{"id":10819,"date":"2007-11-26T00:00:00","date_gmt":"2007-11-26T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:55:45","modified_gmt":"2017-09-15T19:55:45","slug":"sobre-futebol-e-estadios","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sobre-futebol-e-estadios\/","title":{"rendered":"Sobre futebol e est\u00e1dios&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>A amiga Leila est\u00e1 escrevendo um livro sobre ilustre e feliz torcedor do S\u00e3o Paulo. O tal \u00e9 um bacana\u00e7o na sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o e vai lhe contar tintim po tintim a hist\u00f3ria da sua vida . Ela vai organizar e transformar o depoimento num bel\u00edssimo texto \u2013 que a mo\u00e7a \u00e9 craque nesse enfileirar de letrinhas. Eu e o biografado temos em comum, al\u00e9m da amizade da Leila, uma desmedida paix\u00e3o pelo futebol. Com uma grande diferen\u00e7a, e voc\u00eas sabem qual&#8230; <\/p>\n<p>Sou palmeirense, de origem, tradi\u00e7\u00e3o, bras\u00e3o, proced\u00eancia e cuore arrebatado. <\/p>\n<p>Mesmo assim e para entender melhor seu personagem \u2013 que me parece \u00e9 de pouca fala &#8211;, ela me faz uma pergunta a t\u00edtulo de consulta. Quer que eu lhe descreva a emo\u00e7\u00e3o de um est\u00e1dio de futebol j\u00e1 que sou ass\u00edduo freq\u00fcentador &#8212; diria que j\u00e1 fui mais empolgado com o tal esporte bret\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00d3bvio que eu n\u00e3o perderia, por nada neste mundo, a oportunidade de transformar tal assunto num post\/cr\u00f4nica para ganhar o meu dia. <\/p>\n<p>Se me permitem, vamos aos fatos.<\/p>\n<p>Primeiro de tudo. <\/p>\n<p>N\u00e3o se vai a um campo de futebol como se programa ir a um cinema ou ao teatro. Nem pensar.  Filme ou pe\u00e7a podem ser bons ou ruins, tanto faz. A vida continua. Quando muito, voc\u00ea reclamar\u00e1 um tantinho se n\u00e3o gostar ou aplaudir\u00e1 entusiasticamente se for algo memor\u00e1vel. Pode at\u00e9 dar alguma discuss\u00e3o daquelas mais intelectualizadas \u2013 mas, s\u00f3. <\/p>\n<p>Uma partida de futebol \u00e9 diferente e, acrescente-se, memor\u00e1vel. Sempre.<\/p>\n<p>N\u00e3o importa se boa ou ruim. Importa a vit\u00f3ria do seu time e tudo que esta conquista encerra \u2013 os tr\u00eas pontos, o t\u00edtulo, a classifica\u00e7\u00e3o para a Libertadores, a goza\u00e7\u00e3o do dia seguinte. Amor e \u00f3dio, sem tirar, nem por.<\/p>\n<p>Pode ser um grande jogo, mas de nada adiantar\u00e1 se o time perder. Voc\u00ea fica arrasado por horas, dias, meses, anos. A cada segundo, ver\u00e1 \u00e0 sua frente o gol que o centro-avante perdeu (voc\u00ea n\u00e3o perderia), a furada do zagueiro (voc\u00ea mandaria aquela bola para a Lua, mas tiraria da \u00e1rea) e aquela bola f\u00e1cil que o goleir\u00e3o tomou por baixo do corpo. O que que \u00e9 isso, minha gente!<\/p>\n<p>Exagero?<\/p>\n<p>Entenda, Leila, vai-se do inferno ao para\u00edso em segundos \u2013 e vice-versa.<\/p>\n<p>Se o juiz \u2018madrakear\u2019 seu time (como aconteceu ontem com o Palmeiras no Sul do Pa\u00eds quando um carioca \u2018esperto\u2019 fez que viu o que n\u00e3o viu e apitou o que n\u00e3o viu como se tivesse visto), a\u00ed dele se lhe aparecer pela frente. O pr\u00f3prio Capit\u00e3o Nascimento, de Tropa de Elite, proporia uma tr\u00e9g\u00fca e seria incapaz de lhe segurar. Certamente at\u00e9 o Wagner Moura se espantaria quando voc\u00ea mandasse \u201cpor no saco\u201d o destemperado at\u00e9 que o fanfarr\u00e3o confessasse que \u00e9 flamenguista ou no m\u00ednimo estava a servi\u00e7o de \u201cfor\u00e7as maiores\u201d. Plim plim.<\/p>\n<p>Vou lhe dizer, amiga. <\/p>\n<p>Nem Z\u00e9 Celso Correa, com suas peraltices c\u00eanicas, \u00e9 capaz de integrar tanto e t\u00e3o sobejamente p\u00fablico e artistas. N\u00e3o h\u00e1 explica\u00e7\u00e3o que beire a sensatez. Minuto a minuto, segundo a segundo, voc\u00ea se v\u00ea protagonista, parte do espet\u00e1culo, capaz de mudar com seus berros a hist\u00f3ria do jogo. Xinga o juiz, orienta o t\u00e9cnico a orientar o time, chuta o ar e aplaude como se fosse o pr\u00f3prio garoto driblador. Defende a bola imposs\u00edvel e faz o gol no \u00faltimo minuto. Sente-se t\u00e3o campe\u00e3o quanto qualquer outro boleiro, mas n\u00e3o entrar em campo, n\u00e3o assina contrato, n\u00e3o v\u00ea um tost\u00e3ozinho a mais no seu holerite. <\/p>\n<p>Somos todos e somos um.<\/p>\n<p>Melhor dizendo. Quase todos. S\u00f3 n\u00e3o somos o juiz porque, convenhamos, precisa ter barulho de carro\u00e7a na cabe\u00e7a para querer ser juiz de futebol.<\/p>\n<p>A vida real, acredite, Leila, fica do lado de fora dos est\u00e1dios.<\/p>\n<p>Por isso, ir ao futebol \u2013 fa\u00e7a chuva ou fa\u00e7a sol \u2013 \u00e9 um ato de f\u00e9 e \u2013 infelizmente hoje em dia \u2013 de coragem.  Para tanto, cada qual tem o pr\u00f3prio ritual. Uns v\u00e3o sozinhos com o radinho grudado na orelha, outros com a turma de amigos. H\u00e1 os que v\u00e3o com os familiares &#8212; e acho que aqui me encaixo.<\/p>\n<p>Assim como comecei a ir aos est\u00e1dios acompanhando meu pai &#8211;o velho Aldo, que gostava de assistir ao jogo junto ao alambrado &#8211;, eu s\u00f3 vou ao campo com o meu filho, Rodolfo. Ah! Gosto demais quando tamb\u00e9m v\u00e3o os meus sobrinhos e os filhos dos meus sobrinhos. A\u00ed parece que estamos a fazer rever\u00eancia a hist\u00f3ria dos Martino, Gar\u00f3falo, Chizzolini, Avezzani, Mango&#8230;<\/p>\n<p>D\u00e1 para entender?<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e9? <\/p>\n<p>Mas, quando surge o alvi-verde imponente, parece que um pouco da vida de cada um de n\u00f3s entra em campo tamb\u00e9m. <\/p>\n<p>Para o que der e vier. <\/p>\n<p>E \u00e9 maravilhoso&#8230;<\/p>\n<p>Ganhar ou perder \u00e9 conting\u00eancia. Da partida e da vida. Com uma diferen\u00e7a. No futebol, sempre haver\u00e1 o jogo seguinte&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A amiga Leila est\u00e1 escrevendo um livro sobre ilustre e feliz torcedor do S\u00e3o Paulo. 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