{"id":10801,"date":"2007-11-11T00:00:00","date_gmt":"2007-11-11T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:55:47","modified_gmt":"2017-09-15T19:55:47","slug":"museu-do-ipiranga","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/museu-do-ipiranga\/","title":{"rendered":"Museu do Ipiranga"},"content":{"rendered":"<p>Respondo a estudante de jornalismo Jaqueline Oliveira \u2013 e, de quebra, ainda transformo o assunto da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado que fiz no post de hoje. <\/p>\n<p>Jaqueline,<\/p>\n<p>O tema que escolhi foi \u201cMuseu do Ipiranga \u2013 A Nova Imagem de Uma Institui\u00e7\u00e3o Centen\u00e1ria\u201d. Tratou dos aspectos comunicacionais colocados em pr\u00e1tica pelo ent\u00e3o diretor, professor Jos\u00e9 Sebasti\u00e3o Witter, viabilizar uma reforma de 9 milh\u00f5es de d\u00f3lares, que livrou o pr\u00e9dio Museu do risco de desabamento e o projetou como uma das institui\u00e7\u00f5es do g\u00eanero mais visitadas em todo o Pa\u00eds. <\/p>\n<p>Vamos \u00e0s quest\u00f5es.<\/p>\n<p>01. O que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o foi o poder agregador demonstrado pelo professor Witter, que respondeu pelo cargo de 94 a 99 e abriu as portas do Museu para os diversos p\u00fablicos e como ele soube sensibilizar as diversas comunidades respons\u00e1veis pelo Museu: a do Ipiranga e a da USP (interna e externa, o \u00f3rg\u00e3o pertence \u00e0 Universidade de S\u00e3o Paulo) e as autoridades. Tamb\u00e9m considero importante o trabalho que desenvolveu para que o valioso acervo pudesse ser visitado por pessoas de todas as classes sociais, dos 8 aos 80. Com muita criatividade, ele conseguiu atrair a atra\u00e7\u00e3o da m\u00eddia para a import\u00e2ncia do Museu quando muitos j\u00e1 haviam se esquecido deste patrim\u00f4nio hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>02. A import\u00e2ncia do Museu? Ora Jaqueline \u00e9 refer\u00eancia nacional e internacional. Re\u00fane pesquisadores de primeiro time. Al\u00e9m do que, \u00e9 um marco da nossa Independ\u00eancia e um dos cart\u00f5es postais de S\u00e3o Paulo. Situa-se numa \u00e1rea privilegiada dentro do que chamamos de Parque da Independ\u00eancia, onde tamb\u00e9m existem o Monumento da Independ\u00eancia, a Cripta do Imperador Pedro I, a Casa do Grito, o Riacho Ipiranga, o Museu de Zoologia da USP e uma reserva da Mata Atl\u00e2ntica, uma das raras que foram preservadas dentro da cidade. De quebra, ainda projetou ao redor dele o Ipiranga, um dos bairros mais tradicionais, uma cidade dentro da Grande Cidade que \u00e9 S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>03. O que me acrescentou este trabalho? O desprendimento com que o prof. Witter tratou uma tarefa aparentemente imposs\u00edvel. Sua habilidade em convencer empres\u00e1rios, autoridades, educadores, jornalistas e l\u00edderes populares de que a reforma do Museu era indispens\u00e1vel e n\u00e3o podia ser adiada. N\u00e3o se tratava de remendar aqui e ali \u2013 e, sim, dota-lo de todas as condi\u00e7\u00f5es para ser um Museu de n\u00edvel internacional. Para isso, n\u00e3o poupou esfor\u00e7os. Numa certa manh\u00e3, o professor fez com que ministros, secret\u00e1rios estaduais e municipais, empres\u00e1rios, jornalistas andassem sobre o teto do pr\u00e9dio para constatar o descalabro que se via ali. \u00d3bvio que tal \u2018passeio\u2019 resultou em \u00f3timas fotos e imagens que os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o deram como manchetes no dia seguinte. A estrat\u00e9gia foi \u00f3tima. Se ele ficasse apenas discursando sobre os problemas, poucos entenderiam o tamanho da encrenca e os riscos de desabamentos n\u00e3o ficariam t\u00e3o comprovados. <\/p>\n<p>04. O que penso sobre o Museu? Conhe\u00e7o o Museu desde garoto. Via como algo distante, formal, onde se juntavam as coisas do passado. Depois como rep\u00f3rter, fiz muitas mat\u00e9rias  e percebi que ali tamb\u00e9m \u00e9 lugar de ci\u00eancia, de aprendizado, de fortalecimento do esp\u00edrito c\u00edvico e nossa identidade cultural. Em 1997, quando lancei o livro \u00c0s Margens Pl\u00e1cidas do Ipiranga, a noite de aut\u00f3grafos foi realizada no sagu\u00e3o do Museu. A capa do livro, inclusive, \u00e9 uma foto que o fot\u00f3grafo Kleber Bonatto tirou de dentro do Museu e mostra em perspectiva a silhueta de S\u00e3o Paulo. Foi muito representativa para mim. Como se eu narrasse as transforma\u00e7\u00f5es pelas quais o Pa\u00eds passou nos meus 20 anos de rep\u00f3rter \u2013 o livro re\u00fane textos que escrevi nesse per\u00edodo \u2013 tendo como posto de observa\u00e7\u00e3o o Museu do Ipiranga.<\/p>\n<p>05. Se acho o Museu importante? Jaqueline, toda e qualquer institui\u00e7\u00e3o que valorize a cultura de uma Na\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para que possamos compreender quem somos n\u00f3s. Para que as lutas e conquistas de nossos antepassados n\u00e3o se percam por bobagens que eventualmente possam nos impor de maneira massificante e atemporal. O passado \u00e9 vital para forjar um presente melhor e planejar o futuro de um Brasil de todos os brasileiros.<\/p>\n<p>06. Um recado a quem n\u00e3o conhece o Museu? Ele n\u00e3o sabe o que est\u00e1 perdendo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Respondo a estudante de jornalismo Jaqueline Oliveira \u2013 e, de quebra, ainda transformo o assunto da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado que fiz no post de hoje. <\/p>\n<p>Jaqueline,<\/p>\n<p>O tema que escolhi foi \u201cMuseu do Ipiranga \u2013 A Nova Imagem de Uma Institui\u00e7\u00e3o Centen\u00e1ria\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10801","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10801","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10801"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10801\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17107,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10801\/revisions\/17107"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10801"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10801"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10801"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}