. Tudo o que havia lutado e estava esperando, aconteceu. Veja bem, eu vinha da noite, era um cantor da noite. Cantava de tudo, desde aquelas m\u00fasicas fortes da \u00e9poca de Orlando Silva, Carlo Galhardo, Francisco Alves ao que pedisse a plat\u00e9ia. Tinha um repert\u00f3rio assim variado e vast\u00edssimo que me garantia como cantor. <\/p>\n<p>Quando fiz o meu primeiro sucesso em 1964, foi com \u201cDeixa Isso Pra L\u00e1\u201d, que n\u00e3o exigia uma grande interpreta\u00e7\u00e3o. \u201cDeixa que digam, que pensem, que falem. Deixa isso pra l\u00e1, vem pra c\u00e1, o que \u00e9 que tem. Eu n\u00e3o estou fazendo nada, voc\u00ea tamb\u00e9m&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, ouvia da cr\u00edtica que eu era cantor de uma m\u00fasica s\u00f3, que n\u00e3o passaria daquilo. <\/p>\n<p>Quem \u00e9 que gosta de cr\u00edtica?  <\/p>\n<p>Aceito uma cr\u00edtica, mas quando \u00e9 uma coisa verdadeira. Ali, eu sentia que n\u00e3o era. <\/p>\n<p>Precisei provar o contrario. Afinal, queria ser considerado um interprete da m\u00fasica popular brasileira. Queria ouvir as pessoas falarem bem. At\u00e9 que falavam. Mas, do Jair Rodrigues, menino extrovertido, o \u201cCachorr\u00e3o\u201d, sempre alegre e tal. Mas, na hora de me botar entre os da m\u00fasica popular, falavam que n\u00e3o tinha nada ver. Que era cantor de uma m\u00fasica s\u00f3. <\/p>\n<p>Quando me juntei a Elis para fazer o Fino da Bossa, pensei que ia mudar um pouco essa hist\u00f3ria. Mesmo assim, continuou.  As gl\u00f3rias eram quase todas para Elis. Eu n\u00e3o passava de um partner, o que me deixava de p\u00e9 quebrado. <\/p>\n<p>Quando apareceu a m\u00fasica do Geraldo Vandr\u00e9 e do Th\u00e9o de Barros, e o Solano Ribeiro me indicou como int\u00e9rprete, a\u00ed o neg\u00f3cio mudou tudo. Lembro que veio algu\u00e9m l\u00e1 de cima (da TV Record) e disse: <\/p>\n<p>&#8212; Crioulo, \u00e9 a hora de mostrar o que sabe! <\/p>\n<p>Vamos embora, respondi.  <\/p>\n<p>\u00c9 uma das m\u00fasicas mais dif\u00edceis de se cantar. A\u00ed, sim, provei o que sabia e era capaz. E deu tudo certo. A partir da\u00ed, vivi uma fase muito bonita, de \u201cliberou geral\u201d em todos os setores da minha carreira. Por isso, at\u00e9 hoje, eu tenho a m\u00fasica \u201cDisparada\u201d como meu carro chefe. <\/p>\n<p>Naquele ano, ainda a plat\u00e9ia n\u00e3o era agressiva. N\u00e3o aconteciam vaias. Vinha de uma experi\u00eancia, para mim, interessante. No Festival d 65, aina na TV Excelsior, cantei uma m\u00fasica chamada \u201cMo\u00e7a na Janela\u201d, do saudoso compositor do Recife. Era um samba sem nenhuma pretens\u00e3o. A m\u00fasica era bonita, mas n\u00e3o tinha for\u00e7a para um festival.Era s\u00f3 para participar. Se classificasse, tudo bem. Se n\u00e3o classificasse, tudo bem tamb\u00e9m. S\u00f3 que ela n\u00e3o ficou entre as finalistas. Mas, a mim, me deu uma certa bagagem.<\/p>\n<p>A bem da verdade, o festival da Excelsior foi todo meio assim. Uma experi\u00eancia que tanto poderia dar certo ou n\u00e3o.  J\u00e1 o da Record foi feito com aquela parafern\u00e1lia toda. Sentiram o que a beleza que foi o festival da Excelsior e mandaram ver. A Record era a Globo da \u00e9poca. Entrou com tudo. Tanto \u00e9 que esse festival da Record colheu m\u00fasicas de todo o Brasil.<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 para negar o belo momento, digamos, cultural que o Brasil vivia. Parece que a gente era mais focada. A pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds era &#8211; \u00e9poca de recess\u00e3o &#8211; uma coisa fort\u00edssima. Parece que os compositores se aplicavam mais. Davam tudo de si. H\u00e1 muito tempo que a gente n\u00e3o v\u00ea uma m\u00fasica de sucesso como as de um Paulinho da Viola, um Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil. Nos anos 60, quando uma m\u00fasica era lan\u00e7ada, era um acontecimento. Havia todo um zum-zum-zum. Voc\u00ea ouviu a nova do Gil? Olha o que Chico disse na naquela m\u00fasica? E assim ia. Eram outros tempos&#8230;\u201d<\/p>\n<p>* (Depoimento em agosto de 2000)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAli, no Festival de 1966, praticamente come\u00e7ou a minha carreira. 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