{"id":10827,"date":"2007-12-02T00:00:00","date_gmt":"2007-12-02T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:55:44","modified_gmt":"2017-09-15T19:55:44","slug":"os-desafios-do-jornalismo-hoje","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/os-desafios-do-jornalismo-hoje\/","title":{"rendered":"Os desafios do jornalismo hoje"},"content":{"rendered":"<p>&#8212; Uma das caracter\u00edsticas mais curiosas do mundo atual \u00e9 que toda pessoa com acesso a um computador se julga no direito &#8211; e, \u00e0s vezes, no dever &#8211; de ser produtora de conte\u00fado. Pela contagem mais recente, havia cinco bilh\u00f5es de p\u00e1ginas na Internet, acessadas por um quinto da popula\u00e7\u00e3o mundial. Blogs, fotologs, grupos de discuss\u00e3o e sites pessoais comp\u00f5em a maioria dessas p\u00e1ginas. \u00c9 conte\u00fado produzido por gente que nunca freq\u00fcentou uma reda\u00e7\u00e3o e nada tem a ver com jornalismo. Na Internet, h\u00e1 de tudo &#8211; desde de o blog da minha filha de 14 anos aos artigos da revista Nature com as \u00faltimas descobertas no mundo da ci\u00eancia. Num planeta em que todos produzem conte\u00fado, qual o papel que sobra para os jornalistas e editores?<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o acima \u00e9 do jornalista Laurentino Gomes, coordenador de um dos N\u00facleos de Revista da Editora Abril e autor do best-seller \u201c1808\u201d, que narra a chegada da Fam\u00edlia Real ao Brasil Col\u00f4nia, justamente no ano que d\u00e1 t\u00edtulo ao livro. O jornalista participou, em setembro passado, do painel Os Desafios do Comunicador no Terceiro Mil\u00eanio, promovido pelas faculdades de Jornalismo, Rela\u00e7\u00f5es P\u00f9blicas e Propaganda\/Publicidade da Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo. O encontro reverenciou os 35 anos de exist\u00eancia dos tr\u00eas cursos da tradicional institui\u00e7\u00e3o que tem campus em S\u00e3o Bernardo, na Grande S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Coube a Laurentino Gomes falar sobre jornalismo para uma plat\u00e9ia de mais 600 estudantes das tr\u00eas \u00e1reas. Seu painel teve como t\u00edtulo: &quot;O Papel do Jornalista Num Mundo Afogado em Informa\u00e7\u00e3o&quot;. Veja outros trechos da palestra.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>&#8212; Quando n\u00e3o havia Internet, uma das fun\u00e7\u00f5es do jornalista era servir de filtro, ou mensageiro, entre as fontes de informa\u00e7\u00f5es e os leitores, ouvintes ou internautas. Cabia aos jornalistas pautar as not\u00edcias, coletar as informa\u00e7\u00f5es, filtr\u00e1-las e decidir quando e como chegariam aos leitores. Hoje, a informa\u00e7\u00e3o se tornou quase uma commoditty. H\u00e1 bilh\u00f5es de p\u00e1ginas de informa\u00e7\u00e3o gratuita e facilmente acess\u00edvel \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de quem tenha tempo, crit\u00e9rio e disposi\u00e7\u00e3o para consumi-la. Nesse novo cen\u00e1rio, o que sobra para os jornalistas? Que novos conhecimentos e que n\u00edvel de prepara\u00e7\u00e3o \u00e9 exigido para o exerc\u00edcio da profiss\u00e3o nesse mundo em r\u00e1pida transforma\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>&#8212; A boa novidade \u00e9 que, em nenhum outro momento da hist\u00f3ria da humanidade, a fun\u00e7\u00e3o dos jornalistas foi t\u00e3o essencial. As pessoas est\u00e3o afogadas em informa\u00e7\u00e3o, mas poucas sabem lidar com ela. Ao contr\u00e1rio, o excesso de informa\u00e7\u00e3o criou um n\u00edvel de ansiedade sem precedente nas pessoas. Existe at\u00e9 uma nova doen\u00e7a catalogada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade e associada \u00e0 ang\u00fastia resultante da incapacidade que as pessoas sentem de absorver e aproveitar de forma positiva tanta informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>Portanto, resta aos jornalistas nesse novo mundo tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas:<\/p>\n<p>a &#8211; Ser editor.<\/p>\n<p>Editar \u00e9 ajudar as pessoas a se orientar nesse oceano de  informa\u00e7\u00e3o. \u00c9, portanto, separar o joio do trigo. Cabe aos jornalistas separar o relevante do que \u00e9 in\u00fatil ou n\u00e3o confi\u00e1vel.<\/p>\n<p>b &#8211; Ser curador da informa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Num mundo digital em que todos podem produzir conte\u00fado \u00e9 tarefa dos jornalistas apontar o que \u00e9 confi\u00e1vel e o que n\u00e3o \u00e9. Esse papel de curadoria, ligada ao senso de \u00e9tica e responsabilidade social da profiss\u00e3o do jornalista, nunca foi t\u00e3o importante. As pessoas precisam aprender a confiar no que l\u00eaem, v\u00eaem, ouvem ou consomem. E os jornalistas podem ajud\u00e1-las nessa tarefa.<\/p>\n<p>c &#8211; Antecipar tend\u00eancia e necessidades. <\/p>\n<p>O mundo est\u00e1 mudando. E os leitores, internautas, ouvintes, telespectadores mudam junto e na mesma velocidade. Antes, o jornalismo era uma via de m\u00e3o \u00fanica. O rep\u00f3rter ou editor decidia a pauta e cabia aos leitores aceitar passivamente o resultado dessa escolha. Hoje, o mundo da informa\u00e7\u00e3o \u00e9 composto por redes interativas, formadas por comunidades interativas, ligadas por interesses comuns, que querem participar da produ\u00e7\u00e3o e da discuss\u00e3o a respeito do conte\u00fado. Cabe ao jornalista entender esse mundo e participar dele de forma ativa e relevante.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, n\u00e3o basta ao jornalista s\u00f3 saber escrever, falar, fazer um site de Internet, produzir um v\u00eddeo ou programa de r\u00e1dio. \u00c9 preciso ir al\u00e9m. Jornalista de hoje precisa, entre outras coisas, ter alguma no\u00e7\u00e3o de conceitos de marketing.\t<\/p>\n<p>* Amanh\u00e3 continua.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8212; Uma das caracter\u00edsticas mais curiosas do mundo atual \u00e9 que toda pessoa com acesso a um computador se julga no direito &#8211; e, \u00e0s vezes, no dever &#8211; de ser produtora de conte\u00fado.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10827","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10827","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10827"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10827\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17085,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10827\/revisions\/17085"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10827"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10827"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10827"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}