{"id":10844,"date":"2007-12-14T00:00:00","date_gmt":"2007-12-14T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:53:43","modified_gmt":"2017-09-15T19:53:43","slug":"o-arrastar-de-dezembro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-arrastar-de-dezembro\/","title":{"rendered":"O arrastar de dezembro"},"content":{"rendered":"<p>Tem um qu\u00ea de vazio esses dias de dezembro. <\/p>\n<p>Especialmente aqui no campus.<\/p>\n<p>Os corredores, vazios. As salas de aulas, silenciosas. Professores, de express\u00e3o cansada \u00e0 frente dos computadores, a \u2018fechar\u2019 os benditos di\u00e1rios de classe.<\/p>\n<p>H\u00e1 um qu\u00ea de fim de temporada em tudo que est\u00e1 \u00e0 nossa volta.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 diferente em outros lugares. <\/p>\n<p>Mesmo nas reda\u00e7\u00f5es, o ritmo \u00e9 outro. Mais arrastado, diria.<\/p>\n<p>Olhos atentos \u00e0s escalas para saber quem vai trabalhar \u2013 e conseq\u00fcentemente quem vai folgar \u2013 no Natal, no Reveillon e no primeiro dia do ano.<\/p>\n<p>Muita gente tamb\u00e9m pensa nas f\u00e9rias que se aproximam. <\/p>\n<p>Os que n\u00e3o v\u00e3o descansar fingem n\u00e3o estar nem a\u00ed. <\/p>\n<p>Quantas vezes, ouvi coment\u00e1rios do tipo:<\/p>\n<p>&#8212; Prefiro tirar f\u00e9rias fora da alta temporada.<\/p>\n<p>T\u00eam l\u00e1 suas raz\u00f5es \u2013 mas, convenhamos, h\u00e1 uma pontinha de inveja na observa\u00e7\u00e3o. Que, se fosse pra valer mesmo, n\u00e3o precisava ser feita. Concordam?<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>N\u00e3o lembro bem quando foi e onde foi. Sei que estava numa reda\u00e7\u00e3o, provavelmente naquela semana lusco-fusco entre o Natal e fim do ano. Estava com as id\u00e9ias na Lua e a agenda na m\u00e3o. Me pus a folhe\u00e1-la, p\u00e1gina ap\u00f3s p\u00e1gina. Olhava o passar dos dias a instigar esta ou aquela lembran\u00e7a. Um nome, uma data, um n\u00famero de telefone rabiscado \u00e0s pressas \u2013 de quem seria?<\/p>\n<p>Uma viagem&#8230; <\/p>\n<p>O tempo que o tempo engoliu.<\/p>\n<p>Quando dei por mim j\u00e1 havia escrito na \u00faltima p\u00e1gina, em letras propositalmente desalinhadas:<\/p>\n<p>\u201cFim de ano. Fim de tudo. Ano novo. Tudo de novo\u201d.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>&quot;Quem teve a id\u00e9ia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indiv\u00edduo genial. Industrializou a esperan\u00e7a, fazendo-a funcionar no limite da exaust\u00e3o. Doze meses d\u00e3o para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. A\u00ed entra o milagre da renova\u00e7\u00e3o e tudo come\u00e7a outra vez, com outro n\u00famero e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente&quot;. Carlos Drummond de Andrade<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>O poeta e o leitor que me perdoem a proximidade de aspas t\u00e3o d\u00edspares. <\/p>\n<p>Que sem no\u00e7\u00e3o que sou&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o resisti ao encanto da prosa drummondiana. Al\u00e9m do que, o texto me foi enviado, via email, pelo amigo Everaldo Fioravante, o Grilo, que n\u00e3o vejo h\u00e1 tanto tempo.<\/p>\n<p>Bom demais saber not\u00edcias dos amigos que ganham o mundo e um dia reaparecem, como se nunca tivessem partido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tem um qu\u00ea de vazio esses dias de dezembro. <\/p>\n<p>Especialmente aqui no campus.<\/p>\n<p>Os corredores, vazios. As salas de aulas, silenciosas. 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