{"id":10847,"date":"2007-12-17T00:00:00","date_gmt":"2007-12-17T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:53:43","modified_gmt":"2017-09-15T19:53:43","slug":"a-mensagem-que-virou-arvore","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-mensagem-que-virou-arvore\/","title":{"rendered":"A mensagem que virou \u00e1rvore"},"content":{"rendered":"<p>Por essa \u00e9poca, era inevit\u00e1vel que me escalassem para escrever sobre a tal mensagem de Natal e Fim de Ano. Desde os anos 70 e 80, as reda\u00e7\u00f5es vivem um acelerado processo de mecaniza\u00e7\u00e3o, onde as chamadas t\u00e9cnicas de narrativas jornal\u00edsticas se sobrep\u00f5em as autorais. Os manuais s\u00e3o mais importantes que o estilo. Tudo em nome da objetividade, da clareza e da concis\u00e3o. Cada vez mais, n\u00f3s \u2013 rep\u00f3rteres, redatores e editores \u2013 procuramos intermediar o fato e quem o l\u00ea de forma ins\u00edpida, inodora e incolor.<\/p>\n<p>O leitor o que melhor lhe aprouver com a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este parece ser o grande desafio das reda\u00e7\u00f5es \u2013 sejam quais forem, de r\u00e1dio, TV, impresso ou on-line.<\/p>\n<p>Claro que h\u00e1 quem fuja \u00e0 regra \u2013 mas, non troppo: os editoriais, as colunas, a cr\u00edtica, o coment\u00e1rio. Mesmo assim, todo esse lesco-lesco obrigatoriamente vem embasado em provas e contra-provas, contextualiza\u00e7\u00e3o, analogias hist\u00f3ricas e an\u00e1lises de especialistas.<\/p>\n<p>A cr\u00f4nica \u00e9 o \u00fanico lugar onde a emo\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Mesmo assim, os verdadeiros \u2018diaristas\u2019 andam em franca extin\u00e7\u00e3o. Salvo Luiz Fernando Ver\u00edssimo, n\u00e3o h\u00e1 mais aquela prosa \u2018puxa-puxa\u2019 que tanto caracterizou os escritos de Rubem Braga, o maior de todos. De Diaf\u00e9ria, Drewnek, Pl\u00ednio Marcos&#8230;<\/p>\n<p>Mas isso eu escrevi aqui outro dia&#8230;<\/p>\n<p>Como nunca tive eira, nem beira e perten\u00e7o \u00e0 velha guarda \u2013 mesmo nas reportagens, n\u00e3o raras vezes l\u00e1 estou eu a dar pitacos e fazer observa\u00e7\u00f5es \u2013, era inevit\u00e1vel a convoca\u00e7\u00e3o. Que, de resto, eu tirava do jeito que podia.  <\/p>\n<p>\u00c0s vezes, at\u00e9 elogios eu ouvi&#8230;<\/p>\n<p>Houve um ano, por\u00e9m, que eu travei. Acho que foi em 77.<\/p>\n<p>N\u00e3o consegui alinhavar uma linha que fosse sobre o natalino tema. <\/p>\n<p>O amigo Cl\u00f3vis Naconecy veio em meu socorro. Tamb\u00e9m n\u00e3o se deu l\u00e1 muito bem no arranjar de letrinhas. Tudo lhe parecia \u00f3bvio demais.<\/p>\n<p>Desistiu.<\/p>\n<p>Foi a vez de outro volunt\u00e1rio e amigo. Ismael Fernandes, colunista de TV e noveleiro de primeira. A princ\u00edpio, era garantia de um bom roteiro. Em 20 minutos tinha o texto pronto, mas que n\u00e3o convenceu nem ao pr\u00f3prio IF. Os sinos \u2018bimbalhavam\u201d demais na \u201cnoite feliz\u201d em que a \u201cestrela guia\u201d nos levava at\u00e9 o \u201cMenino Deus\u201d.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Ismael fez picadinho das laudas, ap\u00f3s l\u00ea-las em voz alta.<\/p>\n<p>N\u00e3o restou outra alternativa, ent\u00e3o. Humildemente, fomos at\u00e9 o Departamento de Artes que, sob a batuta do Naconecy, inventou uma \u00e1rvore de Natal em que os enfeites eram o s\u00edmbolo do pr\u00f3prio jornal. <\/p>\n<p>Assim preenchemos o espa\u00e7o que estava reservado \u00e0 mensagem. Acrescentamos, sem pudores, um Feliz Natal e Pr\u00f3spero Ano Novo.<\/p>\n<p>E n\u00e3o se falou mais no assunto&#8230;<\/p>\n[Texto publicado no livro &quot;Meus Caros Amigos \u2013 Cr\u00f4nicas sobre jornalistas, bo\u00eamios e paix\u00f5es&quot;]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por essa \u00e9poca, era inevit\u00e1vel que me escalassem para escrever sobre a tal mensagem de Natal e Fim de Ano. 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