{"id":10840,"date":"2007-12-12T00:00:00","date_gmt":"2007-12-12T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:53:44","modified_gmt":"2017-09-15T19:53:44","slug":"ex-mulher-e-para-sempre","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/ex-mulher-e-para-sempre\/","title":{"rendered":"Ex-mulher \u00e9 para sempre"},"content":{"rendered":"<p>Uma ex-mulher \u00e9 para sempre.<\/p>\n<p>Admir\u00e1vel frase do amigo Nasci, recorrente sempre que um dos nossos o procurava naquele boteco que n\u00e3o existe mais, onde o Sacoman torce o rabo entre as ruas Bom Pastor e Greenfeld. \u00d3bvio que o cas\u00f3rio do sujeito andava em crise por motivos diversos que variavam entre a paixonite aguda por alguma garota taluda\u00e7a, a birita em demasia, o dinheiro ralo ou a sogra palpiteira. Talvez pudesse haver outras causas, como a Dona da Pens\u00e3o fugir com o vizinho. Mas, esses casos n\u00e3o eram considerados, pois logo viravam piada e todos se divertiam, inclusive \u2013 ou principalmente \u2013 o marido tra\u00eddo que logo se convencia:<\/p>\n<p>&#8212; Do que foi que eu me livrei, Senhor!!!<\/p>\n<p>N\u00e3o havia um DataNasci para aferir os casos em quest\u00e3o. Posso lhes garantir, por\u00e9m, que a mo\u00e7a de carnes tenras e a \u2018marvada da cacha\u00e7a\u2019 lideravam o ranking das querelas conjugais que, mais cedo ou mais tarde, inevitavelmente aportavam no balc\u00e3o de m\u00e1rmore gasto, onde o Nasci descansava os cotovelos, o cachimbo e os copos de cerveja e de Steneiger, um ao lado do outro.<\/p>\n<p>Ele ponderava que estar sem grana era condi\u00e7\u00e3o natural da nossa gente. Quanto \u00e0s sogras, dizia ele, faziam parte do kitch do casamento. Portanto, ambas as situa\u00e7\u00f5es eram perfeitamente toler\u00e1veis e compreens\u00edveis. <\/p>\n<p>Dizia mais.<\/p>\n<p>Um porre de quando em quando, a mulher at\u00e9 desculpava. Muitas vezes, at\u00e9 valorizava o \u2018passe\u2019 do marid\u00e3o entre as amigas. As estropolias do rapaz entrava para o rol das inconfid\u00eancias que as mulheres exercitam quando se encontram.<\/p>\n<p>&#8212; Ah!, o Cebola, quando bebe um pouquinho, fica t\u00e3o fogoso. Fala cada coisa no meu ouvido na hora do rala e rola&#8230;<\/p>\n<p>Todos riam da imita\u00e7\u00e3o do Nasci para a Senhora Cebola. Ele aproveitava para fazer o alerta.<\/p>\n<p>&#8212; Agora se o Cebola virar um pudim de cacha\u00e7a e todo dia der vexame, \u00e9 certo que, mais cedo do que ele espera, vai dormir na sarjeta e todos sabem aquele dito: o de b\u00eabado n\u00e3o tem dono&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o era l\u00e1 muito diferente a recomenda\u00e7\u00e3o do Nasci quando algu\u00e9m chegava andando nas nuvens, com cara de idiota, a dizer que \u201cfinalmente havia encontrado a mulher da sua vida\u201d. N\u00e3o demorava e l\u00e1 vinham a ironia e o alerta do nosso guru<\/p>\n<p>&#8212; O Estrop\u00edcio, meu irm\u00e3o, sabe que lhe considero, mas n\u00e3o confunde as coisas. Sei que voc\u00ea vai dizer que casamento \u00e9 s\u00f3 um detalhe. Mas, cara, n\u00e3o esque\u00e7a a patroa. N\u00e3o faz besteira. N\u00e3o estique a corda. Ela arrebenta e sobra pra voc\u00ea&#8230;<\/p>\n<p>Nessas ocasi\u00f5es, o exemplo mais citado era de um ilustre cirurgi\u00e3o dentista. O homem era riqu\u00edssimo e muito bem sucedido na profiss\u00e3o. Casado, dois filhos, vida social assentada em bases s\u00f3lidas. Tudo nos trinques at\u00e9 encontrar a bela Constan\u00e7a, de curvas insinuantes e sorriso envolvente. Elazinha s\u00f3 queria saber quando custava para obturar um dente e o Doutor se prop\u00f4s atend\u00ea-la, a partir de ent\u00e3o, para o resto de suas vidas.<\/p>\n<p>S\u00f3 que o conto de fadas n\u00e3o teve l\u00e1 um final t\u00e3o feliz. O esposa abandonada levou tudo o que p\u00f4de a t\u00edtulo de pens\u00e3o para os filhos adolescentes \u2013 e o Doutor agora recome\u00e7ava do zero em um consult\u00f3rio modesto na periferia do Ipiranga. Era comum v\u00ea-lo passar pelo Sacoman a bordo de uma poderosa e intermin\u00e1vel Caravan com c\u00e2mbio no volante. <\/p>\n<p>Foi o que lhe restou.<\/p>\n<p>&#8212; Nesse misere, dou tr\u00eas meses para a Constan\u00e7a bater asas. \u00c9 s\u00f3 ele terminar o tratamento dent\u00e1rio. Quer apostar?<\/p>\n<p>N\u00e3o. Ningu\u00e9m ousava questionar os progn\u00f3sticos do Nasci. Eles sempre se cumpriam.<\/p>\n<p>Lembrei do Nasci assim que vi a capa da Veja nesta semana. L\u00e1 est\u00e1 uma chamada para a alentada entrevista de Roseane Collor que se espalha por v\u00e1rias p\u00e1ginas da revista. A ex-primeira dama n\u00e3o faz nenhuma den\u00fancia que comprometa ainda mais o ex-marido, ex-ca\u00e7ador de maraj\u00e1 e ex-presidente Fernando Collor, o Belo. Mas, faz um estrago&#8230;<\/p>\n<p>Ao terminar de ler a reportagem, n\u00e3o houve como n\u00e3o repetir a frase do amigo:<\/p>\n<p>&#8212; Uma ex-mulher \u00e9 para sempre&#8230;<\/p>\n[Texto publicado no livro &quot;Meus Caros Amigos \u2013 Cr\u00f4nicas sobre jornalistas, bo\u00eamios e paix\u00f5es&quot;]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma ex-mulher \u00e9 para sempre.<\/p>\n<p>Admir\u00e1vel frase do amigo Nasci, recorrente sempre que um dos nossos o procurava naquele boteco que n\u00e3o existe mais, onde o Sacoman torce o rabo entre as ruas Bom Pastor e Greenfeld.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-10840","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10840","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10840"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10840\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17072,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10840\/revisions\/17072"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10840"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10840"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10840"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}