{"id":10828,"date":"2007-11-26T00:00:00","date_gmt":"2007-11-26T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:55:45","modified_gmt":"2017-09-15T19:55:45","slug":"sob-dominio-do-rock","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sob-dominio-do-rock\/","title":{"rendered":"Sob dom\u00ednio do rock"},"content":{"rendered":"<p>Para mim, parece \u00f3bvio. <\/p>\n<p>Na curva dos 50, posso falar de c\u00e1tedra, o rock hoje n\u00e3o existe como estilo musical, tantas e tais foram as influ\u00eancias que recebeu (e gerou) nesses, digamos, meio s\u00e9culo de exist\u00eancia. <\/p>\n<p>Em plagas tupiniquins, ent\u00e3o, o que dizer. <\/p>\n<p>Voc\u00eas, car\u00edssimos leitores, acham mesmo que, no tal Pa\u00eds da miscigena\u00e7\u00e3o, o rock-rock resistiria, puro e belo, por muito tempo ao tam-tam dos tambores?<\/p>\n<p>Bastou um ser h\u00edbrido entre o samba e a bossa-nova, chamado Jorge Du\u00edlio Lima de Menezes, vulgo Jorge Ben, invadir os palcos da Jovem Guarda para que o estrago fosse feito. Diria que ali, naquelas jovens tardes de domingo, nasceram a parceria com Erasmo Carlos (\u201cMenina Gata Augusta\u201d) e o Reino Unido do Samba Rock.  <\/p>\n<p>Houve resist\u00eancia, \u00e9 claro. <\/p>\n<p>Os puristas da MPB, entre os quais a cantora Elis Regina, expurgaram o compositor carioca da chamada elite cultural \u2013 ele n\u00e3o p\u00f4de mais participar de O Fino da Bossa, programa comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues. <\/p>\n<p>Mas, foi por pouco tempo esse racha. <\/p>\n<p>No ano seguinte, o Tropicalismo, dos baianos Gil e Caetano, determinou a gel\u00e9ia geral de versos, ritmos, comportamentos e afins.<\/p>\n<p>Sob o tac\u00e3o da ditadura, a MPB bebeu da fonte roqueira, incorporou a guitarra e os cabelos longos e desgrenhados. <\/p>\n<p>Fez mais: promoveu a diversidade, o vale tudo. <\/p>\n<p>Derrubou fronteiras. <\/p>\n<p>Tanto que na d\u00e9cada seguinte, o rock incorporou a baianidade de Raul Seixas, tergiversou com a ruralidade de S\u00e1, Rodrix e Guarabyra, eletrificou o cordel pernambucano, experimentou com Walter Franco, filosofou com Belchior e caiu na gandaia com os Novos Baianos.<\/p>\n<p>Os anos 80 saudaram o rock tupiniquim como o hit do momento. Rita Lee zoou bonito e reinventou o rock, com apelos de marchinha carnavalesca. Um estrondoso sucesso. E vieram Lulu, Legi\u00e3o, Paralamas, Kid Abelha, Bar\u00e3o e Cazuza, Cazuza, Cazuza \u2013 talvez a mais emblem\u00e1tica figura roqueira da d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Chegar nos 90 foi um sufoco. <\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 mais limites \u2013 e a ind\u00fastria do showbizz prefere outros g\u00eaneros. Mas, como segurar as arrebenta\u00e7\u00f5es do Mangue Beat (que \u00e9 moda entre os intelectuais, mas n\u00e3o chegou \u00e0s r\u00e1dios), o skank (que bebe da MPB e do reggae), dos tais Hermanos (que s\u00e3o e n\u00e3o s\u00e3o), do rappa (que \u00e9 outra hist\u00f3ria). De C\u00e1ssia Eller, que \u00e9 visceral como Maysa, transgressora como Cazuza; mas \u00fanica e indefin\u00edvel.<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 50 anos o mundo vive sob a \u00e9gide do rock in roll. Ningu\u00e9m entre 8 ou 80 anos, de alguma forma, conseguiu escapar dos acordes 4&#215;4 (\u00e9 isso?), do som estridente de um solo de guitarra, da transgress\u00e3o de ser o melhor dos iguais, a rebeldia bem-vinda de ser jovem. Eternamente jovem&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 algo t\u00e3o presente quanto et\u00e9reo na vida de todos n\u00f3s. <\/p>\n<p>Por isso, o livro reportagem resolveu investigar a hist\u00f3ria desse fen\u00f4meno no Brasil, a terra do samba, da bossa nova, do maracatu, da diversidade cultural. <\/p>\n<p>Uma diversidade hoje impregnada de rock. Influenciou e, \u00f3bvio, se deixou influenciar. Nunca saberemos quem prevaleceu se o vice ou se o versa?<\/p>\n<p>Mas essa presen\u00e7a \u00e9 indiscut\u00edvel.<\/p>\n<p>Quando essa garotada me prop\u00f4s o tema, fiquei super-feliz. O assunto \u00e9 mesmo apaixonante e infindo. E cada um deles, percebi logo, me trouxe um olhar diferente sobre o rock in roll. <\/p>\n<p>Melhor: descobrimos que h\u00e1 tantas e tantas formas de cantar e dan\u00e7ar o velho\/novo ritmo. Descobrimos que mist\u00e9rios h\u00e1 de pintar por a\u00ed. <\/p>\n<p>Foi um prazer enorme percorrer, ao lado de voc\u00eas, esse trecho \u2013 importante, creio &#8211; desta longa e sinuosa estrada chamada vida.<\/p>\n<p>N\u00e3o seria exagero dizer que viver \u2013 e ser feliz &#8212; \u00e9 mesmo um desafio roqueiro. <\/p>\n<p>Nosso \u00edcone Tony Campello, que o diga e nos ensine&#8230;<\/p>\n<p>Am\u00e9m.<\/p>\n<p>* Pref\u00e1cio do livro Rock Made in Brasil &#8211; Impress\u00f5es e Fragmentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para mim, parece \u00f3bvio. <\/p>\n<p>Na curva dos 50, posso falar de c\u00e1tedra, o rock hoje n\u00e3o existe como estilo musical, tantas e tais foram as influ\u00eancias que recebeu (e gerou) nesses,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10828","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10828","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10828"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10828\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17092,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10828\/revisions\/17092"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10828"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10828"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10828"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}