{"id":10825,"date":"2007-11-30T00:00:00","date_gmt":"2007-11-30T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:55:44","modified_gmt":"2017-09-15T19:55:44","slug":"sobre-escrever-e-sonhar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sobre-escrever-e-sonhar\/","title":{"rendered":"Sobre escrever e sonhar"},"content":{"rendered":"<p>Uma internauta me pergunta sobre<br \/>\nescrever dia sim e outro tamb\u00e9m.<br \/>\nAproveito para lhe responder e postar.<\/p>\n<p>Minha cara, nunca estaremos<br \/>\ninteiramente seguros sobre nossos textos<br \/>\ne nossos. Mas, vamos sempre escrev\u00ea-los<br \/>\ne sonh\u00e1-los. \u00c9 a parte que nos cabe<br \/>\nneste latif\u00fandio chamado Terra.<\/p>\n<p>Na verdade, \u00e9 vital para quem se achega.<br \/>\nN\u00e3o d\u00edria um &quot;v\u00edcio&quot;, pois h\u00e1 na palavra<br \/>\num tom negativo e conden\u00e1vel.<br \/>\nDiria que se torna um h\u00e1bito.<\/p>\n<p>Momento \u00fanico do dia.<br \/>\nDe entrega e de sonho&#8230;<\/p>\n<p>Sonhar tamb\u00e9m \u00e9 vital a mim,<br \/>\na voc\u00ea, a todos n\u00f3s. Ali\u00e1s, n\u00e3o<br \/>\nfaz muito que descobri a enigm\u00e1tica<br \/>\ntranscend\u00eancia do sonhar.<\/p>\n<p>Diga-se, uma verdade que sempre<br \/>\nesteve em n\u00f3s. \u00c9 o que mais fazemos<br \/>\nquando crian\u00e7a e damos trato \u00e0 nossa<br \/>\nimagina\u00e7\u00e3o. Somos guerreiros, her\u00f3is,<br \/>\ncraques de futebol, piloto de ca\u00e7a etc em<br \/>\num vida repleta de ventura e aventura.  <\/p>\n<p>Basta crescer um pouquinho, enfrentar<br \/>\nas primeiras vicissitudes da vida<br \/>\npara covardemente esquecermos dos<br \/>\nnossos sonhos e, conseq\u00fcentemente,<br \/>\nde n\u00f3s mesmos &#8211; n\u00e3o \u00e9 assim?<\/p>\n<p>Numa fase da minha vida,<br \/>\nreconhe\u00e7o, esqueci completamente<br \/>\ndeste elo m\u00e1gico que nos prop\u00f5e<br \/>\ndesafios e conquistas &#8212; e nos livra<br \/>\nda pasmaceira dos dias iguais.<\/p>\n<p>Vivia &#8211; e ponto.<\/p>\n<p>Lembro que certa vez respondi<br \/>\na um amigo que era especialista em<br \/>\ntelenovela, o amigo Ismael Fernandes,<br \/>\nque n\u00e3o eu era noveleiro por um motivo<br \/>\nsimples. Achava que as pessoas deveriam<br \/>\nviver, elas pr\u00f3prias, uma grande hist\u00f3ria.<br \/>\nA hist\u00f3ria de suas vidas&#8230;<\/p>\n<p>Havia um tanto de blague na<br \/>\nafirma\u00e7\u00e3o. Outro tanto era para<br \/>\nprovocar uma discuss\u00e3o besta com<br \/>\no amigo \u2013 mas, faz algum sentido.<\/p>\n<p>Quando passamos a compensar<br \/>\no encantamento que falta em nossas<br \/>\nvidas com as emo\u00e7\u00f5es do pr\u00f3ximo<br \/>\ncap\u00edtulo, repetimos o estigma da Carolina,<br \/>\naquela da can\u00e7\u00e3o do Chico:<\/p>\n<p>&quot;O tempo passou na janela<br \/>\n  e s\u00f3 Carolina n\u00e3o viu.&quot;<\/p>\n<p>A mecaniza\u00e7\u00e3o do dia-a-dia,<br \/>\nos compromissos, as obriga\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA lida di\u00e1ria, muitas vezes, entorpece<br \/>\ne nem nos damos conta do tempo<br \/>\na escapar pelo v\u00e3o dos dedos&#8230;<\/p>\n<p>Me perdoem o lugar comum, mas<br \/>\nadoro essa imagem do tempo que<br \/>\nse esvai, sem que nada possamos<br \/>\nfazer para recuper\u00e1-lo&#8230;<\/p>\n<p>Lembro tamb\u00e9m que, em outra ocasi\u00e3o,<br \/>\nli uma entrevista do jornalista e escritor<br \/>\nCarlos Heitor Cony em que ele explicava<br \/>\nporque ficou vinte e tanto anos<br \/>\nlonge da literatura &#8211; e nem percebeu.<\/p>\n<p>Ele disse que vivera um grande<br \/>\nromance, por isso n\u00e3o teve tempo<br \/>\npara escrever um&#8230;<\/p>\n<p>Cousa, lousa e maripo(u)sa.<br \/>\nAndei daqui e dali, s\u00f3 para lhe dizer<br \/>\nque me \u00e9 fundamental o escrever,<br \/>\nnesta altura da minha vida. Sem hora,<br \/>\nnem patr\u00e3o. Sem pauta, nem pretens\u00e3o.<\/p>\n<p>Apenas para ter voc\u00ea e outros cinco<br \/>\nou seis leitores a\u00ed do outro lado e aqui,<br \/>\nneste bate-papo virtual,<br \/>\nque se reveste de amizade.<\/p>\n<p>Parece o reviver daqueles singelos<br \/>\n tempos em que os vizinhos punham<br \/>\nas cadeiras na cal\u00e7adas e conversavam<br \/>\nsobre tudo e sobre todos at\u00e9 fraquejar<br \/>\na luz dos lampi\u00f5es de g\u00e1s que iluminavam(?)<br \/>\nruas e becos. Pode parecer saudosismo<br \/>\n&#8212; e \u00e9! &#8212; ou mesmo um jeito provinciano<br \/>\nde ser e estar. Mas era t\u00e3o bom.<br \/>\nT\u00e3o pleno de vida e sonhos.<\/p>\n<p>Sonhos que acredit\u00e1vamos um dia<br \/>\nse tornariam realidade&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se voc\u00ea, caro leitor, se deu<br \/>\nconta. Mas, chegamos a dezembro,<br \/>\ntempo de escrever e sonhar<br \/>\na mais linda das hist\u00f3rias:<br \/>\no nascimento do Deus Menino.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma internauta me pergunta sobre<br \/>\nescrever dia sim e outro tamb\u00e9m.<br \/>\nAproveito para lhe responder e postar.<\/p>\n<p>Minha cara, nunca estaremos<br \/>\ninteiramente seguros sobre nossos textos<br \/>\ne nossos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10825","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10825","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10825"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10825\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17087,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10825\/revisions\/17087"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10825"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10825"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10825"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}