{"id":10830,"date":"2007-12-04T00:00:00","date_gmt":"2007-12-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:55:44","modified_gmt":"2017-09-15T19:55:44","slug":"quem-e-o-leitor","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/quem-e-o-leitor\/","title":{"rendered":"Quem \u00e9 o leitor?"},"content":{"rendered":"<p>* Parte III e final &#8211; Palestra do jornalista Laurentino Gomes aos estudantes de jornalismo, rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e publicidade da Universidade Metodista sobre Os Desafios do Comunicador para o Terceiro Mil\u00eanio.<\/p>\n<p>IX.<\/p>\n<p>&#8212; O leitor est\u00e1 mudando, o tempo todo e num ritmo cada vez mais veloz. A competi\u00e7\u00e3o pelo leitor \u00e9 selvagem. Coisas que at\u00e9 um  tempo atr\u00e1s eram inovadoras, e conseguiam surpreend\u00ea-lo, hoje se tornaram banais. Todo mundo faz igual. Isso vale para uma foto ou um t\u00edtulo na capa de uma revista como para uma sacada de texto de reportagem. A prop\u00f3sito da capa, gostaria de citar aqui um texto do consultor americano John Brady, publicado na revista Folio: em maio de 2005. Brady \u00e9 s\u00f3cio de uma empresa especializada em reposicionar e redesenhar revistas. No texto da Folio, ele diz em tom provocativo que a capa de uma revista n\u00e3o \u00e9 uma p\u00e1gina editorial, mas um espa\u00e7o de marketing.<\/p>\n<p>Diz Brady:<\/p>\n<p>\u201cA capa n\u00e3o \u00e9 uma p\u00e1gina editorial. A capa \u00e9 uma p\u00e1gina de marketing.  A capa traz o leitor para dentro, para passear entre os seus corredores.  Determina a postura e a identidade da revista \u2013 isto que a comercializa.  Editores ainda n\u00e3o s\u00e3o vendedores; s\u00e3o contadores de hist\u00f3rias e n\u00e3o vendedores de hist\u00f3ria.&quot;<\/p>\n<p>Ok, contar bem uma hist\u00f3ria j\u00e1 \u00e9 um bom come\u00e7o, mas \u00e9 preciso saber vender essa hist\u00f3ria aos seus leitores.<\/p>\n<p>X.<\/p>\n<p>&#8212; Por onde come\u00e7ar? Brady d\u00e1 um conselho: \u00e9 preciso conhecer o leitor. E se poss\u00edvel, se antecipar \u00e0s suas mudan\u00e7as. Isso \u00e9 fundamental para o sucesso do bom jornalista. Isso vale tanto para o diretor de reda\u00e7\u00e3o como para o rep\u00f3rter que est\u00e1 na rua colhendo informa\u00e7\u00f5es. Os dois precisam entender os anseios, as necessidades, as cren\u00e7as e valores de seu leitor. E, principalmente, entender como isso tudo est\u00e1 mudando. O livro &quot;The Prof\u00edt Zone&quot;, que citei h\u00e1 pouco, diz tamb\u00e9m que mais importante do que escolher e atender a um determinado segmento \u00e9 decidir que segmentos voc\u00ea N\u00c3O quer atender. \u00c9 simplesmente imposs\u00edvel tentar atender a todo mundo. Isso fazia sentido no tempo da sociedade de massa. Hoje, \u00e9 preciso ser cada vez mais seletivo.<\/p>\n<p>XI.<\/p>\n<p>&#8212; Para fazer essas escolhas, o jornalista tem de entender profundamente o seu leitor e se organizar para servi-lo da melhor maneira poss\u00edvel. Nesse novo mundo, n\u00e3o basta dizer que voc\u00ea entende o leitor porque voc\u00ea \u00e9 jornalista e tarefa de jornalista \u00e9 entender o leitor. Precisa entender mesmo. Jornalistas precisam ser autoridades nos seus segmentos de leitores. Caso contr\u00e1rio, voc\u00ea nunca vai entender e atender esses leitores nas suas necessidade. No jornalismo &#8211; como no marketingh- intui\u00e7\u00e3o, entusiasmo e criatividade continuam sendo fundamentais. O que n\u00e3o se aceita mais \u00e9 improvisa\u00e7\u00e3o e a falta de planejamento. Essas duas coisas combinadas costumam resultar em desperd\u00edcio de energia, stress e arrog\u00e2ncia. A boa not\u00edcia \u00e9 que o marketing conta com uma infinidade de ferramentas que podem ajudar o jornalista a ser um melhor jornalista. <\/p>\n<p>XII.<\/p>\n<p>&#8212; A pesquisa \u00e9 uma delas. Existem pesquisas de todo tipo. Teste de pre\u00e7o e comportamento em banca \u00e9 uma delas. Discuss\u00e3o com grupos atr\u00e1s do espelho \u00e9 outra. O pr\u00f3prio comportamento das vendas de uma detinada edi\u00e7\u00e3o ajuda a entender o que o leitor est\u00e1 pensando. Relat\u00f3rios de atendimento ao leitor s\u00e3o valios\u00edssimos. Na Editora Abril, temos uma coisa chama IQE &#8211; Indicador de Qualidade Editorial. \u00c9 uma pesquisa de satisfa\u00e7\u00e3o dos leitores que ajuda nossos editores a avaliar e, se for o caso, rever suas f\u00f3rmulas e estrat\u00e9gias editoriais. S\u00f3 que pesquisa sozinha n\u00e3o resolve nada. Se pesquisa resolvesse os desafios do jornalismo, o mundo n\u00e3o precisaria de jornalistas. \u00c9 preciso saber primeiro o que perguntar numa pesquisa e, em seguida, como interpretar as respostas. \u00c9 como fazer uma boa reportagem. N\u00e3o adianta fazer uma entrevista se voc\u00ea n\u00e3o sabe o que perguntar, o que est\u00e1 procurando. Tamb\u00e9m n\u00e3o adianta colher informa\u00e7\u00f5es se, depois, voc\u00ea n\u00e3o sabe organiz\u00e1-las de forma compreens\u00edvel e atraente para o leitor. Com pesquisa \u00e9 a mesma coisa.<\/p>\n<p>XIII.<\/p>\n<p>Antes de terminar, eu gostaria de falar um pouco mais sobre o que marketing n\u00e3o \u00e9. Marketing n\u00e3o \u00e9 engana\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma forma sistem\u00e1tica de analisar e entender a realidade \u00e0 sua volta para desenvolver e vender produtos e servi\u00e7os para a audi\u00eancia que voc\u00ea escolher servir. Marketing n\u00e3o vende produtos ruins. Pelo menos, n\u00e3o por muito tempo. Nem o melhor marqueteiro do mundo consegue vender por muito tempo um mau produto. Isso tamb\u00e9m tem tudo a ver com jornalismo. Se voc\u00ea n\u00e3o tem uma boa mat\u00e9ria, n\u00e3o adianta fazer um t\u00edtulo turbinado ou uma capa vendedora e achar que isso resolveu o problema. Leitor n\u00e3o \u00e9 bobo. Leitor n\u00e3o gosta de ser enganado. Ou voc\u00ea tem informa\u00e7\u00e3o para oferecer ou vai perder seus leitores mais r\u00e1pido do que imagina.  Nesse desafio, marketing e jornalismo podem se ajudar muito. Muito obrigado a todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* Parte III e final &#8211; Palestra do jornalista Laurentino Gomes aos estudantes de jornalismo, rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e publicidade da Universidade Metodista sobre Os Desafios do Comunicador para o Terceiro Mil\u00eanio.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10830","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10830","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10830"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10830\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17083,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10830\/revisions\/17083"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10830"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10830"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10830"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}